Resumo da página:
Esta página aborda o tema do esquecimento das vidas passadas segundo a doutrina espírita e seus fundamentos.
O Olvido Temporário
- O esquecimento das existências anteriores representa a diminuição do estado vibratório do Espírito ao entrar em contato com a matéria física.
- Ao assumir novo corpo, a alma precisa adaptar-se ao instrumento corporal, abandonando vícios, defeitos e lembranças nocivas do passado.
- Os neurônios cerebrais funcionam como "aparelhos quebradores da luz", limitando as percepções espirituais para que o ser possa reconstruir seu destino.
As Recordações Parciais
- Mesmo com o esquecimento, a alma experimenta sensações indefiníveis:
- vocações inatas,
- saudades inexplicáveis,
- fenômenos introspectivos.
- A subconsciência atravessa as barreiras cerebrais trazendo fragmentos do passado - aversões antigas, amores, gostos.
- Segundo Emmanuel, espíritos mais evoluídos experimentam essas recordações com maior clareza, pois a matéria exerce menor influência sobre eles.
Justiça Divina e Responsabilidade
- A doutrina explica que cada nova existência proporciona ao homem mais inteligência para distinguir o bem do mal.
- Quando retorna à vida espiritual, o Espírito contempla toda sua trajetória, reconhece as faltas cometidas e escolhe provas para repará-las.
- A intuição funciona como lembrança do passado - é a voz da consciência que adverte para não recair em erros já cometidos.
- As tendências instintivas são reminiscências do passado.
Benefícios do Esquecimento
Allan Kardec destaca vários motivos pelos quais o esquecimento é benéfico:
- Evita humilhação: lembrar de atos vergonhosos do passado seria extremamente penoso
- Preserva relacionamentos: muitos inimigos do passado são hoje familiares ou amigos que buscam reconciliação
- Permite recomeço: funciona como novo ponto de partida para evolução
- Facilita o perdão: sem memória de ofensas passadas, é possível conviver harmoniosamente
- Previne paralisia social: conhecer crimes passados geraria rejeição social constante
O não esquecimento perturbaria as relações sociais e seria entrave ao progresso.
Como exemplo prático, menciona que ex-condenados enfrentam rejeição mesmo quando reformados.
Mecanismo Neurológico
- André Luiz explica tecnicamente o processo: nervos, córtex motor e lobos frontais são pontos de contato entre organização perispiritual e aparelho físico. Funcionam como "respiradouros" e "quebra-luzes", impedindo que a alma encarnada suporte carga de dupla vida.
- Nascimento e morte são choques biológicos necessários à renovação.
- A hipnose natural funciona como recurso básico: o Espírito dorme profundamente antes mesmo da concepção ou durante vida fetal.
- Nos primeiros sete anos há prostração psíquica, aproximadamente três mil dias de "sono induzido" que estabelecem alterações nos veículos de exteriorização do Espírito.
Gradualidade da Memória
- Em mundos superiores à Terra, onde reina apenas o bem, a reminiscência do passado não é dolorosa - os habitantes recordam-se das existências anteriores naturalmente.
- À medida que o corpo se torna menos material, mais clara fica a lembrança.
- No plano espiritual, mesmo os desencarnados não possuem reminiscência integral - apenas espíritos muito evoluídos conquistam memória perfeita.
- A memória se dilata gradualmente conforme cumprimos obrigações e avançamos em lucidez.
Identificação de Vidas Passadas
É possível deduzir existências anteriores pelas:
- Tendências instintivas (indício mais seguro)
- Natureza das vicissitudes (sofrimentos atuais refletem faltas passadas)
- Caráter predominante atual
Exemplos:
- orgulhoso é humilhado em existência subalterna;
- mau rico experimenta miséria;
- cruel sofre crueldades;
- tirano vira escravo;
- mau filho enfrenta ingratidão dos filhos.
Escolha de Provas
- Ao término da erraticidade, o próprio Espírito escolhe provas para acelerar evolução, sempre relacionadas às faltas a expiar.
