Livre-arbítrio

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Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.

 

[41a - página 83] - Emmanuel - 1940  

        A Doutrina_Espírita admite no homem o livre-arbítrio em toda a sua plenitude e, se lhe diz que, praticando o mal, ele cede a uma sugestão estranha e má, em nada lhe diminui a responsabilidade, pois lhe reconhece o poder de resistir, o que evidentemente lhe é muito mais fácil do que lutar contra a sua própria natureza. Assim, de acordo com a Doutrina Espírita, não há arrastamento irresistível: o homem pode sempre cerrar ouvidos à voz oculta que lhe fala no íntimo, induzindo-o ao mal, como pode cerrá-los à voz material daquele que lhe fale ostensivamente. Pode-o pela ação da sua vontade, pedindo a Deus a força necessária e reclamando, para tal fim, a assistência_dos_bons_Espíritos.  Foi o que Jesus nos ensinou por meio da sublime prece que é a oração dominical, quando manda que digamos: "Não nos deixes sucumbir à tentação, mas livra-nos do mal."  Conseguintemente, as faltas que cometemos têm por fonte primária a imperfeição do nosso próprio Espírito, que ainda não conquistou a superioridade moral.  

 

[9a - página 401 questão 872]

     

Resumo

        A questão do livre-arbítrio se pode resumir assim: 

  • O homem não é fatalmente levado ao mal; 

  • os atos que pratica não foram previamente determinados

  • os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino.

        Ele pode, por prova e por expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir. Assim, o livre-arbítrio existe para ele, quando no estado de Espírito, ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos temos voluntariamente submetido. Cabe à educação combater essas más tendências. Fá-lo-á utilmente, quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral, chegar-se-á a modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução e o temperamento pela higiene.  Desprendido da matéria e no estado de erraticidade, o Espírito procede a escolha_de_suas_futuras_existências_corporais, de acordo com o grau de perfeição a que haja chegado e é nisso, como temos dito, que consiste sobretudo o seu livre-arbítrio. Esta liberdade, a encarnação não a anula. Se ele cede à influência da matéria, é que sucumbe nas provas que por si mesmo escolheu. Para ter quem o ajude a vencê-las, concedido lhe é invocar a assistência de Deus e dos bons Espíritos

        Sem o livre-arbítrio, o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito em praticar o bem. E isto a tal ponto está reconhecido que, no mundo, a censura ou o elogio são feitos à intenção, isto é, à liberdade de pensar.  

[9a - páginas 398 / 399  questão 872]

        Mesmo nas piores posições expiatórias a consciência goza dos direitos inerentes ao livre-arbítrio.

        Imaginemos um delinqüente monstruoso, segregado na penitenciária. Acusado de vários crimes, permanece privado de toda e qualquer liberdade na enxovia comum. Ainda assim, na hipótese de aproveitar o tempo no cárcere, para servir espontaneamente à ordem e ao bemestar das autoridades e dos companheiros, acatando com humildade e respeito as disposições da lei que o corrige, atitude essa que resulta de seu livre-arbítrio para ajudar ou desajudar a si mesmo, a breve tempo esse prisioneiro começa por atrair a simpatia daqueles que o cercam, avançando com segurança para a recuperação de si mesmo.

 

[83 - página 92] - Informações do Espírito André Luiz, conforme instruções do Espírito Sânzio.

       Deus quer que todos os seus filhos tenham a própria individualidade, ... 

  • creiam nele como possam, 

  • conservem as inclinações e gostos mais consentâneos com o seu modo de ser, 

  • trabalhem como e quanto desejem e 

  • habitem onde quiserem. 

        Somente exige — e exige com rigor — que a justiça seja cumprida e respeitada. «A cada um será dado segundo as suas obras.» Todos receberemos, nas Leis da Vida,... 

  • o que fizermos, 

  • pelo que fizermos, 

  • quanto fizermos e 

  • como fizermos. 

        De conformidade com os Preceitos_Divinos, podemos viver e conviver uns com os outros, consoante os padrões de escolha e afetividade que elejamos; entretanto, em qualquer plano de consciência, do mais inferior ao mais sublime, o prejuízo ao próximo, a ofensa aos outros, a criminalidade e a ingratidão colhem dolorosos e inevitáveis reajustes, na pauta dos princípios de causa_e_efeito que impõem amargas penas aos infratores. Somos livres para desenvolver as nossas tendências, cultivá-las e aperfeiçoá-las, mas devemos concordar com os Estatutos_do_Bem_Eterno, cujos artigos e parágrafos estabelecem sejam feitas e mantidas, no bem de todos e no amparo desinteressado aos outros, as garantias de nosso próprio bem.

 

[73 - página 103] - André Luiz

        A liberdade de que gozam os habitantes terrestres não é, nem poderia ser, de caráter absoluto, diante da condição do nosso mundo de expiações e provas.

        Da liberdade plena só gozam, por conquista, os Espírito_puros, aqueles que chegaram ao ápice da escala evolutiva e que se colocam a serviço do Criador, a Inteligência Suprema. Jesus é o exemplo e o modelo para a Humanidade terrestre.

 

Revista "Reformador" Nº2.100  Março/2004

       Uma parte fundamental de nossas vidas envolve a noção do livre-arbítrio. Somos julgados pela sociedade pelas intenções e ações, e as visões sobre o cérebro não conseguem explicar isso. Se corretas, elas significariam que nossas vidas seriam completamente determinadas por nossos genes e pelo ambiente_que_nos_cerca, e por conseguinte não haveria lugar para as responsabilidades. Você consegue imaginar a situação em que todo mundo que fizesse alguma coisa responsabilizaria suas ações devido a seus genes em combinação com o meio onde vivem? Ninguém mais seria responsável ou teria algum tipo de obrigatoriedade. Felizmente, a sociedade ainda é levada pela noção do livre arbítrio e da responsabilidade pessoal.
        Estas e outras limitações das visões convencionais levaram os cientistas a procurar alternativas para a explicação da consciência.

[100 - página 148] - Dr. Sam Parnia


Justino
Justino (em latim: Flavius Iustinus ou Iustinus Martir), também conhecido como Justino Mártir ou Justino de Nablus (100 - 165) foi um teólogo do século II.

        São Justino, escreve o seguinte a respeito do livre-arbítrio:



        Do que dissemos anteriormente, ninguém deve tirar a conclusão de que afirmamos que tudo o que acontece, acontece por necessidade do destino, pelo fato de que dizemos que os acontecimentos foram conhecidos_de_ante-mão. Por isso, resolveremos também essa dificuldade. Nós aprendemos dos profetas e afirmamos que esta é a verdade:

  • os castigos e tormentos, assim como as boas recompensas, são dadas a cada um conforme as suas obras.
  • Se não fosse assim, mas tudo acontecesse por destino, não haveria absolutamente livre-arbítrio.

        Com efeito, se já está determinado que um seja bom e outro mau, nem aquele merece elogio, nem este, vitupério. Se o gênero humano não tem poder de fugir, por livre determinação, do que é vergonhoso e escolher o belo, ele não é irresponsável de nenhuma ação que faça. Mas que o homem é virtuoso e peca por livre escolha, podemos demonstrar pelo seguinte argumento:

  • Vemos que o mesmo sujeito passa de um contrário a outro.

    Ora, se estivesse determinado ser mau ou bom, não seria capaz de coisas contrárias, nem mudaria com tanta freqüência. Na realidade, nem se poderia dizer que uns são bons e outros maus, desde o momento que afirmamos que o destino é a causa de bons e maus, e que realiza coisas contrárias a si mesmo, ou que se deveria tomar como verdade o que já anteriormente insinuamos, isto é, que virtude e maldade são puras palavras, e que só por opinião se tem algo como bom ou mau. Isso, como demonstra a verdadeira razão, é o cúmulo da impiedade e da iniqüidade.

        Afirmamos ser destino ineludível que ...

  • aqueles que escolheram o bem terão digna recompensa
  • e os que escolheram o contrário, terão igualmente digno castigo.

        Com efeito, Deus não fez o homem como as outras criaturas. Por exemplo:

  • árvores ou quadrúpedes, que nada podem fazer por livre determinação.

    Nesse caso, ...

    • não seria digno de recompensa e elogio, pois não teria escolhido o bem por si mesmo, mas nascido já bom;
    • nem, por ter sido mau, seria castigado justamente, pois não o seria livremente, mas por não ter podido ser algo diferente do que foi.

I APOLOGIA DE JUSTINO DE ROMA
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Fonte: Padres Apostólicos – São Paulo, 1995. – Coleção Patrística.
Introdução e Notas Explicativas: Roque Frangiotti.
Tradução: Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin.

Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS