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Cristianismo

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        Teve início através de Jesus Cristo e seus discípulos, em meados do primeiro século de nossa era.  Seus três principais ramos estão divididos da seguinte forma: 

        A profissão de fé cristã é a de que Deus, revelado a Abraão, Moisés e aos profetas, envia à Terra seu filho como Messias (Cristo, em grego), o Salvador.  A vinda de Jesus foi largamente anunciada pelos profetas do Antigo Testamento e até mesmo no Mazdeísmo — religião persa — encontra-se o anúncio de um Salvador vindo à Terra mil anos após a morte de Zoroastro, que viveu no Irã entre seis e dez séculos antes de Jesus. Curiosamente, ao nascer Jesus, três magos (sacerdotes do Oriente, possivelmente da mesma religião de Zoroastro) foram-lhe prestar homenagem.  

        A síntese doutrinária do Cristianismo foi apresentada pelo próprio Cristo: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Amarás o teu próximo como a ti mesmo", porque "aí está toda a lei e os profetas". (Mateus 22/37 a 40). 

        As religiões cristãs fundamentam-se na Bíblia, ou Escrituras Sagradas que, por sua vez se divide em Antigo e Novo_Testamento.  Em nossos dias é uma das religiões mais difundidas no mundo, com aproximadamente dois bilhões de fiéis.

 

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        O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si; criou vigoroso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos de luz, amor e verdade.

 

Emmanuel - (Pão Nosso) - [55 - página 64]

        O Cristianismo é a síntese, em simplicidade e luz, de todos os sistemas religiosos mais antigos, expressões fragmentárias das verdades sublimes trazidas ao mundo na palavra imorredoura de Jesus.

 

Emmanuel - (Consolador) - [55 - página 68]

Se Cristianismo é esperança sublime, amor celeste e restauradora, é também trabalho, sacrifício, aperfeiçoamento incessante.

 

Emmanuel - (Caminho, Verdade e Vida) - [55 - página 68]

PREPARAÇÃO DO CRISTIANISMO

        As lições da Palestina foram, desse modo, precedidas de laboriosa e longa preparação na intimidade dos milênios. Os sacerdotes de todas as grandes religiões do passado supuseram, nos seus mestres e nos seus mais altos iniciados, a personalidade do Senhor, mas temos de convir que Jesus foi inconfundível.

        À luz significativa da história, observamos muitas vezes, nos seus auxiliares ou instrumentos humanos, as características das vulgaridades terrestres. 

  • Alguns foram ditadores de consciências, enérgicos e ferozes no sentido de manter e fomentar a fé; 

  • outros, traídos em suas forças e desprezando os compromissos sagrados com o Salvador, longe de serem instrumentos do Divino Mestre, abusaram da própria liberdade, dando ouvidos às forças subversivas da Treva, prejudicando a harmonia geral.


O CRISTO INCONFUNDÍVEL

        Mas Jesus assinala a sua passagem pela Terra com o selo constante da mais augusta caridade e do mais abnegado amor. Suas parábolas e advertências estão impregnadas do perfume das verdades eternas e gloriosas. A manjedoura e o calvário são lições maravilhosas, cujas claridades iluminam os caminhos milenares da humanidade inteira, e sobretudo os seus exemplos e atos constituem um roteiro de todas as grandiosas finalidades, no aperfeiçoamento da vida terrestre. Com esses elementos, fez uma revolução espiritual que permanece no globo há dois milênios. Respeitando as leis do mundo, aludindo à efígie de César, ensinou as criaturas humanas a se elevarem para Deus, na dilatada compreensão das mais santas verdades da vida. Remodelou todos os conceitos da vida social, exemplificando a mais pura fraternidade.

        Cumprindo a Lei Antiga, encheu-lhe o organismo de tolerância, de piedade e de amor, com as suas lições na praça pública, em frente das criaturas desregradas e infelizes, e somente Ele ensinou o "Amai-vos uns aos outros", vivendo a situação de quem sabia cumpri-lo.

        Os Espíritos incapacitados de o compreender podem alegar que as suas fórmulas verbais eram antigas e conhecidas; mas ninguém poderá contestar que a sua exemplificação foi única, até agora, na face da Terra.

        A maioria dos missionários religiosos da antigüidade se compunha de príncipes, de sábios ou de grandes iniciados, que saíam da intimidade confortável dos palácios e dos templos; mas o Senhor da semeadura e da seara era a personificação de toda a sabedoria, de todo o amor, e o seu único palácio era a tenda humilde de um carpinteiro, onde fazia questão de ensinar à posteridade que a verdadeira aristocracia deve ser a do trabalho, lançando a fórmula sagrada, definida pelo pensamento moderno, como o coletivismo das mãos, aliado ao individualismo dos corações síntese social para a qual caminham as coletividades dos tempos que passam - e que, desprezando todas as convenções e honrarias terrestres, preferiu não possuir pedra onde repousasse o pensamento dolorido, a fim de que aprendessem os seus irmãos a lição inesquecível do "Caminho, da Verdade e da Vida".

[52 - página 86]

        O termo “cristianismo em especial após a Reforma, abrangeu uma variedade surpreendente de grupos. Os que alegam representar o “verdadeiro cristianismo no século XX variam desde... 

  • um cardeal católico no Vaticano 

  • a um pastor episcopal metodista africano dando início a uma renovação em Detroit, 

  • um missionário mórmon na Tailândia 

  • ou um membro da igreja local na costa da Grécia. 

        Mas católicos, protestantes e ortodoxos concordam que essa variedade se desenvolveu há pouco e é deplorável. Segundo a lenda cristã, a antiga igreja era diferente. Cristãos de todos os credos buscam encontrar nos primórdios da igreja uma forma de fé cristã mais simples e mais pura. Na época dos apóstolos,...

  • todos os membros da comunidade cristã compartilhavam dinheiro e propriedade; 

  • todos acreditavam no mesmo ensinamento, 

  • todos rezavam juntos; 

  • todos reverenciavam a autoridade dos apóstolos. 

        Apenas depois desses anos dourados foi que o conflito, a heresia, surgiu: é o que diz o autor dos Atos dos Apóstolos, que identifica a si mesmo como o primeiro historiador do cristianismo.

        Contudo, as descobertas de Nag-Hammadi perturbaram esse cenário. Se admitirmos que alguns desses 52 textos representam as primeiras formas do ensinamento cristão, seremos obrigados a reconhecer que o início do cristianismo é bem mais diversificado do que se preconizava antes das descobertas de Nag-Hammadi.

        O cristianismo contemporâneo, cuja complexidade e diversidade conhecemos, na verdade pode ser mais uniforme que as igrejas cristãs dos séculos I e II, pois quase todos os cristãos - católicos, protestantes ou ortodoxos - compartilham três premissas básicas. 

  • Primeiro, aceitam cânone do Novo Testamento

  • segundo, confessam o credo apostólico; e, 

  • terceiro, afirmam formas específicas de instituição eclesiástica.

        Mas cada um deles - o cânone das Escrituras, o credo e a estrutura institucional - emergiu na forma atual apenas no fim do século II. Antes disso, como atestam Irineu e outros, numerosos evangelhos circulavam em os vários grupos cristãos, desde os evangelhos do Novo Testamento, Mateus, Marcos, Lucas e João até os escritos do Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe ou o Evangelho da Verdade, assim como muitos outros ensinamentos secretos, mitos e poemas atribuídos a Jesus ou aos seus discípulos. Alguns deles, aparentemente, foram descobertos em Nag-Hammadi; muitos outros estão perdidos. Aqueles que se autodenominavam cristãos não tinham muitas crenças e práticas religiosas, nem eram radicalmente diferentes. E as comunidades espalhadas pelo mundo conhecido organizavam-se de modo bastante diverso de um grupo para o outro. (Ver: Textos Apócrifos)

        No entanto, por volta de 200 d.C. a situação mudou. O cristianismo tornou-se uma instituição dirigida por uma hierarquia com três níveis: 

  • bispos, 

  • padres 

  • e diáconos, que acreditavam ser guardiões da única e “verdadeira fé” 

        A maioria das igrejas, entre as quais a igreja_de_Roma, desempenhou um papel predominante, e rejeitou todos o outros pontos de vista como heréticos. Ao lastimar a diversidade dos primeiros movimentos, o bispo Irineu e seus seguidores insistiram em que só poderia haver uma única igreja e fora dela, declarou Irineu, “não há salvação”.27 Apenas os membros dessa igreja são cristãos ortodoxos (literalmente, “pensamento correto"). E afirmou, ainda: essa igreja deve ser católica ou seja, universal. Quem quer que desafiasse o consenso, argumentando a favor de outras formas de ensinamento cristão, era declarado herege e expulso. Quando os ortodoxos obtiveram suporte militar, algum tempo depois de o imperador Constantino tornar-se cristão no século IV, a pena para a heresia aumentou.

        O empenho da maioria para destruir qualquer vestígio da “blasfêmia” herege provou-se tão bem-sucedido que, até as descobertas de Nag-Hammadi, quase toda informação sobre formas alternativas do início do cristianismo provinha de ataques ortodoxos intensos contra elas. Embora o gnosticismo talvez fosse a primeira e a maior ameaça das heresias, os estudiosos tomaram conhecimento apenas de uma pequena quantidade de textos gnósticos originais, nenhum publicado antes do século XIX. 

 

27 - Ver, por exemplo, Bauer, Orthodoxy and Heresy, 111-240.

 

[84 - Introdução XXIV]

          As autoridades políticas e religiosas se desenvolveram de modo mais surpreendente. Como observamos, diversas formas de cristianismo floresceram nos primeiros anos do movimento cristão. 

  • Centenas de pregadores rivais reivindicavam, todos, pregar a “verdadeira doutrina do Cristo” e denunciavam uns aos outros como impostores. 

  • Os cristãos dispersos em igrejas da Ásia Menor à Grécia, Jerusalém e Roma dividiram-se em facções, disputando a liderança da igreja. 

  • Todos pleiteavam representar "a autêntica tradição".

[84 - página 5]

TERTULIANO : APOLOGIA

Translated by José Fernandes VIDAL & Luiz Fernando Karps PASQUOTTO

Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS