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É plenamente conhecido que a ideia de reencarnação
faz parte da cultura dos povos orientais, particularmente aos que adotam religiões
e filosofias profundas como o Budismo
e a Hinduismo,
geralmente vistas como 'exóticas'. Menos reconhecido, porém é o fato de
que esta ideia também está presente na herança intelectual do
ocidente.
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Os
gregos, por exemplo, a reconheciam como uma hipótese válida,
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e
os órficos (Ver:Orfeu_e_o_Orfismo), que
representavam a casta do sistema religioso mais avançado dos gregos (Reale
& Antiseri, volume 1, 1993; Reale, volume I, 1994), expunham
sua concepção palingenésica
numa roupagem filosoficamente avançada, que influenciou sobremaneira Sócrates
e Platão, dentre outros.
-
Platão,
especialmente, nos legou fortemente sua crença na reencarnação,
como podemos ver, entre outros diálogos escritos por ele, no Fédon.
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Antes
dele, Pitágoras também a adotou como condição sine qua non para a evolução
plena da alma.
-
Posteriormente,
Plotino
e Orígenes,
o Cristão, também a
divulgariam.
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São
Clemente de Alexandria (posteriormente cassado pela Igreja Católica)
também a considerava uma doutrina de profundo sentido.
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Na
Europa gaulesa e britânica, os druidas
acreditavam na reencarnação
em termos semelhantes aos gregos e budistas, e os hebreus, na fase helênica,
não a desconheciam, sobretudo pelo intercâmbio com o mundo
greco-romano, donde a ideia de ressurreição ter algo confuso da ideia
da reencarnação
(por isso as passagens em que se diz que Jesus ou João Batista
seriam a ressurreição de algum profeta antigo, como se pode ver em
algumas passagens dos evangelhos, como
em:
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Mateus, 17, 11-13;
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Marcos,
9, 11-13;
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João, 3, 3-7
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e Lucas 1, 17).
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Enfim, enquanto culturalmente em outras partes do mundo a ideia na reencarnação
era discutida e endossada, pelo menos como uma proposta filosófica
coerente, ela teve lugar no pensamento ocidental e como parte da doutrina
cristã até o segundo Concílio de Constantinopla de 533 DC, quando, por
motivos políticos, foi formalmente repudiada pelo clero (Fadiman &
Frager, 1986, p. 176).
(Ver: Supressão
da reencarnação)
Mesmo assim, esta ideia persistiu entre as pessoas que tinham acesso aos
filósofos clássicos e ao contato com as crenças antigas. Os Cátaros,
no século XII, especialmente, tinham uma visão cristã original, onde a
ideia da reencarnação
era vista como verdade inquestionável. E foi este, entre outras coisas
(ameaçando o poder ideológico e econômico da igreja de Roma,
principalmente, devido à crescente popularidade que possuía, contestando
a hegemonia imperialista típica da Igreja Romana) que levou à única
cruzada em solo europeu da história, objetivando a eliminação do
pensamento cátaro com uma truculência assassina que parecia prever os
posteriores misteres macabros da Inquisição, por parte das forças católicas,
num requinte de perversidade aterrador. O movimento cátarista foi um dos
muitos precursores da inevitável reforma_protestante de Lutero e
outros. Posteriormente aos cátaros, outros movimentos sentiram a mão de
ferro da inquisição, que teve um de seus mais famosos luminares em
Giordano
Bruno, queimado em 1600, e que
defendia ideias bastante fortes contra o sistema de crenças dogmáticas
da Igreja de Roma, o que incluía a reencarnação.
No século passado, o contato com as doutrinas orientais, particularmente
a Budista, trouxe à tona novamente o estudo da palingênese, e com
desenvolvimento do Espiritismo
e de outras correntes de pensamento, estimulou-se um ressurgir do
interesse sobre a reencarnação.
As similaridades entre o que diz o espiritismo moderno e a concepção
budista da reencarnação,
que também é evolucionista, não podem ser negligenciadas, ainda que
alguns pseudo-intelectuais queiram passar a ideia de que expressem coisas
opostas.
Hoje em dia, como vimos,
a tese da reencarnação passou da esfera religiosa e filosófica para a área da pesquisa_científica. Devemos ficar, pois, atentos ao progresso desta pesquisa, com
as conseqüências sem dúvida de grande gravidade que elas poderão
trazer à nossa visão de mundo e, conseqüentemente, à forma de como nos
comportamos em relação a nós mesmo e a nossos semelhantes. E, como nos
falam os Doutores James Fadiman e Robert Frager, "se há a
possibilidade de aceitar o fenômeno, então a possível origem da
personalidade e das características físicas pode incluir eventos ou
experiências de encarnações anteriores. Tudo o que se pode
afirmativamente dizer é que existe uma evidência factual que não pode
ser facilmente descartada" (Fadiman & Frager, 1986, p. 176)
Carlos
Antonio Fragoso Guimarães
João
Pessoa, Paraíba, 05 de maio de 2003.
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-
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-
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Prager, 1997
-
Weil,
Pierre,- Fronteiras da Evolução e da Morte. Ed. Vozes, Petrópolis,
1979.
-
Weil,
Pierre.- A Morte da Morte, Ed. Gente, 1995.
http://www.geocities.com/Vienna/2809/reencar.html


Reencarnação desde 3.000 a.C.
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