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Consolador prometido - Espírito de Verdade

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"Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos, sonhos."

(Atos, cap. II, vv. 17, 18.)

Ver em: Caracteres da Revelação Espírita )        Poucas horas antes de ser entregue aos judeus, por ocasião da última ceia, profere Jesus as seguintes palavras:

  • "Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. - Mas o Consolador, que é o Espírito_Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito". (João XIV: 15 a 17; 26) 

        Com essas palavras, Jesus se refere a um outro consolador, o Espírito da Verdade, que deveria vir mais tarde, ensinar todas as coisas, ficando claro que, em sua época, ele não havia dito tudo.   

Consciência espírita: www.consciesp.org.br

          O século XIX, que surgira com as últimas agitações provocadas no mundo pela Revolução Francesa, estava destinado a presenciar extraordinários acontecimentos.
          No seu transcurso, cumprir-se-ia a promessa de Jesus, que, segundo os ensinamentos do seu Evangelho, derramaria as claridades divinas do seu coração sobre toda a carne, para que o Consolador reorganizasse as energias das criaturas, a caminho das profundas transições do século XX.
          Mal não haviam terminado as atividades bélicas da triste missão de Bonaparte e já o espaço se movimentava, no sentido de renovar os surtos_de_progresso das coletividades. Assembléias espirituais, reunindo os gênios inspiradores de todas as pátrias do orbe, eram levadas a efeito, nas luzes do infinito, para a designação de missionários das novas revelações. Em uma de tais assembléias, presidida pelo coração misericordioso e augusto do Cordeiro, fora destacado um dos grandes discípulos do Senhor, para vir à Terra com a tarefa de organizar e compilar ensinamentos que seriam revelados, oferecendo um método de observação a todos os estudiosos do tempo. Foi assim que Allan Kardec, a 3 de outubro de 1804, via a luz da atmosfera terrestre, na cidade de Lião. Segundo os planos de trabalho do mundo invisível, o grande missionário, no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares da sua obra, designados particularmente para coadjuvá-lo, nas individualidades ...

  • de João-Batista Roustaing, que organizaria o trabalho da fé;
  • de Leon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico;
  • de Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica
  • e de Camille Flammarion, que abriria a cortina dos mundos, desenhando as maravilhas das paisagens celestes, cooperando assim na codificação kardeciana no Velho Mundo e dilatando-a com os necessários complementos.

          Ia resplandecer a suave luz do espiritismo, depois de certificado o Senhor da defecção espiritual das igrejas mercenárias, que falavam no globo em seu nome.
          Todas as falanges do Infinito se preparam para a jornada gloriosa.

[127 - Capítulo Bezerra de Menezes] - 1938

        JOÃO[14]

  • 26 Mas o Ajudador,  o  Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.

  • 27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

        JOÃO [16]

  • 12 Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora.
  • 13 Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. (Através deste versículo Jesus estaria nos informando que os Espíritos que nos transmitiriam as mensagens, as informações, seriam mensageiros, intermediários de outros Espíritos mais elevados, assim como podemos ver em: Dogmas_e_a_3ª_Revelação  e  Interferência nas comunicações espirituais)
  • 14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

        Jesus promete um outro consolador: é o Espírito de Verdade, que o mundo não conhece ainda, porque não está em condições de compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas, para fazer lembrar o que Cristo falou. Portanto, se o Espírito de Verdade deve vir mais tarde ensinar todas as coisas, é porque o Cristo não as disse todas; se ele vem fazer lembrar o que Cristo ensinou, é que suas palavras foram esquecidas ou mal compreendidas. O Espiritismo vem, na época determinada, cumprir a promessa do Cristo:

  • o Espírito de Verdade preside ao seu estabelecimento;
  • ele relembra aos homens a observação da lei;
  • ele ensina todas as coisas fazendo compreender o que o Cristo só nos transmitiu por meio de parábolas.

        O Cristo disse:

  • “Que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”;
  • o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, pois fala de forma clara, sem alegorias;
  • ele retira o véu que foi deixado, propositadamente, sobre certos mistérios;
  • finalmente, vem trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos aqueles que sofrem, dando uma razão justa e um objetivo útil a todas as dores.