- Se triunfa, eleva-se;
- se sucumbe, recomeça.
- O livre-arbítrio permanece intacto - a criatura encarnada é independente para escolher rumos.
Finalidades da Reencarnação
Segundo o Centro Espírita Porto da Paz:
- Expiação: pagar com sofrimento os erros praticados
- Prova: medir grau de evolução ante dificuldades
- Missão: ajudar humanidade e exemplificar o bem
- Tarefa específica: espíritos elevados prestam grandes serviços
Sabedoria do Esquecimento
- Não lembrar do passado permite que inimigos antigos sejam hoje filhos, irmãos, pais ou amigos.
- A família é ambiente onde se reatam laços cortados.
- Reencarnação é mecanismo perfeito da Justiça Divina, explicando desigualdades de destino.
- Deus não castiga - somos causadores dos próprios sofrimentos pela lei de ação e reação.
- A página enfatiza que criaturas primitivas conhecem semi-inconsciência do viver, mas seres mais evoluídos trazem plano de vida definido, com compromissos assumidos perante Espiritualidade para reparação do mal e prática do bem.
Resumo elaborado com auxílio de inteligência artificial
(Claude, Anthropic, 2026)
Este resumo visa facilitar a compreensão inicial, mas o conteúdo completo da página contém detalhes importantes adicionais.
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O OLVIDO TEMPORÁRIO
O
esquecimento, nessas existências fragmentárias, obedecendo às
leis superiores que presidem ao destino, representa a diminuição do estado vibratório do Espírito, em
contacto com a matéria.
Esse olvido é necessário, e, afastando-se os benefícios espirituais que essa questão
implica, à luz das concepções científicas, pode esse problema ser
estudado atenciosamente.
Tomando um novo corpo,
a alma tem necessidade
de adaptar-se a esse instrumento.
Precisa abandonar a bagagem dos seus vícios,
dos seus defeitos, das suas lembranças nocivas, das suas vicissitudes nos
pretéritos tenebrosos.
Necessita de nova virgindade;
um instrumento virgem lhe é então fornecido.
Os neurônios desse novo cérebro fazem a função de aparelhos quebradores da luz; o sensório limita as
percepções do Espírito, e, somente assim, pode o ser reconstruir o seu
destino.
Para que o homem colha benefícios da sua vida temporária,
faz-se mister que assim seja.
Sua consciência é
apenas a parte emergente da sua consciência espiritual; seus sentidos constituem apenas o necessário à
sua evolução no plano terrestre.
Daí, a exigüidade das suas percepções visuais e auditivas, em relação ao número inconcebível de vibrações que o cercam.
[71 - página 81] EMMANUEL - 1938
AS
RECORDAÇÕES
Todavia, dentro dessa obscuridade requerida pela sua necessidade de
estudo e desenvolvimento, experimenta a alma, às vezes, uma sensação
indefinível...
É uma vocação inata que a impele para esse ou aquele
caminho; é uma saudade vaga e incompreensível, que a persegue nas suas
meditações; são os fenômenos introspectivos, que a assediam freqüentemente.
Nesses momentos, uma luz vaga da subconsciência atravessa a câmara de sombras, impostas pelas células cerebrais, e, através dessa luz coada, entra o Espírito em
vaga relação com o seu passado longínquo; tais fatos são vulgares nos
seres evolvidos,
sobre quem a carne já não exerce atuação invencível.
Nesses
vagos instantes, parece que a alma encarnada ouve o tropel das lembranças
que passam em revoada; aversões antigas, amores santificantes, gostos
aprimorados, de tudo aparece uma fração no seu mundo consciente; mas,
faz-se mister olvidar
o passado para que se alcance êxito na luta.
[71 - página 81]
EMMANUEL - 1938 (Ver: Intuição )
O
homem não pode e nem deve saber tudo, inclusive, não deve lembrar do seu
passado (encarnações anteriores).
O
Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado.
Deus assim o quer em Sua sabedoria.
Sem o véu que lhe oculta certas coisas,
ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si.
[9a - página 214 questão 392]
Não vos iludais.
Somente as criaturas primitivas, nos círculos selvagens da natureza, conhecem, por agora, a semi-inconsciência do viver, por se abeirarem ainda dos reinos inferiores.
Recebem a reencarnação quase ao jeito dos irracionais, que aperfeiçoam instintos para ingressarem, mais tarde, no santuário da razão.
[96 - página 232] André Luiz
- Como
pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que se não
lembra?
- Como
pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu?
- Concebe-se
que as tribulações da existência lhe servissem de lição, se se
recordasse do que as tenha podido ocasionar. Desde que, porém, disso não
se recorda, cada existência é, para ele, como se fosse a primeira e eis
que então está sempre a recomeçar.
- Como conciliar isto com justiça de
Deus?
"Em
cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal.
Onde o seu mérito se se
lembrasse de todo o passado?
Quando o Espírito volta à vida anterior
(a vida espírita), diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida
pretérita.
Vê as faltas que cometeu e que deram causa ao seu sofrer,
assim como de que modo as teria evitado.
Reconhece justa a situação em
que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de
transcorrer.
Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere
apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são
superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que
o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência, se esforçará pelo levar a reparar suas
faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu.
Tendes essa intuição no pensamento,
no desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e a que instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais (educação), quando é a voz da consciência que vos fala.
Essa voz, que é a lembrança do
passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que
já vos fizestes culpados.
Em a nova existência, se sofre
com coragem aquelas provas e resiste, o Espírito
se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos, ao voltar
para o meio deles."
Não
temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do
que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição,
sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado.
E a nossa consciência, que é
o desejo que
experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à
resistência àqueles
pendores.
[9a - página 215 questão 393]
Até
certo ponto, sendo os pendores instintivos uma reminiscência do seu passado, dar-se-á que,
pelo
estudo desses pendores, seja possível ao homem conhecer as faltas que cometeu.
Preciso se torna, porém, levar em conta a melhora que se
possa
ter operado no Espírito e as resoluções que ele haja tomado na erraticidade.
Pode suceder
que a existência atual seja muito melhor que a precedente.
Depende
do seu adiantamento, poderá também ser pior, isto é, poderá o Espírito cometer, numa
existência, faltas
que não praticou em a precedente.
Se não souber triunfar das provas, possivelmente
será
arrastado a novas faltas, conseqüentes, então, da posição que escolheu.
Mas,
em geral, estas
faltas denotam mais um estacionamento que uma retrogradação, porquanto o
Espírito é
suscetível de se adiantar ou de parar, nunca, porém, de retroceder.
[9a - página 218 questão 398]
Gravíssimos
inconvenientes teria o nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores.
Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira.
Em outros nos exaltaria o orgulho,
peando-nos em conseqüência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos
Deus exatamente
o que nos é necessário e basta ...
Priva-nos
do que nos prejudicaria.
Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes
atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam
talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais.
Nem sempre podendo
honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu seja lançado.
Isto
concorda
perfeitamente com a doutrina dos Espíritos acerca dos mundos superiores à Terra.
Nesses
mundos, onde só reina o bem, a reminiscência do passado nada tem de dolorosa.
Tal a
razão por que neles as criaturas se lembram da sua antecedente existência,
como nos lembramos
do que fizemos na véspera.
Quanto à estada em mundos inferiores, não passa então,
como já dissemos, de mau sonho.
[9a - página 216 questão 394]
Nem
sempre, podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores.
Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam.
Se se lhes permitisse
dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o
passado.
Algumas
vezes, é uma impressão real; mas também, freqüentemente, não passa de mera
ilusão, contra a qual precisa o homem pôr-se em guarda, porquanto pode ser
efeito de superexcitada
imaginação.
[9a - página 217 questões 395 e 396]
O esquecimento temporário é um
benefício da Providência.
A experiência,
freqüentemente, é adquirida em rudes provas e terríveis expiações,
cuja lembrança seria muito penosa e viria aumentar as angústias
das tribulações da vida presente.
Se os sofrimentos da vida parecem
longos, que seriam, pois, se sua duração fosse aumentada com as lembranças dos sofrimentos do
passado?
Vós, por exemplo, que haveis suportado por faltas que,
atualmente, repugnariam a vossa consciência;
ser-vos-ia agradável lembrar de ter sido enforcado por isso?
A vergonha não vos perseguiria
imaginando que o mundo sabe do mal que
haveis feito?
Que importa o que haveis podido fazer, e o que haveis podido suportar para expiar, se agora
sois um homem estimável?
Aos olhos
do mundo sois um homem novo, e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado.
Livre da lembrança de um
passado importuno, agireis com mais liberdade; é
para vós um novo ponto de partida; vossas dívidas anteriores
estão pagas, cabendo-vos não contrair novas dívidas.
Assim,
quantos homens gostariam de poder, durante a vida, lançar um véu sobre seus primeiros anos!
Quantos disseram, ao fim de sua caminhada:
"Se devesse recomeçar, eu não faria o que fiz"!
Pois bem!, o que eles não podem refazer nesta
vida, refarão em outra; em uma nova
existência seu Espírito trará, no estado de intuição,
as boas resoluções que
eles terão tomado.
É assim que se cumpre, gradualmente,
o progresso da
Humanidade.
Suponhamos, ainda, - o que é um caso muito comum - que em vossas relações,
em vosso lar mesmo, se encontre um ser do qual tendes muitas
queixas, que talvez vos arruinou ou desonrou em uma outra existência
e que, Espírito arrependido, vem se encarnar em vosso meio, unir-se a vós pelos laços de
família, para reparar o mal que vos fez pelo seu
devotamento e sua afeição: ambos não estaríeis na mais falsa posição se, todos os dois, vos
lembrásseis de vossas inimizades?
Ao invés
de se apaziguarem, os ódios se eternizariam.
Concluí com isso que a lembrança do passado perturbaria as relaçõessociais e seria um entrave ao
progresso.
Quereis disso uma prova atual?
Que
um homem condenado às galeras tome a firme resolução de se tornar honesto; que ocorrerá em sua
saída?
Será repelido pela sociedade
e essa repulsa, quase sempre o recoloca no vício.
Suponhamos,
ao contrário, que todo o mundo ignore seus antecedentes: ele
será bem acolhido; se ele próprio pudesse esquecê-los, não seria por isso menos honesto e poderia andar de
cabeça erguida ao invés decurvá-la
sob a vergonha da recordação.
Isso concorda perfeitamente com a doutrina dos Espíritos sobre os mundos
superiores ao nosso.
Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança do passado nada tem
de penosa; eis porque aí lembram-se
de sua existência precedente como nos lembramos do que fizemos
na véspera.
Quanto à sua estada em mundos inferiores, ela não é mais que um sonho mau.
Allan
Kardec
[78
- Esquecimento do passado]
Nas existências corpóreas de natureza mais elevada do que a nossa, é mais
clara
a lembrança das anteriores.
À medida que o corpo se torna menos material, com mais
exatidão o homem se
lembra do seu passado.
Esta lembrança, os que habitam os mundos de ordem
superior a têm
mais nítida. [9a - página 218 questão 397]
Sendo as vicissitudes da vida corporal expiação das faltas do passado e, ao
mesmo
tempo, provas com vistas ao futuro, seguir-se-á que da natureza de tais vicissitudes possa deduzir de que gênero foi a existência anterior.
Muito
amiúde é isso possível, pois que cada um é punido naquilo por onde pecou.
Entretanto,
não há que tirar daí uma regra absoluta.
As tendências instintivas constituem indício
mais seguro, visto que as provas por que passa o Espírito o são, tanto pelo
que respeita
ao passado, quanto pelo que toca ao futuro.
Chegando
ao termo que a Providência lhe assinou à vida na erraticidade, o próprio Espírito
escolhe as provas a que deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento,
isto é,
escolhe meios de adiantar-se e tais provas estão sempre em relação com as
faltas que lhe cumpre expiar. Se delas triunfa, eleva-se; se sucumbe, tem que recomeçar.
O
Espírito goza sempre do livre-arbítrio. Em virtude dessa liberdade é que
escolhe, quando
desencarnado, as provas da vida corporal e que, quando encarnado, decide fazer
ou não
uma coisa procede à escolha entre o bem e o mal.
Negar ao homem o
livre-arbítrio, fora
reduzi-lo
à condição de máquina.
Mergulhando
na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de
suas
existências anteriores, como se um véu as cobrisse.
Todavia, conserva algumas
vezes vaga
consciências, lhe podem ser reveladas.
Esta revelação, porém, só os
Espíritos superiores
espontaneamente lhe fazem, com um fim útil, nunca para satisfazer a vã curiosidade.
As existências futuras, essas em nenhum caso podem ser reveladas, pela razão de
que
dependem do modo por que o Espírito se sairá da existência atual e da escolha
que ulteriormente
faça.
O esquecimento das faltas praticadas não constitui obstáculo à melhoria do
Espírito, porquanto,
se é certo que este não se lembra delas com precisão, não menos certo é que
a circunstância
de as ter conhecido na erraticidade e de haver desejado repará-las o guia por intuição e lhe dá a ideia de resistir ao mal, ideia que é a voz da consciência,
tendo a secundá-la
os Espíritos superiores que o assistem, se atende às boas inspirações que
lhe dão.
O
homem não conhece os atos que praticou em suas existências
pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho
predominante
do seu caráter.
Bastará então julgar do que foi, não pelo que é, sim, pelas
suas tendências. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e,
simultaneamente, provas com relação ao futuro.
Depuram-nos e elevam-nos, se as
suportamos
resignados e sem murmurar.
A
natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem
esclarecer
acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos
dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei.
Assim,
o orgulhoso será castigado no seu orgulho, mediante a humilhação de uma existência
subalterna; o mau-rico, o avarento, pela miséria; o que foi cruel para os
outros, pelas
crueldades que sofrerá o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela
ingratidão de seus filhos;
o preguiçoso, por um trabalho forçado, etc.
[9a - página 218 questão 399]
Perguntas por que motivo não conserva o homem encarnado a plenitude das recordações
do longuíssimo pretérito; isto é natural, em virtude da tão
grande ascendência do corpo perispiritual sobre o mecanismo
fisiológico.
Se a forma física evoluiu e se aperfeiçoou, o
mesmo terá acontecido ao organismo perispirítico, através das
idades.
- Nós
mesmos, no plano
espiritual, em nossa relativa condição de espiritualidade, ainda não possuímos
o processo de reminiscência integral dos caminhos perlustrados.
- Não
estamos, por enquanto, munidos de suficiente luz para descer com proveito a
todos os ângulos do abismo das origens; tal faculdade, só mais tarde a
adquiriremos, quando nossa alma estiver escoimada de todo e qualquer resquício de sombra.
Comparando,
entretanto, a nossa situação com o estado menos lúcido de nossos irmãos
encarnados, importa não nos esqueça que ...
- os
nervos,
- o córtex
motor
- e
os lobos frontais, que ora examinamos, constituem apenas regulares
pontos de contacto entre a organização perispiritual e o aparelho físico,
indispensáveis, uma e outro, ao trabalho de enriquecimento e de crescimento
do ser eterno.
(Ver: Cérebro)
Em
linguagem mais simples, são respiradouros dos impulsos, experiências e noções
elevadas da personalidade
real que não se extingue no túmulo, e que não suportariam a carga de uma
dupla vida.
Em razão disto, e atendendo aos deveres impostos à consciência
de vigília para os serviços de cada dia, desempenham função amortecedora : são quebra-luzes, atuando beneficamente para que a alma encarnada trabalhe e
evolva.
Além disto, nascimento e morte, na esfera carnal,
para a generalidade das criaturas são choques biológicos, imprescindíveis à
renovação.
Em verdade, não há total esquecimento na Crosta Terrestre, nem restauração imediata da memória nas províncias
de existência, que se seguem, naturais, ao campo da atividade física.
Todos os homens conservam tendências e faculdades, que quase equivalem a
efetiva lembrança do passado; e nem todos, ao_atravessarem o sepulcro, podem readquirir, repentinamente, o patrimônio
de suas reminiscências.
Quem demasiado se materialize, demorando-se em baixo
padrão vibratório, no campo de matéria densa, não pode reacender, de pronto,
a luz da memória.
Despenderá tempo a desfazer-se dos pesados envoltórios a que inadvertidamente
se prendeu.
Dentro da luta humana, também, é indispensável que os neurônios se façam de luvas, mais ou menos espessas, a fim de que o fluxo das recordações
não modere o esforço edificante da alma encarnada, empenhada em nobres
objetivos de evolução ou resgate, aprimoramento ou ministério sublime.
Importa reconhecer, porém, que a nossa mente aqui, no plano espiritual, age no organismo perispirítico, com poderes muito
mais extensos, mercê da singular natureza e elasticidade da matéria que presentemente nos define a forma.
Isto, contudo, em nossos círculos de ação,
- não
nos evita as manifestações grosseiras,
- as
quedas lastimáveis,
- as doenças complexas, porque a mente, o senhor do corpo, mesmo aqui,
é acessível ao vício,
ao relaxamento e às paixões arruinantes.
[25 - página 60] André Luiz
- Porque não guardamos a viva recordação de nossas existências anteriores?
- não seria bendita felicidade o reencontro consciente com aqueles que mais amamos?...
Sim, sim... — confirmava o Ministro Clarêncio, célere — mas, na condição espiritual em que ainda nos situamos, não sabemos orientar os nossos desejos para o melhor.
Nosso amor ainda é insignificante migalha de luz, sepultada nas trevas do nosso egoísmo, qual ouro que se acolhe no chão, em porções infinitesimais, no corpo gigantesco da escória.
- Assim como as fibras do cérebro são as últimas a se consolidarem no veículo_físico em que encarnamos na Terra,
- a memória perfeita é o derradeiro altar que instalamos, em definitivo, no templo de nossa alma, que, no Planeta, ainda se encontra em fases iniciais de desenvolvimento.
É por isso que nossas recordações são fragmentárias...
Todavia, de existência a existência, de ascensão em ascensão, nossa memória gradativamente converte-se em visão imperecível, a serviço de nosso espírito imortal...
Retomar o contacto com os melhores, seria recuperar igualmente os piores e, indiscutivelmente, não possuimos até agora o amor equilibrado e puro, que se consagra aos desígnios superiores, sem paixão.
Ainda não sabemos querer sem desprezar, amparar sem desservir. Nossa afetividade, por enquanto, padece deploráveis inclinações.
Sem o esquecimento transitório, não saberíamos receber no coração o adversário de ontem para regenerar-nos, regenerando-o.
A Lei é sábia.
De qualquer modo, porém, não olvidemos que nosso espírito assinala todos os passos da jornada que lhe é própria, arquivando em si mesmo todos os lances da vida, para formar com eles o mapa do destino, de acordo com os princípios de causa e efeito que nos governam a estrada, mas somente mais tarde, quando o amor e a sabedoria sublimarem a química dos nossos pensamentos, é que conquistaremos a soberana serenidade, capaz de abranger o pretérito em sua feição total...
A Lei, contudo, é invariàvelmente a Lei.
Viveremos em qualquer parte, com os resultados de nossas ações, assim como a árvore, em qualquer trato do solo, produzirá conforme a espécie a que se subordina.
[4 - páginas 68/9] André Luiz
Na
existência corporal, todavia, a alma sente a memória obscurecida, num olvido quase total do passado, a fim de que os seus
esforços se valorizem; a consciência então é fragmentária, parcial,
porquanto as suas faculdades estão eclipsadas pelos pesados véus da matéria, os quais atenuam ao mínimo as suas vibrações,
constituindo, porém, esses poderes prodigiosos, mas ocultos, as extraordinárias
possibilidades da vasta subconsciência,
que os cientistas do século estudam acuradamente.
