Dentre os
vícios, o que se
pode considerar radical, temo-lo dito muitas vezes: é o egoísmo.
Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios
e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a
extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a
causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira
chaga da sociedade. (Ver: Sociedade
moderna)
Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição
moral, deve
expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o
egoísmo incompatível
com a justiça, o amor
e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.
[9a
- página 418 questão 913]
Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços
do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.
[9a
- página 420
questao 917]
Por ser inerente à espécie
humana, mesmo assim, o egoísmo não constituirá sempre um
obstáculo ao reinado do bem absoluto na Terra. É exato que no egoísmo tendes o vosso
maior mal, porém ele se prende
à inferioridade_dos_Espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade mesma.
Ora, depurando-se por encarnações_sucessivas, os Espíritos se despojam do egoísmo, como de
suas outras impurezas.
Há muito mais homens isento de
egoísmo e praticante da caridade do que supondes. Apenas, não os
conheceis, porque a virtude foge à viva claridade do dia.
Desde que haja um, por que
não haverá dez? Havendo dez, por que não haverá mil e assim por diante?
[9a
- página 419 questão 915]
Longe de diminuir, o egoísmo
cresce com a civilização, que, até, parece, o excita e mantém, tornando-se
difícil imaginar como poderá a causa destruir o efeito. Porem, quanto maior é o mal, mais hediondo se torna. Era preciso que o
egoísmo produzisse muito mal, para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo. Os homens, quando se
houverem despojado do
egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem
mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da
solidariedade.
Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos
homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei_de_justiça. Esse o reinado do bem, que os
Espíritos estão incumbidos de preparar.
[9a
- página 419
questão 916]
(Ver:
FOME ZERO MUNDIAL)
De todas as imperfeições humanas, o
egoísmo é a mais difícil de
desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem,
ainda
muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se e
para cujo entretenimento tudo concorre:
O
egoísmo se enfraquecerá à
proporção que a vida moral
for predominante sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que
o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro,
real e não desfigurado por ficções
alegóricas. Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o
Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais. O
egoísmo assenta
na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas
de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da
imensidade. Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas
proporções, ele necessariamente combate o
egoísmo.
O choque, que o homem experimenta, do
egoísmo os outros é o que
muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva. Notando
que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do
que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de
povo a povo e de homem a homem o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na
sua pessoa, assim veja que outros nela pensam. Todos experimentarão a influência
moralizadora do exemplo e do contacto.
Em face do atual extravasamento
de
egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém
renuncie à sua personalidade em proveito dos outros, que, de ordinário, absolutamente lhe
não agradecem. Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se
acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em
verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que
se há de ver, todo aquele que em si somente houver
pensado.
FÉNELON
[9a
- página 420
questão 917]
Fundando-se o
egoísmo no
sentimento do interesse_pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano.
Mas, à medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais,
menos_valor_dão_às_coisas_materiais. Depois, necessário é que se reformem as
instituições humanas que o entretêm e excitam. Isso depende da educação.
[9a
- página 419
questão 914]
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De
todas as imperfeições humanas, o egoísmo
é a mais difícil de desenraizar-se, porque deriva da influência da matéria,
influência de que o homem,
ainda muito próximo de sua origem, não pode libertar-se e para cujo
entretenimento tudo concorre:
-
suas leis,
-
sua organização social,
-
sua
educação.
FENELON
Trabalho
de João
Gonçalves Filho - (EGOÍSMO
- 897) |
|
Face
ao imenso período de predominância do instinto
como guia do comportamento até o momento em que surgem os pródomos da
razão e do discernimento, fixaram-se os caracteres mais fortes das
sensações,
-
facultando campo para o
poder - predominância sobre os espécimes
mais fracos -
-
e o prazer,
expresso na volúpia dos desejos
automatistas.
Lentamente se foi desenvolvendo o ego, que passou a ser
elemento básico para a sobrevivência consciente do ser, enraizando-se
na psique e exteriorizando-se na personalidade onde mantém o seu campo
de desenvolvimento.
JOANNA DE ÂNGELIS
Trabalho
de João
Gonçalves Filho - (EGOÍSMO
- 906) |
Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade
progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do
que em qualquer outra época. Entretanto, o
egoísmo, verme roedor, continua a ser a
chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou
menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade
epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se
em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio,
todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e
desenvolvem o sentimento do
egoísmo.
O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse
desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra,
que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no
egoísmo reside uma dessas causas, a que gera
-
o
orgulho,
-
a ambição,
-
a cupidez,
-
a inveja,
-
o
ódio,
-
o
ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba todas as relações sociais,
provoca as dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente
na defensiva contra o seu vizinho, enfim a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá
também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar,
com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais
sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e
todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá.
[9a - página .421 questão 917] |