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Desgosto da vida - Suicídio
O desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos
indivíduos, é fruto da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
Para aquele que
usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais,
o trabalho nada tem de árido e a
vida se escoa mais rapidamente.
Ele lhe
suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e
resignação, quanto obra
com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.
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- página 439
questão 943]
O suicídio que tem como causa o desgosto da
vida é fruto da insensatez.
"Insensatos! Por que
estes suicidas não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão
pesada".
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questão 945]
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Pobre
Espírito, aquele que comete o suicídio cujo fim é
fugir às misérias e às
decepções deste mundo, que não têm a coragem de suportar as misérias da
existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem.
As
tribulações da vida são provas ou
expiações. Felizes os que as suportam sem
se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a
salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a
fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por
um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade
dessas palavras.
Ai
daqueles que hajam conduzido o desgraçado a esse ato de
desespero, sofrerão as
conseqüências de tal proceder. Responderão como por um assassínio.
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- página 439
questão 946] |
É
tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que
procura escapar à vergonha de uma ação má. O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez
de uma, haverá duas. Quando
se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as
conseqüências. Deus, que julga, pode, conforme a causa, abrandar os rigores de
Sua justiça.
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- página 440
questão 948]
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Quando tenha por fim
obstar a que a vergonha caia
sobre os filhos, ou sobre a família, também não é desculpável. O
que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, Deus lhe leva isso em
conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe
atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Demais; eliminai da vossa sociedade os abusos e os preconceitos e deixará de haver desses
suicídios.
Aquele
que tira de si mesmo a vida, para fugir à vergonha de uma ação má, prova que
dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus, visto que volta para a
vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de
repará-los durante a vida corpórea. Deus, geralmente, é menos inexorável do
que os homens. Perdoa aos que sinceramente se arrependem e atende à
reparação. O suicídio nada repara.
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- página 440
questão 949] |
É
loucura, aquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida
melhor. Que faça o bem e mais cedo estará de lá chegar, pois, matando-se,
retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa.
Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos.
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questão 950]
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É meritório o sacrifício da
vida, quando aquele que o faz visa
salvar a de outrem, ou ser útil aos seus semelhantes. Isso
é sublime, conforme a intenção, e, em tal caso, o sacrifício da vida não
constitui suicídio. Mas, Deus se opõe a todo sacrifício inútil e não o pode
ver de bom grado, se tem o orgulho a manchá-lo. Só o desinteresse torna
meritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda oculto um pensamento,
que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.
Todo
sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque resulta da prática da lei de
caridade. Ora, sendo a vida o bem terreno a que maior apreço dá o homem, não
comete atentado o que a ela renuncia pelo bem de seus semelhantes: cumpre um
sacrifício. Mas, antes de o cumprir, deve refletir sobre se sua vida não será
mais útil do que sua morte.
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questão 951] |
Quando
uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, também será culpada se
abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua
morte. É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a
existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse
termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?
Mesmo
quando a vida só
é encurtada de alguns instantes. É
sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.
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- página 442
questão 953]
Será
condenável uma imprudência que compromete a vida sem necessidade.
Entretanto, não
há culpabilidade, em não havendo intenção, ou consciência perfeita da
prática do mal.
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- página 442
questão 954]
Aqueles que, não podendo conformar-se com a
perda_de_pessoas_que_lhes_eram_caras, se matam na esperança de ir juntar-se-lhes, muito
diverso do que esperam é o resultado que colhem. Em vez de se reunirem ao que
era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo, pois não é
possível que Deus recompense um ato de covardia e o insulto que Lhe fazem com o
duvidarem da Sua providência. Pagarão esse instante de loucura com aflições
maiores do que as que pensaram abreviar e não terão, para compensá-las, a satisfação que esperavam.
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- página 443
questão 956] 
Muito
diversas são as conseqüências do suicídio. Não há penas determinadas e, em
todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém,
uma conseqüência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas,
a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a
falta imediatamente, outros em nova
existência, que será pior do que aquela
cujo curso interromperam.
A
observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são
idênticos.
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Alguns há, porém, comuns a todos os casos de morte_violenta e que
são a conseqüência da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a
persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao
corpo (Ver: Cordão_de_prata e Perispírito), por
estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é
partido,
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ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente.
As
conseqüências deste estado de coisas são o prolongamento da perturbação
espiritual, seguindo-se à ilusão em que, durante mais ou menos tempo, o
Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos.
A
afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz nalguns suicidas, uma
espécie de repercussão do estado do corpo_no_Espírito, que, assim, a seu mau
grado, sente os efeitos da decomposição, donde lhe resulta uma sensação
cheia de angústias e de horror, estado esse que também pode durar pelo tempo
que devia durar a vida que sofreu interrupção. Não é geral este efeito; mas,
em caso algum, o suicida fica isento das conseqüências da sua falta de coragem
e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu. Assim
é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas,
para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se,
a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva
interdito. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil,
pois que só decepções encontram.
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às
leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.
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Entretanto, por que não se tem esse direito?
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Por que não é livre o homem de por termo aos seus sofrimentos?
Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei moral,
consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se
dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as
vistas.
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questão 957] |
Figuremos um homem
acovardado diante da luta, perpetrando o suicídio
aos quarenta anos de idade no corpo_físico. Esse homem penetra no mundo espiritual sofrendo as
conseqüências imediatas do gesto infeliz, gastando tempo mais ou menos
longo, segundo as atenuantes e agravantes de sua deserção, para recompor
as células do veículo_perispirítico, e, logo que oportuno, quando_torna_a_merecer_o_prêmio de um corpo carnal na Esfera Humana,
dentre as provas
que repetirá, naturalmente se inclui a extrema tentação ao suicídio
na idade precisa em que abandonou a posição de trabalho que lhe cabia,
porque as imagens destrutivas, que arquivou em sua mente, se desdobrarão,
diante dele, através do fenômeno a que podemos chamar «circunstâncias_reflexas», dando azo a recônditos desequilíbrios emocionais
que o situarão,
logicamente, em contacto com as forças desequilibradas que se lhe ajustam
ao temporário modo de ser. Se esse homem não houver amealhado recursos
educativos e renovadores em si mesmo, pela prática da fraternidade e do
estudo, de modo a superar a crise inevitável, muito dificilmente
escapará ao suicídio,
de novo, porque as tentações, não obstante reforçadas por fora de nós,
começam em nós e alimentam-se de nós mesmos.
[83
- página 93] - Informações do Espírito André
Luiz, conforme instruções do
Espírito Sânzio. |