Tais forças e progressos adquiridos, o Espírito jamais os perde; são parte
integrante do seu patrimônio e, na vida material, podem emergir ...
- no
exercício da mediunidade,
- nas hipnoses profundas,
- ou
em outras circunstâncias que facilitam o desprendimento temporário dos
elementos psíquicos.
[71 - página 166]
As amnésias decorrem naturalmente da inadaptação temporária entre a alma e o instrumento de que se utiliza.
Na infância,
o « ego»,
em processo de materialização, externará reminiscências e opiniões, simpatias e desafetos atraves de manifestações instintivas, a lhe
entremostrarem o passado, do qual mal se lembrará no futuro próximo, de vez
que estará movimentando a máquina cerebral em desenvolvimento, máquina essa
que deverá servi-lo, tão-só por algum tempo e para determinados fins,
ocorrendo idêntica situação na idade provecta, quando as palavras como que
se desprendem dos quadros da memória, traduzindo alterações do órgão do
pensamento, modificado por desgaste.
[83 - página 202 ]
André Luiz
(Ver: União
da Alma e Corpo Físico)
Examinando o esquecimento
temporário do pretérito, no campo físico, importa considerar
cada existência por estágio de serviço em que a alma readquire, no mundo, o aprendizado que lhe compete.Surgindo semelhante período, entre o berço que lhe configura o início e o túmulo
que lhe demarca a cessação, é justo aceitar-lhe o caráter acidental, não
obstante se lhe reconheça a vinculação à vida eterna.
É forçoso, então, ponderar o impositivo de recurso e aproveitamento, tanto
quanto, nas aplicações da força elétrica, é preciso atender ao problema
de carga e condução.
Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais completamente novos, no domínio das energias físicas,
e, para que se lhe adormeça a memória,
funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, ...
- em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, mui to tempo antes de acolher-se
ao abrigo materno.
- Na melhor das hipóteses,
quando desfruta grande atividade mental nas esferas superiores, só é
compelida ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida
fetal.
Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados,
tempo em que se lhes reaviva a experiência terrestre.
Temos, assim, mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose
terapêutica, a estabelecerem enormes alterações nos veículos de
exteriorização do Espírito, as quais, acrescidas às conseqüências dos
fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, motivam o entorpecimento
das recordações do passado, para que se alivie a mente na
direção de novas conquistas.
E, como todo esse tempo é ocupado em prover-se
a criança de novos conceitos e pensamentos acerca de si própria, é
compreensível que toda criatura sobrenade na adolescência, como alguém que
fosse longamente hipnotizado para fins edificantes, acordando, gradativamente,
na situação transformada em que a vida lhe propõe a continuidade do
serviço devido à regeneração ou à evolução clara e simples.
E isso, na essência, é o que verdadeiramente acontece, porque, pouco a
pouco, o Espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, na estrutura
psicológica do destino, reavendo o patrimônio das realizações e das
dívidas que acumulou, a se lhe regravarem no ser, em forma de tendências
inatas, e reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e as dificuldades, com as
quais se ache afinizado ou comprometido.
Transfigurou-se, então, a ribalta, mas a peça continua.
A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro do
trabalho e da luta, a consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se, ante a bênção de
Deus, para a luz da imortalidade.
[87 - página 111]
Como acontece quase
sempre, os heróis na promessa fraquejam na realização, porque se apegam muito
mais aos próprios desejos que à compreensão
da Vontade Divina.
De posse dos bens da vida física, nega-se a perdoar,
recapitulando erradamente as lições do passado.
Antes mesmo da reencarnação,
já se manifesta contrário a qualquer auxilio.
Sempre o velho círculo vicioso
— quando fora da oportunidade bendita de trabalho terrestre e vendo a extensão
das próprias necessidades, desvela-se o companheiro em prometer fidelidade e
realização, mas, logo que se apossa do tesouro do corpo físico, volta ao endurecimento espiritual e ao menosprezo das leis
de Deus.
[16a - página 145] André Luiz
Há dívidas que, por sua natureza e extensão, exigem de nós várias existências ou romagens na carneterrestre para o
respectivo
resgate.
Do ponto de vista da memória - lembranças da vidas passadas - a questão é de tempo.
- À
medida que nos demoramos na organização perispirítica, no plano espiritual, no fiel cumprimento de nossas obrigações para com
a Lei, mais se nos dilata o poder mnemônico.
- Avançando
em lucidez, abarcamos mais amplos domínios da memória. Assim é
que, depois de largos anos em serviço nas zonas espirituais da Terra,
entramos espontaneamente na faixa de recordações menos felizes,
identificando novas extensões de nosso " carma"
ou de nossa conta e, embora sejamos reconhecidos à benevolência dos Instrutores e Amigos que nos perdoam o passado menos digno, jamais
condescendemos com as nossas próprias fraquezas e, por isso, vemo-nos
impelidos a solicitar das autoridades superiores novas reencarnaçõesdifíceise proveitosas, que nos reeduquem ou nos aproximem
da redenção necessária.
[ 83 - página 97 ] Informações do Espírito André Luiz,
conforme instruções do Espírito Sânzio.
A existência no carro físico,
além de ser um estágio para ...
- aprendizagem ou cura,
- resgate ou tarefa específica,
- é igualmente um longo mergulho
no condicionamento magnético, em que agimos, no mundo, induzidos ao que
nos cabe fazer.
O livre arbítrio, na esfera da consciência, permanece vivo e intocado,
porqüanto, em quaisquer posições, a criatura encarnada é independente para
escolher os próprios rumos; no entanto, as demais potências da alma, no período
da encarnação, jazem orientadas na direção desse ou daquele trabalho,
segundo os propósitos que tenha assumido ou que tenha sido constrangida a
assumir.
Isso determina o obscurecimento das memórias
pregressas que, aliás, não
é senão um fenômeno temporário, mais ou menos curto ou longo, conforme o
grau de evolução que tenhamos atingido.
[73 - página 84 ] André Luiz
Não
lembramos das vidas passadas e nisso está a sabedoria de Deus.
Se lembrássemos
do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos
prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de
viver entre eles atualmente.
Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são
nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos, que presentemente se
encontram junto de nós para a reconciliação. Por isso, existe a reencarnação.
Certamente,
hoje estamos corrigindo erros praticados contra alguém, sofrendo as conseqüências
de crimes perpetrados, ou mesmo sendo amparados, auxiliados por aqueles que, no
pretérito, nos prejudicaram.
Daí a importância da família, onde se costumam
reatar os laços cortados em existências anteriores.
A reencarnação, dessa
forma, é a oportunidade de reparação, como é também, oportunidade de
devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual.
Quando reencarnamos, trazemos um "plano de vida",
compromissos assumidos perante a Espiritualidade e perante nós mesmos, e que
dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível.
Dependendo de nossas condições espirituais, podemos ou não ter escolhido as provas, os sofrimentos, as dificuldades que provarão nosso desenvolvimento
espiritual.
A
reencarnação, portanto, como mecanismo perfeito da Justiça Divina,
explica-nos porque existe tanta desigualdade de destino das criaturas da Terra.
A
finalidade da vida na Terra é, portanto:
- Para expiarmos o mal praticado, pagando com sofrimento nossos erros;
- Para
provarmos ou medirmos nosso grau de evolução, ante as dificuldades da
vida;
- Para
ajudarmos a humanidade e exemplificarmos o bem diante dos outros;
- Para
desempenharmos missão especial, no caso de espíritos elevados que prestam
grandes serviços à humanidade.
Pelo mecanismo de reencarnação, verificamos que Deus não castiga. Somos nós os
causadores, dos próprios sofrimentos, pela lei de "ação e reação".
Centro
Espírita Porto da Paz
Porto Seguro - Bahia http://www.portonet.com.br/cepp/Reencarnacao.htm
(Link desativado)
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