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As influências afetivas, sociais e ambientais no desenvolvimento psíquico
já são estudadas há muito tempo, mas só na última década as bases
biológicas do comportamento e da personalidade começaram a ganhar
consistência...
Geneticistas e biólogos moleculares estão chegando cada vez mais perto
de certos segredos da mente inscritos no genoma...
Nas décadas de 70 e 80 alguns cientistas acreditavam que apenas a genética
era suficiente para determinar a personalidade; hoje, pesquisas
revelam que o afeto, o medo e outras
experiências modulam a expressão de genes
e alteram o comportamento...
Ambientes ricos em estímulos favorecem a transcrição de muitos genes,
inclusive dos que codificam fatores de crescimento neural...
Já foi comprovado, por meio de estudos longitudinais, que crianças
cujos pais não puderam se ocupar suficientemente delas na primeira
infância têm maior tendência a desenvolver depressão posteriormente... O afeto
materno nos primeiros
anos de vida é capaz de ativar genes que mínimizam os
efeitos nocivos do stress por toda a vida.
Dependemos de experiências afetivas nos primeiros anos de vida para que
nosso programa genético se desenvolva completamente.
A importância das relações sociais vai muito além da
subjetividade — o afeto
deixa suas marcas também genéticas. Fica claro, portanto, o caráter
ideológico da teoria sociobiológica, que considera o gene um ator
egoísta na cena evolutiva. Muito pelo contrário, eles nunca agem de
forma autônoma. A melhor metáfora seria o genoma
como um teclado de piano que o organismo “toca” à medida que reage a sinais
externos, Os genes se mostram excepcionalmente flexíveis
e cooperativos, até porque não podem ser transcritos sem a ajuda de
outras moléculas.
Revista
MENTE / CÉREBRO - SCIENTIFIC AMERICAN - ANO XV - Nº 181 - páginas 36,
39, 42, 47/49. www.mentecerebro.com.br |