Emanuel Swedenborg sempre é citado no mundo espírita como um dos precursores do espiritismo e todo espírita já ouviu ou ouvirá falar dele. http://www.autoresespiritasclassicos.com/ Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/ Swedenborg/SWEDENBORG.htm
...
Deve êle ter sido muito frugal, prático e trabalhador; um rapaz enérgico
e um velho muito amável.
Parece que a vida o converteu numa criatura muito bondosa e venerável. Era plácido, sereno e sempre disposto à conversação, que não descambava para o psiquismo senão quando queria o seu interlocutor. O tema dessas conversas era sempre notável, mas êle se afligia com a gagueira que lhe dificultava a pronunciação.
Era alto,
delgado, de rosto espiritual, olhos azuis, peruca até os ombros, roupas
escuras, calções curtos, fivelas nos sapatos e bengala. [95 - Capítulo: A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO - A História de Swedenborg ]
Swedenborg é um desses personagens
mais conhecidos de nome do que de fato, ao menos para o vulgo; suas obras
muito volumosas, e em geral muito abstratas, não são muito lidas senão
pelos eruditos: também a maioria daqueles que dele falam ficaria muito
embaraçada para dizer o que ele era Para uns, foi um grande homem, objeto
de uma profunda veneração, sem saber por quê: para os outros, foi um
charlatão, um visionário, um taumaturgo.
Como todo homem que professa ideias
que não são as de todo o mundo, quando essas ideias, sobretudo, ferem
certos preconceitos, ele teve, e tem ainda, seus contraditores, se estes
últimos se limitaram a refutá-lo, estavam em seu direito; mas o espírito
de partido nada respeita, e as mais nobres qualidades não têm graça
diante dele: Swedenborg não poderia ser exceção. Sua doutrina, sem dúvida,
deixa muito a desejar: ele mesmo, hoje, está longe de aprová-la em todos
os pontos. Os documentos seguintes foram tirados de interessante notícia comunicada pela senhora P.... à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.Emanuel Swedenborg nasceu em Stockholm, em 1688, e morreu em Londres, em 1772, com a idade de 84 anos. Seu pai, Joeper Svedenborg, bispo de Skava, era notável por seu mérito e por seu saber; mas seu filho suplantou-o de muito; ele sobrepuja em todas as ciências, e sobretudo na teologia, na mecânica, na física e na metalurgia. Sua prudência, sua sabedoria, sua modéstia e sua simplicidade valeram-lhe a alta reputação da qual goza ainda hoje. Os reis o chamaram em seus conselhos. Em 1716, Charles XII nomeou-o assessor ao Colégio metálico de Stockholm; a rainha Ulrique tornou-o nobre, e ele ocupou os postos mais honrosos com distinção até 1743, época em que teve sua primeira revelação espírita. Tinha então a idade de 55 anos e demitiu-se, não querendo ocupar-se senão de seu apostolado e do estabelecimento da doutrina da Jerusalém nova. (Sociedade, 23 de setembro de 1859). Comunicação de Swedenborg na sessão de 16 de setembro: Meus bons amigos e crentes fiéis, desejei vir para vos encorajar no caminho que seguis com tanta coragem, relativamente à questão Espírita. Vosso zelo é apreciado do nosso mundo dos Espíritos: prossegui mas não vos dissimuleis que obstáculos vos entravarão ainda algum tempo; os detratores não vos faltarão, mais do que não me faltaram. Eu preguei o Espiritismo há um século, e tive inimigos de todos os gêneros; tive também adeptos fervorosos; isso sustentou a minha coragem. Minha moral Espírita, e minha doutrina, não deixam de ter grandes erros, que hoje reconheço. Assim, as penas não são eternas; eu o vejo: Deus é muito justo e muito bom para punir eternamente a criatura que não tem bastante força para resistir às suas paixões. É o que digo igualmente do mundo dos Anjos, que se prega nos templos, não era senão uma ilusão de meus sentidos: eu acreditei vê-lo; estava de boa-fé e o disse; mas eu me enganei. Vós estais, vós, num melhor caminho, porque estais mais esclarecidos do que se estava em minha época. Continuai, mas sede prudentes para que os vossos inimigos não tenham armas muito fortes. Vedes o terreno que ganhais cada dia, coragem, pois! porque o futuro vos está assegurado. O que vos dá a força, é que falais em nome da razão. Tendes perguntas a me dirigir? Eu vos responderei.SWEDENBORG.
Revista Espírita - Novembro de 1859
A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO - A História de Swedenborg É impossível fixar uma data para as primeiras aparições de uma força inteligente exterior, de maior ou menor elevação, influindo nas relações humanas. Os espíritas tomaram oficialmente a data de 31 de março de 1848 como o comêço das coisas psíquicas, porque o movimento foi iniciado naquela data. Entretanto não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de interferências preternaturais e o seu tardio reconhecimento pela humanidade. A única diferença entre êsses episódios e o moderno movimento é que aquêles podem ser apresentados como casos esporádicos de extraviados de uma esfera qualquer, enquanto os últimos têm as características de uma invasão organizada.
Como, porém, uma invasão
poderia ser precedida por pioneiros em busca da Terra, também o influxo
espírita dos últimos anos poderia ser anunciado por certo número de
incidentes, susceptíveis de verificação desde a Idade Média e até
mais para trás. Uma data deve ser fixada para início da narrativa e,
talvez, nenhuma melhor que a da história do grande vidente sueco EMMANUEL
Swedenborg, que possui bons títulos para ser considerado o pai do nosso
novo conhecimento dos fenômenos supranormais. Swedenborg era, sob certos aspectos, uma viva contradição para as nossas generalizações psíquicas, porque se costuma dizer que as grandes inteligências esbarram no caminho da experiência psíquica pessoal. Uma lousa limpa é, por certo, mais apta para nela escrever-se uma mensagem. O cérebro de Swedenborg não era uma lousa limpa, mas um emaranhado de conhecimentos exatos de susceptível aquisição naquele tempo. Nunca se viu tamanho amontoado de conhecimentos. Êle era, antes de mais nada, um grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia. Foi o engenheiro militar que mudou a sorte de uma das muitas campanhas de Carlos 12, da Suécia. Era uma grande autoridade em Física e em Astronomia, autor de importantes trabalhos sôbre as marés e sôbre a determinação das latitudes. Era zoologista e anatomista. Financista e político, antecipou-se as conclusões de Adam Smith. Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia, que se alimentara de teologia com o leite materno e viveu na austera atmosfera evangélica alguns anos de vida. Seu desenvolvimento psíquico, ocorrido aos vinte e cinco anos, não influiu sôbre a sua atividade mental e muitos de seus trabalhos científicos foram publicados após essa data. Com uma tal mentalidade, é muito natural que fôsse chocado pela evidência das forças supranormais, que surgem no caminho de todo pensador, mas o que não é natural é que devesse êle ser o médium para tais forças. Em certo sentido a sua mentalidade lhe foi prejudicial e lhe adulterou os resultados, pôsto que, de outro lado, lhe tivesse sido de grande utilidade. Para o demonstrar basta considerar os dois aspectos sob os quais o seu trabalho pode ser encarado. O primeiro é o teológico. à maioria das pessoas que não pertencem ao rebanho escolhido afigura-se o lado inútil e perigoso de seu trabalho.
Além disso suas explicações nem ao menos se acomodam à razão. Quando, visando apreender o verdadeiro sentido de uma mensagem de Deus, temos que admitir que um cavalo simboliza uma verdade intelectual, que um burro significa uma verdade científica, uma chama quer dizer melhoramento, e assim por diante com uma infinidade de símbolos, parece que nos encontramos no reino da imaginação, que apenas pode ser comparado com as cifras que alguns críticos engenhosos pretendem ter descoberto nas peças de Shakespeare. Não é assim que Deus manda a Sua verdade a êste mundo. Se tal ponto de vista fôsse aceito, o credo de Swedenborg seria apenas a matriz de mil heresias; regrediríamos e iríamos encontrarnos novamente entre as discussões e os silogismos dos escolásticos medievais. As coisas grandes e verdadeiras são simples e compreensíveis. A teologia de Swedenborg nem é simples nem inteligível. E isto representa a sua condenação.Entretanto, quando entramos na sua fatigante exegese das Escrituras, onde cada coisa significa algo diferente daquilo que óbviamente significa, e quando chegamos a alguns dos resultados gerais de seu ensino, êles não se acham em desarmonia com o moderno pensamento liberal, nem com o ensino recebido do Outro Lado, desde que se iniciaram as comunicações. Assim, a proposição geral de que êste mundo é um laboratório de almas, um campo de experiências, no qual o material refina o espiritual, não sofre contestação.
Em tamanha confusão de ideias, espalhadas a torto e a direito em grandes volumes, escritos num latim obscuro, cada intérprete independente seria capaz de encontrar sua nova religião particular. Mas não é aí que reside o mérito de Swedenborg.Êsse mérito realmente seria encontrado em suas forças psíquicas e nas suas informações psíquicas, que teriam sido muito valiosas se jamais de sua pena houvesse brotado uma palavra sôbre Teologia. É para essas forças e para essas informações que nos voltamos agora. Ainda menino, Swedenborg teve as suas visões. Mas êsse delicado aspecto de sua natureza foi abafado pela extraordináriamente prática e enérgica idade viril. Entretanto, por vêzes veio ela à tona, em tôda a sua vida e muitos exemplos foram registrados, para mostrar que possuía poderes geralmente chamados "vidência a distância”, no qual parece que a alma deixa o corpo e vai buscar uma informação a distância, voltando com notícias do que se passa alhures. Não é uma peculiaridade rara nos médiuns e pode ser comprovada por milhares de exemplos entre os sensitivos espíritas; mas é rara nos intelectuais e também rara quando acompanhada por um estado aparentemente normal do corpo quando ocorre o fenômeno. Assim, no conhecidíssimo caso de Gothenburg, onde o vidente observou e descreveu um incêndio em Estocolmo, a trezentas milhas de distância, com perfeita exatidão, estava êle num jantar com dezesseis convidados, o que e um valioso testemunho, O caso foi investigado nada menos que pelo filósofo Kant, que era seu contemporâneo.Não obstante, êsses episódios ocasionais eram meros indícios de forças latentes, que desabrocharam sübitamente em Londres, em abril de 1744.
É
de notar-se que, conquanto o vidente fôsse de boa família sueca e
educado entre a nobreza sueca, foi nada menos que em Londres que os seus
melhores livros foram publicados, que a sua iluminação se iniciou e,
finalmente, que morreu e foi sepultado. Desde o dia de sua primeira visão
até a sua morte, vinte e sete anos depois, estêve êle em contínuo
contato com o outro mundo. “Na mesma
noite — diz de — o mundo dos Espíritos, do céu e
do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí encontrei muitas
pessoas de meu conhecimento e de tôdas as condições. Desde então
diariamente o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver,
perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar,
em plena consciência, com anjos e Espíritos”.
Seria então auto-sugestionado e honestamente enganado? Temos que enfrentar a circunstância de que, em geral, as observações que fazia eram confirmadas desde então por numerosos observadores dos fenômenos psíquicos. A verdade é que foi o primeiro e, sob vários aspectos, o maior médium, de um modo geral; que estava sujeito a erros tanto quanto aos privilégios decorrentes da mediunidade; que só pelo estudo da mediunidade seus poderes serão compreendidos e que, no esfôrço de o separar do Espiritismo, a sua Nova Igreja mostrou absoluta incompreensão de seus dons e da posição que a ela cabia no esquema geral da Natureza.
é interessante notar que êle considerava os seus poderes intimamente relacionados com o sistema respiratório. Como o ar e o éter nos envolvem, é possível que alguns respirem mais éter do que ar e, assim, alcancem um estado mais etéreo. Sem a menor dúvida é esta uma maneira elementar e grosseira de considerar as coisas. Mas essa ideia se derrama no trabalho de muitas escolas de psiquismo.
Lourence Oliphant, que
aliás não tinha ligação com Swedenborg, escreveu um livro, Sympneumata,
para o provar. O sistema indiano de Ioga, repousa sôbre a mesma ideia.
Entretanto, quem quer que tenha visto um médium cair em transe, deve
ter notado a característica inspiração de ar com que se inicia o
processo e as profundas expirações com que termina. Para a Ciência do
futuro aqui está um promissor campo de estudos. Nisto, como em qualquer
outro assunto psíquico, é necessário cautela. O autor conheceu muitos
casos em que ocorreram lamentáveis resultados que foram a conseqüência
de um desavisado emprêgo da respiração profunda nos exercícios psíquicos.
Eis algumas amostras tiradas da massa enorme de informações mandadas por Deus através de Swedenborg. Elas têm sido reiteradas pela bôca e pela pena dos nossos iluminados espíritas. O mundo as desprezou, taxando-as de concepções insensatas. Contudo, êstes novos conhecimentos vão abrindo caminho; quando forem aceitos inteiramente, a verdadeira grandeza da missão de Swedenborg será reconhecida, desde que se ponha de lado a sua exegese bíblica. A Nova Igreja, fundada para divulgar os ensinos do mestre sueco, converteu-se em elemento negativo, em vez de ocupar o seu verdadeiro lugar, como fonte e origem do conhecimento psíquico. Quando, em 1848, desabrochou o movimento espírita; quando homens como Andrew Jackson Davss o sustentavam através de escritos filosóficos e de poderes psíquicos, que dificilmente se distinguem dos de Swedenborg, a Nova Igreja teria feito bem em saudar êsse desenvolvimento, que coincidia com as indicações de seu chefe. Em vez disso preferiram, por motivos difíceis de compreender, exagerar cada ponto divergente e desconhecer todos os pontos coincidentes, até que os dois corpos fôssem impelidos para o franco antagonismo. Na verdade, todos os espíritas deveriam homenagear Swedenborg, cujo busto era para encontrar-se em cada templo espírita, por ser o primeiro e o maior dos modernos médiuns. Por outro lado, a Nova Igreja deveria afogar as pequenas diferenças e integrar-se de coração no novo movimento, contribuindo as suas igrejas e as suas organizações para a causa comum. Examinando a vida de Swedenborg é difícil descobrir as causas que levaram os seus atuais sectários a encarar com receio as outras organizações psíquicas. Aquêle fêz então aquilo que estas fazem agora. Falando da morte de Polhem, diz o vidente:
Tais exemplos mostram que Swedenborg não tinha mais escrúpulos em conversar com os mortos do que o Cristo, quando no monte falou a Moisés e Elias. Swedenborg havia exposto as suas ideias com muita clareza. Considerando-as, entretanto, há que levar-se em conta a época em que viveu e a sua falta de experiência na direção e nos objetivos da nova revelação. Êsse ponto de vista é que Deus, por bons e sábios propósitos, tinha separado o mundo dos Espíritos do nosso, e que a comunicação não era permitida, salvo razões poderosas — entre as quais não se poderia contar a mera curiosidade. Cada estudante zeloso do psiquismo concordará com isto e cada espírita zeloso opõe-se a que a coisa mais séria do mundo seja transformada numa espécie de passatempo.
Sob o império de poderosas razões, nossa razão principal
é que numa época de materialismo como Swedenborg
jamais imaginou,
estamos nos esforçando por provar a existência e a supremacia do Espírito
de maneira tão objetiva que os materialistas sejam encontrados e batidos
no seu próprio terreno. Seria difícil imaginar uma razão mais forte que
esta; entretanto temos o direito de proclamar que, se Swedenborg vivesse
agora, seria o chefe do nosso moderno movimento psíquico. O homem médio é bom. O simples ato da comunicação espírita, na sua solenidade, desperta o lado religioso. Assim, via de regra, não é a má influência, mas a boa, que é encontrada, como o provam os belos e moralizados registros das sessões. O autor pode dar o testemunho de que em cêrca de quarenta anos de trabalho psíquico, durante os quais assistiu a inúmeras sessões em muitos lugares, jamais, numa única ocasião, ouviu uma palavra obcena ou qualquer mensagem que pudesse ferir os ouvidos da mais delicada mocinha. Outros veteranos espíritas dão o mesmo testemunho. Assim, enquanto é absolutamente certo que os maus Espíritos sejam atraídos para um ambiente mau, na prática atual é muito raro que alguém seja por êles incomodado. Se tais Espíritos aparecerem, o procedimento correto não é repeli-los; é antes conversar razoàvelmente com êles, esforçando-se por que compreendam sua própria condição e o que devem fazer por seu melhoramento. Isto ocorreu muitas vêzes na experiência pessoal do autor, e com os mais felizes resultados.
(Ver: Doutrinação)
(Ver: Psicosfera
ambiental)
Sua vida foi admiravelmente descrita por Garth Wilkinson, Trobridge e Brayley Hodgetts, atual presidente da Sociedade Inglêsa Swedenborg. A despeito de todo o seu simbolismo teológico, seu nome deve viver eternamente como o primeiro de todos os homens modernos que descreveram o processo da morte e o mundo do além, o que não se baseia no vago extático e nas visões impossíveis das velhas Igrejas, mas corresponde atualmente às descrições que nós mesmos obtemos daqueles que se esforçam por nos trazer uma ideia clara de sua nova existência.
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