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Encarnado,
conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve e dos conhecimentos
que adquiriu nas existências anteriores. Guarda
vaga lembrança, que lhe dá o que se chama idéias
inatas. Os
conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes.
Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente;
porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso.
Se não fosse
assim, teria que recomeçar constantemente. Em cada nova
existência, o ponto de
partida, para o Espírito, é o em que, na existência
precedente, ele ficou.
[9a
p.140 q.218]
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A
origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo
prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das línguas, do
cálculo, etc., está na lembrança
do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência.
Donde queres que venham tais conhecimentos ? O corpo muda, o Espírito, porém, não muda, embora troque de
roupagem.
[9a
p.141 q.219]
O
Espírito, mudando de corpo, pode perder algumas faculdades intelectuais, deixar de ter, por exemplo, o gosto das artes,
desde
que conspurcou a sua inteligência ou a utilizou mal. Depois, uma faculdade
qualquer pode permanecer adormecida durante uma existência, por querer o Espírito exercitar outra, que nenhuma relação tem
com aquela. Essa, então, fica em estado latente,
para reaparecer mais tarde.
[9a
p.141 q.220]
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Dever-se-ão
atribuir a uma lembrança retrospectiva o sentimento instintivo que
o homem, mesmo quando selvagem, possui da existência de Deus e o pressentimento
da vida futura. É
uma lembrança que ele conserva do que sabia como Espírito antes de encarnar. Certas crenças
relativas à Doutrina Espírita
, que se observam em todos os
povos, são devidas a essa mesma lembrança. Esta doutrina
é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda parte a encontramos,
o que constitui prova de que é verdadeira.
Conservando a intuição
do seu estado de Espírito, o Espírito encarnado tem,
instintivamente, consciência do mundo invisível,
mas os preconceitos bastas vezes falseiam essa idéia e a ignorância lhe
mistura a superstição.
[9a
p.141 q.221]
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Ver
também:
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