Reencarnação

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Através da Reencarnação - Chico Xavier

https://www.youtube.com/watch?v=rylnLqiuYIo


Ver:
Desencarnação natural

      A reencarnação não é de origem ocidental, foi emprestada das religiões orientais, principalmente hinduísta

        É o mesmo que: 

  • palingenesia”, 

  • pluralidade de existências

  • vidas sucessivas

  • transmigração da alma.

http://www.cacp.org.br/reencarnacao-concilio.htm 

        A volta à vestimenta física é uma bênção que poderemos conseguir à custa de generosas intercessões, quando nos faleçam méritos para obtê-la, no instante oportuno, por nós mesmos, tanto quanto é possível conseguir trabalho digno na Esfera_da_Crosta, movimentando amigos que nos conduzam aos objetivos disputados; no entanto, qual ocorre a muitos encarnados que se localizam em respeitáveis quadros de serviço, tão só para usarem direitos que nada fizeram pelos merecer, com flagrante abuso das leis que nos regem as ações, muitas almas procuram o santuário_da_carne, formulando precipitadas promessas, e nele penetram agravando os próprios débitos. Tímidas, levianas ou inconseqüentes, aproveitam o estágio bendito na Região da Neblina (“Região de Neblina” é também sinônimo de Esfera Carnal. — Nota do autor espiritual), para repetirem as mesmas faltas de outra época, com absoluta perda do tempo, que é patrimônio do Senhor.

[96 - página 230] - André Luiz

        Viver no corpo_terrestre, entendendo os deveres divinos que nos cabem, não é tão fácil, ante a glória infinita que em companhia dele podemos recolher. Todos possuimos culposo pretérito a redimir. É imperioso reconhecer, todavia, que, se a experiência humana pode ser doloroso curso de renunciação pessoal, é também abençoada escola em que o Espírito de boa vontade pode alcançar culminâncias. Para isto, no entanto, é indispensável se abra o coração ao clima interior da bondade e do entendimento. Somos diamantes brutos, revestidos pelo duro cascalho de nossas milenárias imperfeições, localizados pela magnanimidade do Senhor na ourivesaria da Terra. A dor, o obstáculo e o conflito são bem-aventuradas ferramentas de melhoria, funcionando em nosso favor.

[96 - página 240] - André Luiz

        A Alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, pode acabar de depurar-se sofrendo a prova de uma nova existência. Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal. Todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles. 

[9a -  página 120 questão 166]

        O espírito, renascendo no arcabouço_das_células_físicas, é mergulhado na carne, qual a imagem na câmara escura, em fotografia, recolhendo, por seus atos, nessa posição negativa, todos os característicos que lhe expressarão a figura exata, no banho de reações químicas efetuadas pela morte, de que extrai a soma de experiências para a sua apresentação positiva na realidade maior.

        É para semelhante verdade que André Luiz nos convida a atenção, a fim de que por nossa conduta reta de hoje possamos encontrar a felicidade pura e sublime, ao sol de amanhã.

 

Emmanuel (21 de Julho de 1958) [56 - página 16
 
        Indiscutivelmente, na reencarnação há um programa_de_serviço_a_realizar, quanto mais vastos os recursos espirituais de quem retorna à carne, mais complexo é o mapa de trabalho a ser obedecido. Quase todos temos do pretérito expressivo montante de débito a resgatar e todos somos desafiados pelas aquisições a fazer. Nisso está o programa, significando em si uma espécie de fatalidade relativa no ciclo de experiências que nos cabe atender; entretanto, a conduta é sempre nossa e, dentro dela, podemos gerar circunstâncias em nosso benefício ou em nosso desfavor. Reconhecemos, assim, que o livre_arbítrio, também relativo, é uma realidade inconteste em todas as esferas de evolução da consciência. Não podemos olvidar, contudo, que, em todos os planos, marchamos em verdadeira interdependência. Nas linhas da experiência física, até certo ponto, ...

  • os filhos precisam dos pais,
  • os doentes necessitam dos médicos
  • e os moços não prescindem do aviso dos mais velhos.

        Aqui, a habilitação depende dos educadores, o amparo eficiente exige quem saiba distribuí-lo, e a transferência de domicílio para trabalho enobrecedor, quando se trata de Espíritos sem méritos absolutos, reclama o endosso de autoridades competentes.

[4 - página 16] - André Luiz

        Há reencarnações que funcionam como drásticos. Ainda que o doente não se sinta corajoso, existem amigos que o ajudam a sorver o remédio santo, embora muito amargo.

  • Relativamente à liberdade irrestrita, a alma pode invocar esse direito somente quando compreenda o dever e o pratique.
  • Quanto ao mais, é indispensável reconhecer que o devedor é escravo do compromisso assumido.

        Deus criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. É preciso quebrar, portanto, as algemas que fundimos para nós mesmos.

[32 - página 256] - André Luiz

Ir à matéria física e dela regressar ao campo_de_trabalho_em_que_nos_achamos_presentemente, é submetermo-nos a profundos choques biológicos, destinados à expansão dos elementos divinos que nos integrarão, um dia, a forma gloriosa.

[96 - páginas 87] - André Luiz

As nossas diversas existências corporais se verificam em diferentes mundos.

 

[9a -  página 122 questão 172]

Muitos processos de mente enfermiça só abençoadas estações regenerativas na carne conseguem curar.

 

[4 - páginas 79] - André Luiz

        Há milhões de almas humanas que se não afastaram, ainda, da Crosta_Terrestre, há mais de dez mil anos. Morrem no corpo_denso e renascem nele, qual acontece às árvores que brotam sempre, profundamente arraigadas no solo. Recapitulam, individual e coletivamente, lições multimilenárias, sem atinarem com os dons celestiais de que são herdeiras, afastadas deliberadamente do santuário de si mesmas, no terreno movediço da egolatria inconsequente, agitando-se, de quando em quando, em guerras arrasadoras que atingem os dois planos, no impulso mal dirigido de libertação, através de crises inomináveis de fúria e sofrimento. Destroem, então, o que construíram laboriosamente e modificam processos de vida exterior, transferindo-se de civilização.

 

[96 - página 35] - André Luiz

        Não te guardes em tamanha incompreensão da lei_do_trabalho; a reencarnação nem sempre é simples processo regenerativo, embora, na maioria das vezes, constitua recurso corretivo de Espíritos renitentes na desordem e no crime. A Crosta da Terra é comparável a imenso mar onde a alma operosa encontra valores eternos aceitando os imperativos de serviço que a Bondade Divina nos oferece. Além disso, todos temos doces_laços_do_coração, que se demoram, por muitos séculos, retidos ao fundo do abismo. É indispensável buscar as pérolas perdidas para que o paraíso não permaneça vazio de beleza ao nosso olhar. Depois de Deus, o amor é a força gloriosa que alimenta a vida e move os mundos.

        ... A entidade mais enobrecida, em retomando o veículo de carne, é compelida a sofrer-lhe os regulamentos. As leis fisiológicas, que dominam na Crosta, não fazem exceção. Impõem-se sobre os justos com o mesmo rigor dentro do qual funcionam para os pecadores. O anjo que desça ao fundo da mina de carvão continuará naturalmente a ser um anjo na vida íntima; entretanto, não escapará ao clima deprimente do sub-solo.

 

[96 - páginas 244 / 245] - André Luiz

        Na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao Infinito e à Eternidade. Nesse mister, é indispensável contar com o assédio de todos os elementos contrários...

        São circunstâncias lógicas e fatais do serviço, porque não vamos ao mundo psíquico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria, a despeito de todo impedimento fortuito.

[103 - página 55] - André Luiz

        A cada nova existência corporal...

  • a Alma passa de um mundo para outro, 

  • ou pode ter muitas no mesmo globo. 

        A Alma pode viver muitas vezes no mesmo globo, se não se adiantou bastante para passar a um mundo superior. Podemos reaparecer muitas vezes na Terra. Podemos, inclusive, voltar a este, depois de termos vivido em outros mundos.

 

[9a -  página 123 questão 173]


Se não progredistes, podereis ir para outro mundo que não valha mais do que a Terra e que talvez até seja pior do que ela. 

 

[9a -  página 123 questão 174]

Podemos pensar se seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito, sem reencarnar. Porém, estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.

 

[9a -  página 123 questão 175]

Os Espíritos podem encarnar em um mundo relativamente inferior a outro onde já viveram, quando em missão, com o objetivo de auxiliarem o progresso, caso em que aceitam alegres as tribulações de tal existência, por lhes proporcionar meio de se adiantarem. 

 

[9a -  página 124 questão 178]

É variável o número das encarnações para todos os Espíritos. Aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.  

 

[9a -  página 121 questão 169]

        Algumas vezes a Alma reencarna imediatamente, porém, de ordinário só o faz depois de intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores, a reencarnação é quase sempre imediata. Sendo aí menos grosseira a matéria corporal, o Espírito, quando encarnado nesses mundos, goza quase que de todas as suas faculdades de Espírito, sendo o seu estado normal o dos sonâmbulos lúcidos entre vós.   

 

[9a -  página 154 questão 223]

        Para nós, porém, senhores de vigorosa inteligência, que já respiramos em centenas de formas diversas e que já atravessamos vários climas evolutivos, ofendendo e sendo ofendidos, amando e odiando, acertando e errando, resgatando débitos e contraindo-os, a vida não pode resumir-se a mero sonho, como se a reencarnação constituísse simples processo_de_anestesia_da_alma.
        É indispensável, pois, que nos refaçamos, aprimorando o tom vibratório de nossa consciência, alargando-a para o bem supremo e iluminando-a à claridade renovadora do Divino Mestre. (Ver: Iluminação do íntimo)
        A mente_humana, honrando os patrimônios celestiais que lhe foram conferidos, não poderá vegetar, à feição do arbusto enfezado que nada produz de útil na economia do orbe, nem deve imitar o irracional que se localiza na retaguarda da inteligência incompleta.
        Uma existência entre os homens, por mais humilde, para nós outros é acontecimento importante demais para que o apreciemos sem maior consideração. Todavia, sem abraçar a noção de responsabilidade individual, que nos deve marcar o esforço de santificação, qualquer empresa dessa ordem é arriscada, porque em nosso aprendizado intensivo, na recapitulação, cada Espírito segue sozinho no círculo dos próprios pensamentos, sem que os companheiros de jornada, com raríssimas exceções, lhe conheçam as esperanças mais nobres e lhe partilhem as aspirações dignificadoras. Cada criatura encarnada permanece só, no reino de si mesma, e faz-se indispensável muita e suficiente coragem para marcharmos vitoriosamente, sob o invisível madeiro redentor que nos aperfeiçoa a vida, até ao Calvário da suprema ressurreição.

[96 - página 232] - Benfeitora espiritual Matilde - (ditado por André Luiz)

reencarnação, em situações específicas, tem como finalidade, também, a de servir de refúgio ao espírito obsidiado no plano espiritual, além de proporcionar oportunidade de melhoramento, conforme exemplos a seguir:   

[0]

     Passagem ocorrida com Marcelo, um espírito encarnado, em estado de emancipação, segundo André Luiz:

       ... "A simples reaproximação dos inimigos de outra época altera-lhe as condições mentais.  Receoso, aflito, teme o regresso à situação dolorosa em que se viu, há muitos anos, nas_esferas_inferiores, e busca, apressado, o corpo_físico, à maneira de alguém que se socorre do único refúgio de que dispõe, em face da tempestade iminente. Os espíritos erradios bateram em retirada, e tornamos ao interior doméstico, onde encontramos o jovem tomado de contorções.

        Abracei-o, como se o fizesse a um filho querido.

        O ataque amainou, sem contudo, cessar de todo. Ergui os olhos para o orientador, em muda interrogação. Porque tal distúrbio?  A câmara de Marcelo permanecia isolada, quanto ao contacto direto com as entidades inferiores.  Permanecíamos os três em palestra edificante. Porque motivo a perturbação, se nos mantínhamos em salutar atmosfera de santificantes pensamentos? ...

[25 - página 115] - André Luiz

 (Ver: Convulsões epiléticas)

        ... Indiscutivelmente, a jovem e o infeliz (obsessor) que a persegue estão unidos um ao outro, desde muito tempo... Terão estado juntos nas regiões inferiores da vida espiritual, antes da reencarnação com que a jovem presentemente vem sendobeneficiada. Reencontrando-a na experiência física, de cujas vantagens ainda não partilha, o desventurado_companheiro tenta incliná-la, de novo, à desordem emotiva, com o objetivo de explorá-la em atuação_vampirizante.

[28a - página 143]  - André Luiz - 1954

... a reencarnação constitui sempre uma bênção que se concretiza com a ajuda superior, ... Deus é o Pai amoroso e sábio que sempre nos converte as próprias faltas em remédios_amargos, que nos curem e fortaleçam.

 

[25 - página 141] - André Luiz

 Simbolizemos o estágio da alma, na Terra, através da reencarnação, como sendo valiosa linha de frente, na batalha pelo aperfeiçoamento_individual_e_coletivo, batalha em que o coração deve armar-se de ideias santificantes para conquistar a sublimação de si mesmo, a mais alta vitória.

 

[28a - página 234]  - André Luiz

Não podemos esquecer que a reencarnação é o curso repetido de lições necessárias. A esfera da Crosta é uma escola divina. E o amor, por intermédio das atividades “intercessórias”, reconduz diariamente ao banco escolar da carne milhões de aprendizes.

 

[16a - página 199]  - André Luiz

         Cada encarnação é como se fora um atalho nas estradas da ascensão. Por esse motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras_temporárias, porquanto ela significa uma bênção divina, quase um perdão de Deus.

        A golpes de vontade persistente e firme, o Espírito alcança elevados pontos na sua escalada, nos quais não mais estacionará no caminho escabroso, mas sentirá cada vez mais a necessidade de evolução e de experiência, que o ajudarão a realizar em si as perfeições divinas.

[71 - página 42]  - Emmanuel  

É sempre penoso voltar à carne, depois de havermos conhecido as regiões de luz divina; entretanto, é tão sagrado o amor cristão que, mesmo em tal circunstância, sublime é a felicidade daqueles que o praticam.

 

[16a - Página 206]  - André Luiz

À medida que se nos desenvolve a noção de responsabilidade, compreendemos a reencarnação como período de escola. Cada existência está supervisionada por deliberações superiores, muitas vezes insondáveis para nós.

[73 - página 142] - André Luiz

        ... O amor_verdadeiro eleva-se de nível... Hoje entendo que as afeições transviadas podem ser corrigidas no santo instituto da família, através da reencarnação... Deus nos permite abraçar, como filhos, aquelas mesmas criaturas que não soubemos amar em outras posições sentimentais!... Os nossos pensamentos de ternura, uns para os outros, um dia serão livres e puros, quais as fontes cristalinas que se irmanam no chão empedrado do Planeta ou como as irradiações dos astros, que se enlaçam sem perder grandeza e originalidade, nas imensas vias do Céu...

[73 - página 209] - André Luiz
   

        Quando a lei das reencarnações for finalmente compreendida e aceita pela Ciência, a Psicologia e a Psicanálise alcançarão níveis excepcionais de progresso.

  • A Psiquiatria atuará com muito maior segurança e eficácia quando puder entender os ascendentes e os mecanismos da fenomenologia medianímica.
  • A Parapsicologia encontrará caminhos ilimitados de desenvolvimento quando incorporar aos seus princípios a certeza da imortalidade e as técnicas de interço­munícação dos Espíritos.

[45 - página 121]

        Notemos, primeiramente, pelo que respeita às religiões, que....

  • seiscentos milhões de asiáticos, bramanistas e budistas, partilham da nossa crença.
  • Dela partilharam também os egípcios, os gregos e os celtas, nossos antepassados. Por conseguinte, ela faz parte da nossa verdadeira herança nacional.
  • Vimos que o Cristianismo primitivo dela esteve impregnado até ao século quarto.
  • Presentemente a encontramos mesmo no Islamismo, sob a forma de certas suratas do Alcorão. Segue-se que a reencarnação é ou foi admitida em todas as religiões.
  • Só o Catolicismo e os outros ramos do moderno Cristianismo escapam à regra universal, desde que fizeram silêncio e mergulharam em trevas certas passagens da Escritura que afirmavam as vidas anteriores.

        A Filosofia colheu dela as mais belas inspirações.

  • Pitágoras, que a ensinou, foi considerado um gênio por toda a AntigUidade.
  • Platão recebeu o cognome de «divino», mesmo dos Pais da Igreja do Oriente.
  • A Escola de Alexandria, com a sua plêiade de escritores Filon, Plotino, etc. — lhe deveu suas obras mais brilhantes.
  • Kant, Spinoza a entreviram e, mais recentemente, a lista dos homens ilustres que a adotaram desde Victor Hugo até Mazzini, ocuparia uma página inteira.
  • Ainda neste momento ela reaparece nas teorias de Bergson, que parecem destinadas a revolucionar todo o pensamento contemporâneo.

        Quanto à moral, essa só tem que beneficiar da doutrina das vidas sucessivas.
        A convicção de ser ele próprio o artífice de seus destinos, de que tudo o que fizer, de mau ou de bom, recairá sobre a sua cabeça como sombras ou raios de luz, servirá ao homem de estímulo para a sua marcha ascendente e o obrigará a vigiar escrupulosamente seus atos. Cada uma das nossas existências, boas ou más, sendo a conseqüência rigorosa das que a precederam e a preparação das que hão de seguir-se, nos males da vida veremos o corretivo necessário das nossas faltas passadas e hesitaremos em recair nelas. Esse corretivo será muito mais eficaz do que o temor dos suplícios_do_inferno, nos quais ninguém mais crê, nem mesmo os que deles falam com uma segurança mais fingida do que real.

  • O princípio das reencarnações tudo aclara.
  • Todos os problemas se resolvem.
  • A ordem e a justiça surgem no Universo.
  • A vida toma um caráter mais nobre, mais elevado.
  • Torna-se a conquista gradual, pelos nossos esforços amparados do Alto, de um futuro sempre melhor.
  • O homem sente engrandecer-se a sua fé, a sua confiança em Deus e, desta concepção larga, a vida social recebe profundas repercussões.

        Ao inverso, não é uma ideia pobre e lamentável a que consiste em acreditar que Deus nos concede uma única vida para nos melhorarmos e progredirmos?
       

        Pois quê! Uma existência que não dura mais do que alguns anos, alguns meses e, para muitos, algumas horas apenas, que é de oitenta ou cem anos para outros, tão desarmônica conforme as condições e os meios em que nos achamos colocados, conforme as faculdades e recursos que nos são outorgados, pode constituir o eixo único sobre o qual repouse todo o conjunto dos nossos destinos imortais?

[109 - páginas 107 / 108] - Léon Denis

Nota 5: Sobre a Reencarnação

  • Em suas obras faz o historiador judaico Josefo profissão de sua fé na reencarnação; refere ele que era essa a crença dos fariseus.
  • O Padre Didon o confirma nestes termos, em sua Vida de Jesus:
    • “Entre o povo judeu e mesmo nas escolas acreditava-se na volta da alma dos mortos na pessoa dos vivos”.

          É o que explica, em muitos casos, as perguntas feitas a Jesus por seus discípulos.
          A propósito do cego de nascença, o Cristo respondeu a uma dessas interrogações:

    •  “Não é que ele tenha pecado, nem seus pais, mas é para que nele se manifestem as obras de Deus.”

          Os discípulos acreditavam que se podia ter pecado antes de nascer, isto é, numa existência anterior. Jesus compartilha da crença deles, pois que, vindo para ensinar a verdade, não teria deixado de retificar essa opinião, se errônea fosse. Ao contrário, a ela responde, explicando o caso que os preocupa.
          O sábio beneditino Dom Calmet se exprime do seguinte modo em seu Comentário sobre essa passagem das Escrituras:

    • “Muitos doutores judeus acreditam que as almas de Adão, de Abraão, Fineias, animaram sucessivamente vários homens da sua nação. Não é, pois, de modo algum para estranhar que os apóstolos tenham raciocinado como parece raciocinarem aqui sobre a enfermidade desse cego, e que tenham acreditado que fora ele próprio quem, por algum pecado oculto, cometido antes de nascer, tivesse atraído sobre si mesmo semelhante desgraça.”

          A respeito da conversação de Jesus com Nicodemos, um pastor da igreja holandesa nos escreve nestes termos:

    • “É claro que a reencarnação é o verdadeiro nascimento em uma vida melhor. É um ato voluntário do Espírito, e não o exclusivo resultado do contacto carnal dos pais; decorre da dupla resolução da alma de tomar um corpo material e tornar-se um homem melhor.”
    • “Repare-se como S. João (I, 13) nega abertamente a intervenção dos pais no nascimento da alma, quando diz: Que não são nascidos do sangue, nem da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”
    • “Todos esses pontos obscuros se iluminam de uma viva claridade, quando os consideramos no ponto de vista espírita.”

          Na conversação de Jesus e Nicodemos, este, ouvindo o Cristo falar de renascimento, não compreende como possa ele ter lugar. Diante dessa estreiteza de espírito, Jesus fica perplexo.
          Não lhe é possível dar ao seu pensamento a extensão e o arrojo próprios. Para ele a reencarnação representa o primeiro elo de uma série de mais transcendentes verdades. Era já conhecida dos homens desse tempo. E eis que um doutor em Israel nada percebe a tal respeito! Daí a apóstrofe de Jesus:

    • Como! Se não compreendeis as coisas terrestres, poderei eu explicar-vos as coisas celestes, as que se referem particularmente à minha missão?

          De todos os padres da Igreja, foi Orígenes quem afirmou, do modo mais positivo, em numerosas passagens dos seus Princípios (livro 1-), a reencarnação ou renascimento das almas. É esta a sua tese:

    • “A justiça do Criador deve patentear-se em todas as coisas.”

          Eis em que termos o abade Bérault-Bercastel resume a sua opinião:

    • “Segundo este doutor da Igreja, a desigualdade das criaturas humanas não representa senão o efeito do seu próprio merecimento, porque todas as almas foram criadas simples, livres, ingênuas e inocentes por sua própria ignorância, e todas, também por isso, absolutamente iguais. O maior número incorreu em pecado e, na conformidade de suas faltas, foram elas encerradas em corpos mais ou menos grosseiros, expressamente criados para lhes servir de prisão. Daí os procedimentos diversos da família_humana. Por mais grave, porém, que seja a queda, jamais acarreta para o Espírito culpado a retrocessão à condição de bruto; apenas o obriga a recomeçar novas existências, quer neste, quer em outros mundos, até que, exausto de sofrer, se submeta à lei_do_progresso e se modifique para melhor. Todos os Espíritos estão sujeitos a passar do_bem_ao_mal e do mal ao bem. Os sofrimentos impostos pelo bom Deus são apenas medicinais e os próprios demônios cessarão um dia de ser os inimigos do bem e o objeto dos rigores do Eterno.” (História da Igreja, pelo abade Bérault-Bercastel.)

         Lemos na Apologética de Tertuliano:

    • “Declare um cristão acreditar possível que um homem renasça noutro homem, e o povo reclamará em grandes brados que seja lapidado. Entretanto, se foi possível crer-se na metempsicose grosseira, a qual afirmava que as almas humanas voltam em diversos corpos de animais, não será mais digno admitir-se que um homem possa ter sido anteriormente um homem, conservando sua alma as qualidades e faculdades precedentes?”

          S. Jerônimo, por sua vez, afirma que a transmigração das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados. Em suas Confissões, 144 diz Santo Agostinho:

    • “Não teria minha infância atual sucedido a uma outra idade antes dela extinta?... Antes mesmo desse tempo, teria eu estado em algum lugar? Seria alguém?”

          Firmando este princípio moral: “Conforme a justiça divina, aqui neste mundo não pode existir um desgraçado que não haja merecido o seu infortúnio”, esse padre da Igreja faz pressentir a razão dos sofrimentos das crianças, a causa geral das provações que padece a Humanidade, assim como a das deformidades nativas. A preexistência das almas à dos corpos em uma ou várias existências anteriores à vida terrestre explica essas aparentes anomalias, de tal sorte, repitamos, que os sofrimentos, segundo Orígenes – que adotara a tal respeito à opinião de Platão – seriam curativos da alma, correspondendo à necessidade simultânea da justiça e do amor, não nos sendo imposto o sofrimento senão para nos melhorarmos.

[6 - páginas 273 / 276] - Léon Denis

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144 - T 1, pág. 28.

        A lei das existências sucessivas é-nos ensinada pelos Espíritos instruídos. O testemunho de milhares de almas que se comunicam vem trazer a esta crença a autoridade da experiência diária, porque todos dizem-nos que vêem os erros de suas vidas passadas, que sofrem por isso e que procuram voltar à Terra para reparar as faltas anteriormente cometidas.
        Eis o que a respeito diz Allan Kardec:

  • "O dogma_da_reencarnação, afirmam certas pessoas, não é novo: ressuscitou de Pitágoras. Nunca dissemos que a doutrina_espírita fosse invenção moderna; o Espiritismo, sendo uma lei da Natureza, existe desde a origem dos tempos, e sempre nos esforçamos em provar que seus indícios aparecem desde a mais remota antigüidade. Pitágoras, como se sabe, não é o autor do sistema da metempsicose: colheu-o entre os filósofos da índia e do Egito, onde ele existia desde tempos imemoriais. A déia da transmigração das almas era, pois, uma crença vulgar, admitida pelos homens mais eminentes. Como lhes veio essa idéia? Pela revelação ou por intuição? Não o sabemos; mas, como quer que tenha sido, uma idéia não transpõe as idades e não é aceita por inteligências escolhidas, se não tiver um lado sério".

        A_antigüidade_desta_doutrina, em vez de constituir-lhe motivo de repulsa, deve ser considerada uma prova a seu favor.

  • Contudo, vê-se que há, na metempsicose dos antigos, um ponto que a diferencia muito da doutrina moderna da reencarnação, e que os Espíritos rejeitam do modo mais absoluto: a transmigração do homem para os animais.

        Os Espíritos, ensinando o princípio da pluralidade das existências corporais, fazem reviver uma doutrina que nasceu nas primeiras épocas do mundo e que se conservou até os nossos dias no pensamento íntimo de muitas pessoas; eles, porém, apresentam-na sob um ponto de vista mais racional, mais conforme com as leis progressivas da Natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, despojando-a de todos os acessórios da superstição. Uma circunstância digna de nota é que não é somente em nossos livros que eles a ensinaram nestes últimos tempos: antes de nossa literatura, numerosas comunicações da mesma natureza foram obtidas em diversos países e consideravelmente se multiplicaram depois.
        Examinemos a coisa sob outro ponto de vista, e, abstração feita de toda intervenção dos Espíritos, que ficam de parte por um instante, supondo-se mesmo que nunca se tivesse tratado dos Espíritos, coloquemo-nos momentaneamente num terreno neutro e admitamos no mesmo grau a probabilidade das duas hipóteses, a saber: a pluralidade e a unidade das existências corporais, e vejamos para que lado penderão a nossa razão e o nosso próprio interesse.
        Certas pessoas repelem a idéia da reencarnação pelo único motivo de não lhes convir isso, dizendo que lhes basta uma existência e que não desejam ter outra igual; conhecemos alguns que se enfurecem só com o pensamento de reaparecerem na Terra.
        Ouvimos fazer este raciocínio:

  • Deus, que é soberanamente bom, não pode impor ao homem o recomeço de uma série de misérias e tribulações.

        Acharão, porventura, que haja mais bondade em condenar-se o homem a um sofrimento_perpétuo por alguns momentos de erro, do que em fornecer-lhe os meios de reparar suas faltas? O pensamento de ser para sempre fixada a nossa sorte por alguns anos de provas, quando nem sempre depende de nós atingir a perfeição na Terra, tem alguma coisa de aflitivo, ao passo que a idéia contrária é eminentemente consoladora: ela deixa-nos a esperança. Por isso, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências, sem admitirmos uma hipótese de preferência à outra, dizemos que, se fosse concedida a escolha, ninguém preferiria um julgamento sem apelo.
        Se não há reencarnação, não haverá senão uma existência corporal: isto é evidente; se a nossa existência corporal é a única, a alma de cada homem é criada na ocasião do seu nascimento. Admitindo-se, segundo a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo ou, o que significa o mesmo, que anteriormente à sua encarnação, ela só possui faculdades negativas, apresentamos as questões seguintes:

  • 1 - Por que motivo a alma apresenta aptidões tão diversas e independentes das idéias adquiridas pela educação?
  • 2 - Donde procede a aptidão extranormal de certas crianças para tal arte ou tal ciência, ao passo que muitos adultos ficam inferiores ou medíocres durante toda a sua vida?
  • 3 - Donde vêm, para uns, as idéias intuitivas ou inatas que não existem em outros?
  • 4 - Donde se originam, para certas crianças, esses Instintos precoces de vícios ou de virtudes, esses sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza que contrastam com o meio em que elas nasceram?
  • 5 - Por que certos homens, abstração feita da educação, são mais adiantados que os outros?
  • 6 - Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma criancinha hotentote e a educardes nos nossos liceus de mais nomeada, conseguireis fazer dela um Laplace ou um Newton?

        Perguntamos:

  • qual é a filosofia ou a teosofia que pode resolver esses problemas?
  • As almas ao nascer ou são iguais ou são desiguais: das duas uma.
    • Se são iguais, por que são tão diversas as suas aptidões? Dirão que isso depende do organismo? Porém, então nos encontramos com a doutrina mais monstruosa e mais imoral. O homem fica sendo apenas uma máquina, o joguete da matéria, sem a responsabilidade de seus atos e podendo lançar a culpa de tudo sobre as suas imperfeições físicas.
    • Se são desiguais, é porque Deus o criou assim; mas então, por quê? Essa parcialidade se conformará com a justiça e com o amor igual que ele dedica a todas as suas criaturas?

        Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores progressivas, e tudo se explica.

  • Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que adquiriram;
  • são mais ou menos adiantados, segundo o número de existências que têm percorrido.
  • Deus, em sua justiça, não podia criar almas mais perfeitas nem menos perfeitas;
  • com a pluralidade das existências, a desigualdade que observamos nada tem de contrária à mais rigorosa eqüidade; esta parece não existir, porque só vemos o presente e não o passado.
  • Este raciocínio repousará numa hipótese, numa simples suposição? Certamente que não; partimos de um fato patente, incontestável: da desigualdade das aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral, que é inexplicável por todas as teorias em voga e que tem na nossa teoria uma explicação simples, natural e lógica. Será racional preferir-se aquelas que nada explicam?

        A respeito da sexta questão, dirão, naturalmente, que o hotentote é de uma raça inferior. Mas, perguntamos, o selvagem é ou não um homem? Se é, por que Deus negou a ele e à sua raça os privilégios concedidos à raça_caucásica?

  • Se não é um homem, por que procuram fazê-lo cristão?
  • A Doutrina_Espírita é mais lógica: para ela, não há muitas espécies de homens, e, sim, homens que são Espíritos mais ou menos atrasados e suscetíveis de progredirem; não será isto mais conforme à justiça de Deus?

        A crença nas vidas sucessivas era o fundamento do ensino dos mistérios; os filósofos antigos, tendo à sua frente Platão, acreditavam nas vidas anteriores; ele dizia: Aprender é recordar.
        Portanto, a pluralidade das existências da alma tem a seu favor a autoridade da tradição, da razão e da experiência, e é lógico que ela seja aceita com entusiasmo por todos aqueles que já sentiram o vácuo das outras teorias. Com as vidas sucessivas, o Universo nos aparece povoado de seres que percorrem em todos os sentidos o infinito da imensidade. Quão pequena e mesquinha é a teoria que circunscreve a Humanidade a um imperceptível ponto do espaço, que no-la mostra começando num instante dado para acabar igualmente com o mundo que a sustenta, não abraçando assim senão um minuto na eternidade! Quão triste, fria e glacial é ela, quando nos mostra o resto do Universo antes, durante e depois da existência da Humanidade terrena, sem vida, sem movimento, qual imenso deserto imerso no silêncio!

  • Como é desesperadora a pintura que nos faz do pequeno número de eleitos votados à contemplação perpétua,
  • ao passo que a maioria das criaturas é condenada a sofrimentos infindáveis! Quão aflitiva é, para os corações amorosos, a barreira que ela levanta entre os mortos e os vivos!

        Ao contrário, quão sublime é a teoria espírita! Como a sua doutrina engrandece as ideias e dilata o entendimento! A Terra nos oferece o espetáculo de um mundo essencialmente progressivo. Saído do estado caótico, ele se transforma e se modifica à medida que avança em seu curso secular. Os seres aparecidos então em sua superfície seguiram a mesma lei_de_progressão, e a sua estrutura aperfeiçoou-se harmonicamente à medida que as condições exteriores se tornaram melhores. O homem, enfim, saindo dos baixios da bestialidade, elevou-se até o conhecimento do mundo exterior.

  • Será possível supor-se que não haja laço algum entre as almas que viveram nas épocas passadas e as que vivem atualmente?
  • Sabendo-se que a natureza do homem é ainda tão imperfeita, poder-se-á crer que, depois da morte, ele vá ficar parado e gozar de repouso eterno?
  • E essa parada, esse termo de progresso estará em concordância com as noções que Deus nos permite conceber sobre Ele e sobre suas obras?
  • A Natureza caminha sempre; ela trabalha sempre, porque Deus é a vida e é eterno, e a vida é o movimento progressivo para o supremo bem, isto é, para o próprio Deus.
  • Seria possível que somente o homem, ele que foi criado livre, pudesse ser bruscamente detido em sua marcha, com o grau de progresso que houvesse adquirido, sem participar do movimento da Natureza? Tal coisa seria incompreensível.

        Entre duas doutrinas, das quais uma amesquinha e a outra amplia os atributos de Deus, das quais uma está em desacordo e a outra em harmonia com a lei do progresso, das quais uma estaciona e a outra avança, o bom senso indica de que lado se acha a verdade. Que cada um interrogue a sua razão; ela responderá, e a sua resposta será confirmada por um guia certo que jamais se engana: a consciência.
        Se o nosso modo de ver é exato, alguns entretanto perguntarão por que o Poder Criador não revelou desde o princípio qual a verdadeira natureza do homem e seus destinos. A resposta é a seguinte:

  • Deus não revelou isso desde logo, pela mesma razão que não se ensina à infância o que se ensina à idade madura.
  • A revelação limitada foi suficiente durante certo período da Humanidade;
  • Deus concede-a proporcionalmente às forças do Espírito. Aqueles que recebem hoje uma revelação mais completa, são os mesmos Espíritos que já receberam revelação parcial em outros tempos, porém que, desde então, aumentaram sua inteligência.
  • Antes que a Ciência lhes tivesse feito conhecer as forças vivas da Natureza, a constituição dos astros, o verdadeiro lugar e a conformação da Terra, poderiam eles compreender a imensidade do espaço, a pluralidade_dos_mundos?
  • Antes que a Geologia tivesse feito conhecer a estrutura deste globo, poderiam eles lançar o inferno para fora de seu seio?
  • Antes que a Astronomia tivesse descoberto as leis que regem o Universo, poderiam eles compreender que não há baixo nem alto no espaço, que o céu não está colocado acima das nuvens nem é limitado pelas estrelas?
  • Antes dos progressos da ciência psicológica, poderiam eles identificar-se com a vida espiritual?
  • Poderiam conceber, depois da morte, uma vida feliz ou infeliz, que não fosse em lugar circunscrito e sob uma forma material?

        Certamente que, não compreendendo mais pelos sentidos que pelo pensamento, o Universo era muito vasto para o seu cérebro; fora preciso reduzi-lo a proporções menos amplas, que seriam alargadas mais tarde. É o que fazemos hoje, demonstrando, não a inanidade, mas a insuficiência dos primeiros ensinos. Portanto, os espíritas não admitem o paraíso, segundo o significado que ordinariamente se dá a esta palavra. Eles não podem compreender que exista lugar especial de delícias onde os eleitos estejam enfadados por uma eterna ociosidade, nem penitenciária onde as almas estejam eternamente torturadas.
        Segundo os Espíritos, não há raça amaldiçoada nem_existem_demônios; segundo eles, há Espíritos_maus em grande número, porém estes não são eternamente votados ao mal, pois têm constantemente a faculdade de se melhorarem nas reencarnações sucessivas. Neste caso, ainda o testemunho dos fatos é formal. Cada dia temos ocasião de verificar que Espíritos endurecidos voltam ao caminho do bem, devido às preces que fazemos por eles e às exortações que lhes dirigimos. Para muitos desses infelizes, a situação intolerável em que se acham parece-lhes eterna. Mergulhados em espessas trevas, desde o momento em que deixaram a Terra, e sofrendo horrivelmente, acreditam que esse estado não terá fim, e desesperam-se; mas, se um sincero arrependimento irromper do seu coração, seus olhos desvendar-se-ão: vêem, então, sua verdadeira situação e pedem, como uma graça, para voltar à Terra, a fim de resgatarem, por uma vida de expiação e de sofrimento, os seus crimes anteriores. Verifica-se que, no mundo dos Espíritos, há alguns que se conservam por muito tempo refratários a toda idéia de submissão; mas, esses também têm o livre-arbítrio: sabemos que a sua hora há de chegar e que ninguém é castigado eternamente.

[116 - Página 218] - Gabriel Delane

O V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553)

        A Igreja teve alguns concílios tumultuados. Mas parece que o V Concílio de Constantinopla II (553) bateu o recorde em matéria de desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa Virgílio, papa da época.
        O imperador Justiniano tem seus méritos, inclusive o de ter construído, em 552, a famosa Igreja de Santa Sofia, obra-prima da arte bizantina, hoje uma mesquita muçulmana.
        Era um teólogo que queria saber mais que teologia do que o papa. Sua mulher, a imperatriz Teodora, filha de um guardião de ursos, que se tornou amante e mais tarde a esposa do Imperador bizantino Justiniano, foi uma cortesã e se imiscuía nos assuntos do governo do seu marido, e até nos de teologia.
        Contam alguns autores que, por ter sido ela uma prostituta, isso era motivo de muito orgulho por parte das suas ex-colegas. Ela sentia, por sua vez, uma grande revolta contra o fato de suas ex-colegas ficarem decantando tal honra, que, para Teodora, se constituía em desonra.
        Para acabar com esta história, mandou eliminar todas as prostitutas da região de Constantinopla – cerca de quinhentas.
       Como o povo naquela época era reencarnacionista, apesar de ser em sua maioria cristão, passou a chamá-la de assassina, e a dizer que deveria ser assassinada, em vidas futuras, quinhentas vezes; que era seu carma por ter mandado assassinar as suas ex-colegas prostitutas.
       O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação. Como mandava e desmandava em meio mundo através de seu marido, resolveu partir para uma perseguição, sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior defensor entre os cristãos, Orígenes, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes.
       Como a doutrina da reencarnação pressupõe a da preexistência do espírito, Justiniano e Teodora partiram, primeiro, para desestruturar a da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.
        Em 543, Justiniano publicou um édito, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência.
        Em seguida à publicação do citado édito, Justiniano determinou ao patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo, convidando os bispos para que votassem em seu édito, condenando dez anátemas deles constantes e atribuídos a Orígenes [O Mistério do Eterno Retorno, página 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].
        A principal cláusula ou anátema que nos interessa é a da condenação da preexistência que, em síntese, é a seguinte: “Quem sustentar a mítica crença na preexistência da alma e a opinião, conseqüentemente estranha, de sua volta, seja anátema” [A Reencarnação e a Lei do Carma, página 47, William Walker Atikinson, Ed. Pensamento, São Paulo, 1997].
       Vamos ver agora essa cláusula na íntegra:

  • “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!” [O Mistério do Eterno Retorno, página 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996]. (Si quis dicit, aut sentit proexistere hominum animas, utpote quae antea mentes fuerint et sanctae, satietatemque cepisse divinae contemplationis, e in deterius conversas esse; atque  ideirco apofixestai id este refrigisse a Dei charitate, et inde fixás graece, id est, animas esse nuncupatas, demissasque esse in corpora suplicii causa: anathema) [Magia e Religião, Dr. Rozier, Editora Iniciação, abril de 1898, tradução para o francês por Papus. A Reencarnação, págs. 89-90, Editora Pensamento, São Paulo, 1995]. (CHAVES, 2002, pp. 185-187).

http://www.espiritismogi.com.br/colunistas/reencarnacao_concilio.htm

JOÃO [1]

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele.

8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

9 Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo.

10 Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.

11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12 Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia.

        Conforme João[1: 6,15], o Espírito de Jesus já existia antes da sua encarnação na Terra. E, segundo Jesus em: reencarnação_no_Evangelho, o Espírito de João Batista, também, já existia antes da sua encarnação. Portanto, se nós também já existíamos antes da atual encarnação, o que nos impediria de reencarnar

  • Algumas religiões pregam a reencarnação de Jesus?

  • Nós reencarnamos em provas; expiações ou missões menores. 

  • Somos filhos de Deus, semelhantes a João Batista e a Jesus.

[0]

        Frases usadas por Gilberto Rodrigues (IDE/Araras), em sua palestra no dia 10/03/2006, sobre Reencarnação, Amor e Justiça.:

Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS