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Quando Jesus, ao responder aos seus discípulos, questionou: “Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos?”, referia-se à
precariedade dos laços de
sangue, estabelecendo a fórmula do amor,
a qual não deve estar circunscrita ao ambiente particular, mas ligada ao
ambiente universal, em cujas estradas deveremos observar e ajudar, fraternalmente,
a todos os necessitados, desde os aparentemente mais felizes, aos mais
desvalidos da sorte.
[41a
- página 194]
- Emmanuel - 1940
As criaturas, de um modo geral, ainda têm muito da tribo,
encontrando-se encarceradas nos instintos propriamente humanos,
na luta
das posições e das aquisições, dentro de um egoísmo quase feroz, como
se guardassem consigo, indefinidamente, as heranças da vida animal.
Todavia, é preciso recordar que, após a eclosão desses entusiasmos, há
sempre o gosto amargo da inutilidade no intimo dos espíritos desiludidos
da precária hegemonia do mundo, instante esse em que a alma experimenta
a dilatação de suas tendências profundas
para
o “mais alto”. Nessa hora, a fraternidade
conquista uma nova expressão no íntimo da criatura, a fim de que o Espírito
possa alçar o grande vôo para os mais gloriosos destinos.
[41a
- página 197]
- Emmanuel - 1940
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A
igualdade absoluta é impossível no mundo, dada a
heterogeneidade das tendências, sentimentos e posições evolutivas
no circulo da individualidade.
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A
fraternidade, porém, é a lei da
assistência mútua e da solidariedade
comum, sem a qual todo progresso, no planeta, seria praticamente
impossível.
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- página 198]
- Emmanuel - 1940
A fraternidade
não pode manifestar-se sem a abnegação.
É cooperação sincera e legítima, em todos os trabalhos da vida, e, em
toda cooperação verdadeira, o personalismo
não pode subsistir, salientando-se que quem coopera cede sempre alguma
coisa de si mesmo, dando o testemunho de abnegação, sem a qual a fraternidade
não se manifestaria no mundo, de modo algum.
[41a
- página 198]
- Emmanuel - 1940
As escolas religiosas não se esqueceram de materializar a bondade em obras de alvenaria.
- Umas dispõe de institutos avançados, sob o ponto de vista material, abrigando a infância desfavorecida; entretanto, aí, as concepções espirituais não se desenvolvem, acanhadas que ficam nos moldes tirânicos dos dogmas obsoletos, O trabalho, pois, na maioria dos casos, circunscreve-se ao simples armazenamento de pão efêmero.
- Outras possuem, por sua vez, grandes colégios e congregações, distribuindo valores educativos com a juventude; todavia, suas organizações se baseiam, quase sempre, mais na letra dos conceitos evangélicos que nos conceitos evangélicos da letra...
Não desejamos menosprezar os serviços admiráveis dos aprendizes do Evangelho nos variados campos religiosos. Todos são respeitáveis, se levados a efeito pelo devotamento do coração. Desejamos apenas destacar os valores iluminativos. Nos primórdios da obra cristã, não faltavam prestigiosas providências da política imperial de Roma, a fim de que os famintos e esfarrapados recebessem trigo e agasalho e até mesmo preceptores seletos, filiados a famosos centros culturais de gregos e egípcios. Porém, no intuito de incentivar a obra de legítima iluminação_do_espírito, Simão Pedro e os companheiros de apostolado obrigaram-se a longo programa de socorro aos infortunados de toda sorte. Nem todos os seguidores do Evangelho procediam das altas camadas sociais do Judaísmo, como Gamaliel, o venerando rabino cujo intelecto desenvolvido encontrou o Mestre. A maioria dos necessitados entraria em contacto com Jesus através da sopa humilde ou do teto acolhedor. Lavando leprosos, tratando loucos, assistindo órfãos e velhinhos desamparados, os continuadores do Cristo davam trabalho a si próprios, dedicavam-se aos infelizes, esclarecendo-lhes a mente, e ofereciam lições de substancial interesse aos leigos da fé viva. Como não ignoram, estamos fazendo no Espiritismo evangélico a recapitulação do Cristianismo.
Sim, inegàvelmente; precisamos estimular a formação de serviços que libertem o raciocínio para vôos mais altos.
Dentro de nosso esforço, o imperativo primordial consiste na iluminação do espírito humano com vistas à eternidade. Urge, no entanto, compreender que, para a obtenção do desiderato, é imprescindível “fazer alguma coisa”. Onde todos analisam, admiram ou discutem não se levantam obras úteis para atestar a superioridade das ideias. Por isso, nossos Mentores da Vida Divina apreciam o servo pela dedicação que manifeste à responsabilidade. O necessitado, o beneficiário, o crente e o investigador virão sempre aos nossos centros de organização da doutrina. E toda vez que exercitem o serviço cristão pela mediunidade ativa, pela assistência fraterna, pelos trabalhos de solidariedade comum, quaisquer que sejam, apresentam caracteres mais positivos de renovação, porque a responsabilidade na realização do bem, voluntàriamente aceita, transforma-os em traços animados entre dois mundos — o que dá e o que recebe. Como vêem, a luz divina prevalece sobre a benemerência humana, porque esta, sem aquela, pode muitas vezes degenerar em personalismo devastador, compreendendo-se, todavia, em qualquer tempo, que a fé sem obras é irmã das obras sem fé.
A difusão da luz espiritual na Crosta Terrestre não é ação milagrosa, mas edificação paciente e progressiva.
As casas de benemerência social, sobre as águas pesadas do pensamento humano, funcionam como grandes navios de abastecimento à coletividade faminta de luz e necessitada de princípios renovadores. Passei a ver o estômago dos pequeninos em plano secundário, porque era a claridade positiva do Evangelho que inundava agora minhalma, convidando-me à contemplação feliz do futuro maior.
[40 - páginas 190/191] - André Luiz
V Entrevista de Chico Xavier para a TV Tupy
Um exemplo de fraternidade, citado por Chico Xavier

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ItDbPf8BWXY#!
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