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Jesus
aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação
que leva o padecente a bendizer do sofrimento,
como prelúdio da cura.
Também podem essas palavras ser traduzidas assim:
-
Deveis
considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que
as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas
passadas faltas vos fizeram contrair;
-
suportadas
pacientemente na Terra,
essas dores vos poupam séculos de sofrimentos
na vida futura.
-
Deveis,
pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus
a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora,
o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.
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O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas,
conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto
mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração
do sofrimento.
-
Ora,
aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe
de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito,
compreende-lhe a curteza e reconhece que esse
penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro
mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao
Céu as dores que o fazem avançar.
-
Contrariamente,
para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece
esta, e a dor o oprime com todo o seu peso.
Daquela maneira de considerar a vida, resulta ser
diminuída a importância das coisas deste mundo, e sentir-se compelido o
homem
-
a
moderar seus desejos,
-
a
contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros,
-
a
receber atenuada a impressão dos reveses e das
decepções que experimente.
Dai tira ele uma calma e uma resignação
tão úteis à saúde do corpo
quanto à da alma, ao passo que, com a inveja,
o ciúme
e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as
misérias e as angústias da sua curta existência.
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