        O Cristo disse:

  • “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”, mas como alguém pode se achar feliz por sofrer se não sabe por que está sofrendo?
    • O Espiritismo demonstra que a causa dos sofrimentos está nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem resgata os erros do seu passado;
    • ele mostra o objetivo dos sofrimentos, porquanto eles são como crises salutares que trazem a cura e a depuração que assegura a felicidade nas existências_futuras. O homem compreende que merece sofrer e acha que o sofrimento é justo;
    • sabe que ele ajuda o seu adiantamento e aceita-o sem lamentações, como o trabalhador aceita o trabalho que lhe proporciona o seu salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida cruel não se apodera mais da sua alma;
    • fazendo com que ele veja os fatos de um ponto de vista elevado, a importância das vicissitudes terrestres desaparece no amplo e esplêndido horizonte que ele abrange, e a perspectiva da felicidade que o espera dá-lhe a paciência, a resignação e a coragem de ir até o final do caminho.

        Assim, o Espiritismo proporciona o que Jesus disse sobre o consolador prometido:

  • conhecimento dos fatos, que faz com que o homem saiba de onde veio, para onde vai e por que está na Terra;
  • retorno aos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.

[24 - Capítulo VI]

 

        Como interpretar a afirmativa de João: - "Três são os que fornecem testemunho no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo"?

 

       João referia-se ...

  • ao Criador

  • a Jesus, que constituía para a Terra a sua mais perfeita personificação, 

  • e à legião dos Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre, sob a misericórdia de Deus.

[41a -página 181] - Emmanuel - 1940

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(o Pai; o Filho e o Espírito Santo)

URGE REFORMAR

  • Foi justamente quando o Positivismo alcançava o absurdo da negação, com Auguste Comte

  • e o Catolicismo tocava às extravagâncias da afirmativa, com Pio IX proclamando a infalibilidade papal, que o Céu deixou cair à Terra a revelação abençoada dos túmulos. 

        O Consolador prometido pelo Mestre chegava no momento oportuno.

  • Urge reformar, reconstruir, aproveitar o material ainda firme, para destruir os elementos apodrecidos na reorganização do edifício social. E é por isso que a nossa palavra bate insistentemente nas antigas teclas do Evangelho_cristão, porquanto não existe outra fórmula que possa dirimir o conflito da vida atormentada dos homens. A Atualidade requer a difusão dos seus divinos ensinamentos. 

  • Urge, sobretudo, a criação dos núcleos verdadeiramente evangélicos, de onde possa nascer a orientação cristã a ser mantida no lar, pela dedicação dos seus chefes. As escolas do lar são mais que precisas, em vossos tempos, para a formação do espírito que atravessará a noite de lutas que a vossa Terra está vivendo, em demanda da gloriosa luz do porvir.

[71 - página 179]  - Emmanuel - 1938

         O Consolador, como Jesus, terá de afirmar igualmente: — “Eu não vim destruir a Lei.”

        O Espiritismo não pode guardar a pretensão de exterminar as outras crenças, parcelas da verdade que a sua doutrina representa, mas, sim, trabalhar por transformá-las, elevando-lhes as concepções antigas para o clarão da verdade imortalista.

        A missão do Consolador tem que se verificar junto das almas e não ao lado das glórias efêmeras dos triunfos materiais. Esclarecendo o erro religioso, onde quer que se encontre, e revelando a verdadeira luz, pelos atos e pelos ensinamentos, o espiritista sincero, enriquecendo os valores da , representa o operário da regeneração do Templo do Senhor, onde os homens se agrupam em vários departamentos, ante altares diversos, mas onde existe um só Mestre, que é Jesus-Cristo.

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[41a - página 200] - Emmanuel - 1940

Palestra de Sérgio Aleixo - Semana Kardec 2011

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Wy6Ek5t1NQQ&noredirect=1

Primeira epístola aos Espíritas de Bordeaux, por Erasto.
humilde servidor de Deus.

          Que a paz do Senhor esteja convosco, meus bons amigos, a fim de que nada jamais venha perturbar a boa harmonia que deve reinar num centro de Espíritas sinceros! Sei o quanto vossa fé em Deus é profunda, e quão fervorosos adeptos sois da nova_revelação; é por isso que vos digo, em toda a efusão de minha ternura por vós, estaria desolado, estaríamos todos desolados, nós que somos, sob a direção do Espírito de Verdadeos iniciadores do Espiritismo na França, se a concórdia das quais destes, até este dia, provas brilhantes viessem a desaparecer de vosso meio. Se não tivésseis dado o exemplo de uma fraternidade sólida; se, enfim, não fosseis um centro sério e importante da grande comunhão Espírita francesa, eu teria deixado esta questão na sombra...

          ... Em nome do Espírito de Verdadeque vos ama, eu vos abençôo, Espíritas de Bordeaux!

ERASTO.

[37 - página 364] - Allan Kardec - Novembro/1861 - http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1861/11d-reuniao.html#epistola

O “ADVOGADO”

       João, 14:15-24

  • 15. “Se me amardes, executareis meus mandamentos,
  • 16. e eu rogarei ao Pai e vos dará outro advogado, para que convosco esteja no eon,
  • 17. O Espírito verdadeiro, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós o conheceis, porque habita convosco e está em vós. (Ver: Espírito Santo)
  • 18. Não vos deixarei órfãos: volto a vós.
  • 19. Ainda um pouco e o mundo já não me vê, mas vós vedes, porque eu vivo e vós vivereis.
  • 20. Naquele dia, vós conhecereis que eu (estou) em meu Pai e vós em mim, e eu em vós.
  • 21. Quem tem meus mandamentos e os executa, é quem me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a Ele”.
  • 22. Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Senhor, que acontece, que deverás manifestar-se a nós, e não ao mundo?
  • 23. Respondeu Jesus e disse-lhe: “Se alguém me ama, realiza meu Logos (SOM, Palavra) e o Pai o amará e a ele viremos e nele faremos moradia.
  • 24. Quem não me ama, não realiza meu Logos; e o Logos que ouvis, não é o meu, mas do Pai que me enviou”.

        Comecemos, ainda aqui, pelo exame de algumas palavras:
        O termo paráklêtos é vulgarmente transliterado “paráclito” ou ainda “paracleto”; ou é traduzido como “Consolador”, “Advogado” ou “Defensor”. Examinando-o, vemos que é formado de pará (ao lado de, junto de) e de klêtos do verbo kaléô (chamar). Então, paráklêtos é aquele que é “chamado para junto de alguém”: o “Evocado”. A melhor tradução literal é ADVOGADO, que deriva do latim advocatus (formado de vocatus, “chamado” e ad, “para junto de alguém”). Apesar de o sentido atual dessa palavra ter mudado de tal forma que não caberia aqui, não encontramos termo melhor.
        O sentido de paráklêtos é mais passivo que ativo:

  • não exprime aquele que toma a iniciativa de defender-nos,
  • mas sim aquele que nós chamamos ou evocamos ou invocamos para permanecer junto de nós.

        Esse advogado é dito, logo a seguir, “o Espírito verdadeiro” (tò pneuma tês alêtheias). Ainda aqui afastamo-nos da tradição, que apresenta a tradução literal: “o Espírito da Verdade”. O raciocínio alerta-nos para o sentido racional e lógico: que pode exprimir a junção dessas duas palavras? Corelacionando essa frase com a outra de João (1.ª João, 2:16), onde se fala do “espírito da mentira”, verificamos que, em ambos os passos, há evidentemente uma figura de hendíades (cfr. vol. 19, página XII).
        Trata-se realmente de “Espírito verdadeiro” e de “espírito mentiroso” ou “enganador”. Mais adiante (vers. 26) o Espírito verdadeiro, ou evocado, é dito “o Espírito, o Santo”, expressão que levou os teólogos a confundi-lo com a terceira “pessoa” da santíssima Trindade.
        Observemos a oposição nítida do ensino: o Espírito verdadeiro, isto é o Espírito real e genuíno, é o que não teve princípio nem terá fim, o Espírito eterno, individuação da Centelha divina; enquanto o espírito mentiroso ou enganador é aquele que ilude as criaturas, que o julgam eterno e real, quando é apenas transitório e perecível:

  • aprendemos a oposição entre o Eu profundo e o eu menor;
  • entre a Individualidade e a personagem;
  • entre o Cristo e a criatura;
  • entre o Espírito VERDADEIRO E REAL e o espírito ENGANADOR E TRANSITÓRIO que, nesta obra, sistematicamente distinguimos, escrevendo o primeiro com maiúscula (Espírito) e o segundo com minúscula (espírito).

        O termo “mundo” (kósmos) é empregado como em outros passos de João (1:10; 7:7; 12:31; 15:18,19; 16:8, 11, 33; 17:11ss; 1.º João, 2:15, 16, 17; 3:1, 13; 4:5; 5:4, 5, 19).
        A expressão “não vos deixarei órfãos” deve colocar-se ao lado da que os discípulos são carinhosamente chamados “filhinhos” (João, 13:33).
        Ao falar de Judas, João tem o cuidado de esclarecer “não o Iscariotes”. Nas listas de Mateus (13:55) e de Marcos (13:8) parece tratar-se do Emissário aí denominado “Tadeu”. Lucas di-lo irmão de Tiago o menor, primeiro inspetor de Jerusalém e irmão de Jesus.
        “Se amardes o Cristo (se me amardes) executareis meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai e vos dará outro advogado, para que convosco esteja no eon, o Espírito verdadeiro”. O verbo “amar”, aqui, é agapáô, que exprime o amor de predileção, de união profunda (cfr. vol. 2). Esse amor, que revela e exige sintonia perfeita entre o amado e o amante, faz que este, espontânea e alegremente se coloque em posição de realizar todos os desejos do amado, observando intuições e inspirações que lhe chegam, sem deixar-se levar pelas distrações e injunções externas.         Qualquer desejo do Cristo interno, através do Eu profundo, será uma ordem, um “mandamento” para a personagem transitória.
        Neste caso, ao verificar que a personagem por ele criada para a evolução do Espírito é obediente e fiel, correspondendo integralmente à sua expectativa, realizando e vivendo suas orientações, o Eu profundo, através do Cristo interno, rogará ao Pai para que permita a descida definitiva e permanente, durante todo o eon, da Força Cristônica, ou seja, evocará a ligação do Cristo, verdadeiro Espírito, para que fique ligado e “morando” na personagem, como prêmio à sua fidelidade sintônica perfeita.
        Então o Espírito real do Homem, o Espírito já santo, porque santificado, não o abandonará durante o ciclo evolutivo, jamais correndo ele perigo de haver o abandono da personagem por parte da Individualidade (cfr. vol 4 e vol. 7).
        Esse Espírito verdadeiro “não pode o mundo receber, porque não o vê nem o conhece mas vós o conheceis, porque habita em vós e está em vós”; o mundo, que representa aqui aqueles que ainda estão voltados para as coisas exteriores, jamais têm condição de ver e conhecer aquilo que se passa dentro deles mesmos: seu olhar estende-se para horizontes longínquos - prazeres, cobiça de agregar a si riquezas perecíveis julgadas eternas, erudição, fama, e glória das personagens e para as personagens - e não têm condições de humildemente enclausurar-se em si mesmo, renunciando e esquecendo tudo o que vem de fora. Aqueles, todavia, que negarem e esquecerem sua personagem transitória e mergulharem no abismo sem fundo de seu Eu, esses conhecem seu “Morador Divino”, com ele mantém as mais íntimas relações de afeto, confabulam, pedem orientações, e prestam conta de seus atos e pensamentos; em Sua mão entregam todos os problemas que surgem, e a qualquer momento sabem que podem encontrá-lo, porque “neles habita e está neles”, mais valioso que o universo inteiro com suas riquezas e belezas mais importante que todos os seres humanos com suas glórias e sua fama.
        Neste ponto, o Cristo manifestado em Jesus fala diretamente para confortar o coração dos discípulos:

  • “eu não vos deixarei órfãos, volto a vós”; embora não mais no corpo físico de Jesus, mas no âmago de cada um. No corpo de Jesus, o mundo não mais o verá dentro de pouco tempo, porque esse corpo será levado alhures. “Mas vós vedes, porque eu, o Cristo, vivo, e vós vivereis em mim e por mim”, pois “quem vive e sintoniza comigo, jamais conhecerá a morte” (João, 11:26).

        E então, nesse dia em que conseguirmos VIVER no Cristo, “conhecereis (tereis a gnose plena) de que EU (o Cristo) estou no Pai, e vós em mim e eu em vós”. Nada pode ser mais claramente declarado, do que a revelação dessa verdade: o Cristo interno está em nós, e nós estamos no Cristo interno. Por que não O percebemos? Por falta, ainda, de sintonia. No momento em que elevarmos nossa sintonia até a do Cristo, pela negação e renúncia total, absoluta e definitiva a tudo o que é externo, inclusive a nosso eu, pequeno e vaidoso, e a nosso intelecto cheio de convencimento e orgulho, nesse momento poderemos sintonizar com o Cristo interno, através de nosso Eu profundo, de modo total: é o Cristo que viverá em nós (cfr. Gál. 2:20). É o que faz Salomão exclamar em êxtase: “vosso Espírito incorruptível está em todos” (Sab. 12:1).
        Repete-se aqui a fórmula: “Quem têm meus mandamentos e os executa”, isto é, quem os conhece e reconhece e os vive intensa e permanentemente, “é quem me ama”; em grego, literalmente: “é meu amador ou amante” (ho agapôn me). E quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e a ele eu mesmo me manifestarei (esphanísô autôi emautón)”.
        Essa é uma das frases mais fortes, uma das promessas mais confortadoras do Cristo. Não se dirige apenas aos Emissários ali presentes, nem a Seus discípulos imediatos, durante Sua peregrinação terrena na Palestina, mas sim A TODOS OS QUE AMAM O CRISTO.
        Muitos queixam-se da dificuldade de conseguir a união com o Eu profundo e posteriormente a unificação com o Cristo. Mas a condição de obter-se isso, é uma só: AMÁ-LO e seguir-lhe as ordens, obedecer-lhe às intuições, viver-lhe os ensinos, renunciando a tudo, com desapego total (não abandono!), absoluto, permanente de objetos, de pessoas, de seu próprio eu pequeno, de seu próprio intelecto, de sua própria cultura, de todos os seus conhecimentos humanos.
        De que vale a própria “sabedoria” humana da personagem? “A Sabedoria da carne (da personagem) é adversária de Deus” (Rom. 8:7); e mais: “Se alguém, entre vós, se julga sábio neste mundo, tornese louco para tornar-se sábio, pois a sabedoria deste mundo é loucura perante Deus” (1.ª Cor. 3:18-19).
        Quem assim ama o Cristo, entra plenamente na sintonia crística (reino dos céus) e, logicamente, na sintonia do Pai, na frequência do SOM cósmico, cuja tônica, em cada planeta, é dada pela tônica de seu Governador, o Pai plasmador e sustentador de tudo.
        Estabelecida a sintonia no receptor, a onda da Estação transmissora entra perfeitamente, sem distorções: é a união do amor mais perfeito, a onda hertziana em vibrações de beleza, de bem, de verdade, que entra e replena o circuito do receptor bem sintonizado em alta fidelidade, numa unificação total, no amor mais puro e absorvente.
        E se o aparelho é aquilo que denominamos de “televisor”, além do som, entra a imagem: “eu mesmo me manifestarei a ele”. O verbo emphaínô significa exatamente “manifestar-se visivelmente” ou “fazer-se ver”, isto é “mostrar-se”; daí ter sido dito: “felizes os limpos (desapegados) de coração, porque verão a Deus (Mat. 5:8; vol. 2.º, página 128).
        Visão contemplativa, não de uma forma física, mas sem forma, pois estamos no plano mental (arupa) onde só se percebe o caminho (Cristo), o Som que é a Verdade (Pai) e a Luz que é a Vida (Espírito, a Divindade).
        Jamais esperem os iniciantes ver com olhos físicos; nem mesmo os médiuns que se ambientaram no astral, esperem ver com o olho de Shica a forma humana do Cristo ou do Pai: é mais alto, mais elevado, mais sublime. Trata-se da absorção, pela mente, das ondas espirituais que emanam do Pai como SOM e do Espírito Santo como LUZ e envolvem e impregnam o Espírito do Adepto, e se transubstanciam nele, numa fusão daí por diante indissolúvel e irreversível: mais uma vez o Cristo se transubstancia na criatura, e mais uma vez teremos um Avatar, um Hierofante cristificado, um Buddha.
        Judas não contém sua curiosidade: por que seria que essa manifestação, prometida aos discípulos que O amassem, não seria feita ao mundo? Não seria um acontecimento fabuloso se isso ocorresse, elevando todos a planos superiores?
        Volta o Cristo a paciente e caridosamente elucidar o discípulo insofrido: “Se alguém me ama, executa meu ensino”, no sentido de cima: obedece, VIVE o ensino. E também em outro sentido: realiza meu Logos (SOM, Palavra), ou seja, passa a VIVER MEU SOM, a vibrar na mesma nota fundamental, na mesma frequência vibratória, no mesmo tom. E repete uma vez mais: “o Pai o amará e eu (o Cristo) e o Pai viremos (como uma só coisa) e habitaremos nele”: e passaremos a viver em lugar dele, e nos transubstanciaremos nele.
        Não é possível ser mais explícito nem proferir palavras mais consoladoras, ensinos mais profundos: a união será permanente: habitaremos (monên par 'autôi poiêsómetha, isto é, faremos nele nossa moradia) ou permaneceremos nele, dentro e em redor dele. Não há mais separação, não há mais distinção.
        A que mais pode aspirar-se nesta Terra?
        Volta-se, então, para o outro lado, ao referir-se ao mundo: “Quem não me ama”, preferindo as exterioridades superficiais do mundo e seu próprio eu pequeno, “não realiza evidentemente meu ensino” e, logicamente, não tem possibilidade de perceber a sintonia do Cristo interno: recebe e realiza as ondas de outras estações emissoras. E mais uma vez é dada garantia absoluta da fonte de onde emanam as revelações; “o ensino que ouvis (ho lógos hón akoúete, cfr. vol. 4) não é meu, mas do Pai que me enviou”.
        Ainda uma vez revela-se a obediência cega às ordens do “Pai, que é maior que eu”: o Filho faz a vontade do Pai sem titubear, repete o ensino do Pai, revela o Lógos (SOM, Palavra) paterno, como lídimo intérprete que não trai a confiança nele depositada.

[67 - Volume 8 - Capítulo "O ADVOGADO" - páginas 10/12]

PARÁCLITO - Um advogado, intercessor, que faz petições. No Cristianismo significa o Espírito Santo, considerado como confortador, intercessor ou advogado. (Etmologia: paracletus ou parakletos - parakalein, chamar, confortar, atrair; para + kalein, chamar - clamar)

http://www.eon.com.br/unilae/unil351.htm#PAR%C1CLITO

— INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS —
A vinda do Espírito de Verdade

  • Como em tempos passados, entre os extraviados filhos de Israel, venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como a minha palavra em tempos passados, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grandioso que faz a planta germinar e as ondas se levantarem. Revelei a doutrina divina; como um ceifeiro, juntei em feixes o bem espalhado na humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.”

    Porém, os homens ingratos se afastaram do caminho largo e reto que conduz ao reino de meu Pai e se extraviaram nos ásperos e estreitos caminhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto a morte não existe, sejais socorridos e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz daqueles que não estão mais na Terra seja ouvida para vos bradar: Orai e acreditai, pois a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e se desenvolver como o cedro.

    Homens fracos, que percebeis as trevas de vossas inteligências, não afasteis a tocha que a clemência divina coloca entre vossas mãos para aclarar vosso caminho e vos reconduzir, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.

    Sinto-me cheio de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza para deixar de estender a mão segura aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Acreditai, amai, meditai nas coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com o bom grão, as utopias às verdades.

    Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instru í-vos, eis o segundo. Todas as verdades encontram no Cristianismo; os erros que nele criaram raízes são de origem unicamente humana; e eis que do outro lado do túmulo, onde acreditáveis que nada existia, vozes vos gritam: “Irmãos, nada morre! Jesus_Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”

    (O Espírito de Verdade. Paris, 1860.)

  • Venho ensinar e consolar os pobres deserdados; venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, visto que a dor foi consagrada no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, pois os anjos consoladores também virão enxugar suas lágrimas.

    Trabalhadores, arai o vosso campo, recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera; o trabalho das vossas mãos fornece o pão terrestre para os vossos corpos, mas vossas almas não são esquecidas; e eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando a hora do repouso soar, quando a trama de vossas vidas escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no reino de nosso Pai e, vossos esforços, vossas misérias formam o tesouro que deve vos tornar ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais despojado de todos vós talvez seja o mais resplandecente.

    Em verdade vos digo: aqueles que carregam seus fardos e que assistem aos seus irmãos são meus bem-amados; aprendei com a preciosa_doutrina que acaba com o erro das revoltas, e que vos demonstra o objetivo sublime da prova humana. Assim como o vento varre a poeira, que o sopro dos espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos da Terra, que freqüentemente são muito miseráveis, porque suas_provas_são_mais_perigosas_que_as_vossas. Eu estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para um dia vos lançardes, livres e felizes, no seio daquele que vos criou frágeis, para vos tornar perfectíveis, e deseja que modeleis, vós mesmos, a vossa própria argila, a fim de serdes os artesãos da vossa imortalidade.

    (O Espírito de Verdade. Paris, 1861.)

  • Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer o remédio que deve curar-vos; os fracos, os sofredores e os enfermos são meus filhos prediletos e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e que estais sobrecarregados e sereis consolados e aliviados; não procureis a força e a consolação em outro lugar, porquanto o mundo é incapaz de proporcioná-las. Deus faz um supremo apelo aos vossos corações por meio do Espiritismo; escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade sejam extirpados de vossas almas doloridas; são monstros que se saciam com vosso sangue mais puro e que vos provocam chagas quase sempre mortais. Que no futuro pratiqueis a lei divina, humildes e submissos ao Criador. Amai e orai, sede dóceis aos espíritos do Senhor; invocai-o do fundo do coração; então ele vos enviará seu filho bem-amado para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui, venho até vós porque me chamastes.”

    (O Espírito de Verdade. Bordeaux, 1861.)   

  • Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que imploram por ela. Seu poder cobre a Terra inteiramente e, por toda a parte, ao lado de cada lágrima ele colocou um bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua, e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Que todos os espíritos sofredores possam compreender essa verdade, em vez de se revoltarem contra as dores e os sofrimentos morais que são o seu quinhão aqui na Terra. Usai, pois, como divisa, estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos proporciona a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração trabalha melhor, a alma se acalma e o corpo não sofre mais desfalecimentos, visto que, quanto mais o espírito é profundamente atingido, mais o corpo sofre.

    (O Espírito de Verdade. Le Havre, 1863.)

[24 - Capítulo VI]

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e vimos a sua glória, sua glória tal quanto o Filho único deveria recebê-la do Pai; ele, digo eu, habitou entre nós, cheio de graça e de verdade."

(João, cap. 1º, v. de 1 a 14.)

DESPERTAI!
(Sociedade Espirita de Paris. Médium senhora Costel.)

          Falar-te-ei dos sintomas e das predições que, por toda a parte, anunciam a chegada de grandes acontecimentos que o nosso século encerra. Por uma tocante bondade, os Espíritos, mensageiros de Deus, advertem o Espírito dos homens, como as dores advertem a mãe de seu parto próximo. Esses sinais, freqüentemente menosprezados, e todavia sempre justificados, se multiplicam ao infinito, neste momento.

  • Por que sentis todos o Espírito profético agitar os vossos corações e sacudir as vossas consciências?
  • Por que as incertezas?
  • Por que as fraquezas que perturbam os corações?
  • Por que o despertar do espírito público que, por toda parte, arvora a sua orgulhosa bandeira?
  • Por quê?

    • É que os tempos estão chegados;
    • É que o reino do materialismo abala-se, e vai desmoronar-se;
    • é que os gozos do corpo, logo menosprezados, vão dar lugar ao reino da idéia;
    • é que o edifício social está carcomido, e vai dar lugar à jovem e triunfante legião das idéias Espíritas, que fecundarão as consciências estéreis e os costumes mudos.

          Que essas palavras, incessantemente repetidas, não vos encontrem distraídos e indiferentes; recolhei, depois que o lavrador semeou, as preciosas espigas que nascerem; não digais: a vida segue o seu curso e uma marcha normal; os nossos pais nada viram do que se anuncia hoje: não veremos mais do que eles. Adoraremos o que eles adoraram, ou antes substituímos a adoração por fórmulas vás, e tudo estará bem. Assim falando, dormis; despertai, porque não é a trombeta do julgamento final que estourará em vossos ouvidos, mas a voz da verdade; não se trata da morte vencida e humilhada, trata-se da vida presente, ou antes, da vida eterna; não a esqueçais e despertai.

HELVÉTIUS

[37 - página 202] - Allan Kardec - Junho/1861 - http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1861/06f-dissertacoes.html#despertai

A Verdade vai nascer
Revista Espírita, abril de 1861
(Envio do Sr. Sabo, de Bordeaux.)

          Quais são os dolorosos gemidos que vêm ressoar até o meu coração e fazem-no vibrar todas as fibras?

  • É a Humanidade que se debate sob os esforços de um rude e penoso trabalho, porque ela vai dar nascimento à Verdade.

          Acorrei, pois, Espíritas, alinhai-vos em torno de seu leito de sofrimento; que os mais fortes dentre vós tenham seus membros rijos sob as convulsões da dor: que outros esperem o nascimento dessa_criança e a recebam em seus braços na sua entrada na vida. O momento supremo chega; ela se escapa, por um último esforço, do seio que a concebeu, deixando sua mãe algum tempo abatida sob a atonia da fraqueza. Entretanto, ela nasceu sã e robusta, e de seu largo peito aspira a vida a plenos pulmões. Vós, que assistis ao seu nascimento, é necessário que a seguis passo a passo em sua vida.

  • Vede! A alegria de ter dado o nascimento dá à sua mãe uma recrudescência de força e de coragem, e de seus acentos fraternais ela chama todos os homens para se agruparem em torno dessa criança de bênção, porque pressente que de sua voz retumbante vai, em alguns anos, fazer cair a base do Espírito de mentira, e, verdade imutável como o próprio Deus, chamar para o Espiritismo todos os homens sob a sua bandeira.

          Mas não comprará o triunfo senão ao preço da luta, porque há inimigos obstinados que conspiram a sua perda, e esses inimigos são ...

  • o orgulho,
  • o egoísmo,
  • a cupidez,
  • a hipocrisia
  • e o fanatismo, inimigos todo-poderosos que até então reinaram com império e não se deixarão destronar sem resistência.

          Alguns riem de sua fraqueza, mas outros temem a sua chegada e pressentem a sua ruína; por isso eles procuram fazê-la perecer, como outrora Herodes procurou fazer Jesus perecer no massacre dos Inocentes. Essa criança não tem pátria; ela percorre sobre toda a Terra, procurando o povo que, o primeiro, que erguerá a sua bandeira, e esse povo será o mais poderoso entre os povos, porque tal é a vontade de Deus.

MASSILLON.

[37 - página 135] - Allan Kardec - Abril/1861 - http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1861/04g-dissertacoes.html

Espírito de Verdade, quem seria ele?

Site OPINIÃO ESPÍRITA: http://www.opiniaoespirita.org/evqse_psns.htm


Ver também:

 

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS