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Blaise Pascal

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        Blaise Pascal revelou-se gênio desde cedo. Com 12 anos por si só descobriu a matemática, uma vez que foi impedido por seu pai o contato com livros sobre o assunto. Não parou por aí. A sua contribuição para a ciência foi significativa e de grande importância. Atuou na matemática, na física, na geometria, mas é com suas reflexões filosóficas e teológicas que mais surpreende a humanidade. Só não contribuiu mais, foi devido a sua morte prematura aos 39 anos. Seus escritos filosóficos "exprimem com incomparável eloqüência às ansiedades que agitam a alma_humana. Ao longo dessas páginas imortais, animadas de ardente misticismo, sente-se no entanto, a cada momento, a forte disciplina do espírito geométrico. Mais do que a disciplina: a inspiração. O pensamento de Pascal tem raízes profundas nessa análise do infinito" (Costa, 1971), que no seu tempo ressurgiram com nova roupagem. "Pascal foi geômetra no belo sentido pleno da palavra. Seu gênio multiforme procurou a verdade em todos os terrenos." (Costa, 1971)

        Filho de Étienne Pascal e Antoniette Bejon, Blaise Pascal nasceu a 19 de julho de 1623, em Clermont-Ferrand, na França. "Quando tinha apenas três anos, Blaise perdeu a mãe e, como era o único filho do sexo masculino, o pai encarregou-se diretamente da sua educação. É tienne desenvolvia um método singular de educação do filho, com exercícios de diversos tipos para despertar o apego a razão e ao juízo correto. Geografia, história e filosofia eram disciplinas ensinadas, sobretudo, por meio de jogos. É tienne acreditava, entretanto, que aulas de matemática só deveriam ser mantidas ao filho quando este estivesse mais maduro." (Falceta, 1998b)

        Dessa forma, mantinha longe do menino os grossos livros de matemática. O pequeno teve, no entanto, despertada sua curiosidade sobre aqueles "estranhos" assuntos. De conversas que ouvia ou de obras que passavam pela censura do pai, logo descobriu as maravilhas da ciência dos números. Mesmo sem professor ou livro guia, passou a desenvolver seus estudos. "Um dia, o pai flagrou-o desenhando no piso figuras geométricas com carvão. Estavam ali, por intuição, várias das proposições da matemática de Euclides. Pascal chegou à 32a. fórmula proposta no livro 1 do velho sábio. Foi dado ao inquieto menino, então, permissão para que avançasse livremente sobre aqueles ramos do conhecimento.

        Pascal juntou-se aos sábios do círculo de Mersenne quando tinha 13 anos de idade. Ali, pode colecionar informações para desenvolver mais rapidamente seus trabalhos. Aos 17 anos, descobriu e publicou uma série de teoremas em geometria projetiva, fundamentais ao desenvolvimento tecnológico futuro, no campo da aviação." (Falceta, 1998c) Mais tarde, para ajudar o pai, sempre ocupados com números, dedicou-se a criar uma máquina de calcular. Por imaginar a revolução no futuro das máquinas de pensar, Pascal é o nome de um importante e famoso programa de base para computadores, usado em todo mundo. Pascal desenvolveu importantes estudos que tiveram como inspiração as descobertas do italiano Torricelli sobre a pressão atmosférica.

        A partir de 1647, Pascal passou a dedicar seus dias à aritmética. Desenvolveu cálculos de probabilidade, a fórmula de geometria do acaso, o conhecido Triângulo de Pascal e o tratado sobre as potências numéricas.

        Mas o trabalho excessivo minou a sua saúde, débil por constituição, e ele caiu gravemente enfermo. Em 1648 freqüentou, com sua irmã Jacqueline, os seguidores de Saint-Cyran, que o levaram ao misticismo de Port-Royal. Depois da morte do pai, seu fervor religioso arrefeceu um pouco, iniciando-se o chamado período mundano de Pascal, devido em parte à proibição médica de dedicar-se a trabalhos intelectuais, prejudiciais à sua saúde, e em parte, de praticar exercícios de penitência. Mme. Perier, sua irmã, observa, porém, que neste período, "por graça de Deus, Pascal manteve-se longe dos vícios". A crise mundana foi superada na noite de 23 de novembro de 1654, graças a uma espécie de visão mística.

        Se Pascal merece ser estudado, é porque viveu intensamente situações que fazem o homem lembrar-se de quem é: a morte prematura da mãe, a vida mundana após a morte do pai, o convívio com os pobres, a doença, o diálogo com os demais, a busca da verdade de modo aberto e profundo dentro do universo infinito e da sua totalidade.

        Convertido à religião, Pascal se dedica a filosofia. Depois de participar de grupos dados à "libertinagem" e aos jogos de azar, o gênio Pascal experimentou uma revolução em sua vida. Em 1654, escapou da morte em um acidente de carruagem numa das pontes de Paris. Logo depois, em um êxtase_espiritual, decidiu dedicar-se com fervor à militância religiosa e depois à contemplação e à oração. Após a conversão, documentada de forma comovente em Memorial, Pascal faz grandes progressos na vida espiritual como se pode ver também pela Oração para pedir a Deus a graça de fazer bom_uso_das_enfermidades, escrito edificante e perene. "À conversão segue-se o reatamento de relações, cada vez mais freqüentes e intensas com Port-Royal, que por esta época, tinha recebido dentro de seus muros um pequeno grupo de leigos, desejosos de uma vida de penitência e de santificação." (Mondin, 1981)

        Pascal converteu-se, naquela época, ao jansenismo, uma corrente religiosa nascida no catolicismo. "O movimento teve início com o bispo holandês Cornélio Jansênio (1585-1638), que protestava contra o racionalismo supostamente exagerado da teologia escolástica." (Falceta, 1998d).

http://www.hottopos.com.br/vidlib2/blaise_pascal.htm 

        As análises sobre o milagre são fundamentais no pensamento de Pascal, pois determinam o centro de todas as suas reflexões religiosas e filosóficas: a figura de Cristo, mediador entre o finito (as criaturas) e o infinito (Deus criador). Em função de Cristo, Pascal estabelece a verdadeira relação entre os dois Testamentos: 

  • o Antigo revelaria a justiça de Deus, perante a qual todos os homens seriam culpados pela transmissão do pecado original; 

  • o Novo revelaria a misericórdia de Deus, que o leva a descer entre os homens por intermédio de seu Filho, cujo sacrifício infunde a graça santificante no coração dos homens e os redime. 

        A ideia central de Pascal sobre o problema religioso é, portanto, a de que:

http://www.mundodosfilosofos.com.br/pascal.htm 

Blaise Pascal - por Bill Tsamis

"Há luz suficiente para os que desejam ver, e há trevas suficientes para os de disposição contrária."
Pensamento 149


        ...Foi em janeiro de 1646 quando seu pai teve a perna seriamente lesionada, que dois homens profundamente religiosos vieram cuidar do adoentado Etienne - assim, Blaise ficaria profundamente impressionado pelo grau de caridade_cristã e espiritualidade que estes dois homens evocavam.  Desde que estes dois homens eram Jansenistas, pareceu natural a Pascal ser atraído pela escola de pensamento jansenista. 


http://www.apologetics.org/portugues/pascal.html
 

       Mas por que então um gênio tão promissor, que construiu até a primeira máquina de calcular moderna do mundo (para ajudar seu pai no trabalho), 

  • não continuou seus estudos? 

  • Não se aprofundou em assuntos tão novos como o da Geometria Projetiva ou da Pressão nos Fluídos

  • Por que não aperfeiçoou sua máquina de calcular que só fazia somas e subtrações? Neste caso específico, não subestime o leitor a existência de um aparato como aquele, tamanha a facilidade que temos hoje de obter uma maquininha destas de calcular eletrônicas. Naquela época um aparelho como aquele significava nada mais nada menos do que "reduzir a uma máquina uma ciência que se encontra no espírito", algo de fato assombroso. Sabe-se que foi neste período que Pascal encontrou o prazer em vinho e mulheres e a partir daí carregou até o fim da vida o tormento de fortes dores estomacais (dispepsia aguda), que o impediam até de comer, além de insuportáveis dores de cabeça e insônia.

        Aos 23 Pascal sofre sua primeira "conversão". Seguidor do Janseísmo, uma dissidência da Igreja Católica, passa a escrever seus pensamentos e volta-se ao próximo. 

  • Dizia que: 
    "Tudo que é objeto da
    não o pode ser da razão e nem a esta submetida"

  • e meditava: 
    "Se o homem não é feito para
    Deus, por que só se sente feliz em Deus? 
    Se o homem é feito para Deus, por que é tão contrário a Deus?"
    .

  • A cura duma fístula lacrimal da sua sobrinha, filha de Gilberte, feita por um Santo Espinho que acreditavam pertencer à coroa de Cristo, o fez escrever: 
    "Se há milagres, há algo acima do que denominamos Natureza; a conseqüência está no bom senso: basta averiguarmo-nos da certeza e da verdade dos milagres"
    .

http://www.geocities.com/CollegePark/Bookstore/2334/matematica/pascal.html 

        Aos dezoito anos e com o objetivo de ajudar o pai na tarefa de cobrar impostos, Pascal inventou a primeira máquina digital, chamada Pascalinne para levar a cabo o processo de adição e subtração, e posteriormente organizou a produção e comercialização destas máquinas de calcular (que se assemelhava a uma calculadora mecânica dos anos 40). Pelo menos sete destes «computadores» ainda existem; uma foi apresentada à rainha Cristina da Suécia em 1652.

        Quando o seu pai morreu em 1651, Pascal escreveu a uma das suas irmãs uma carta sobre a morte com um profundo significado cristão em geral e em particular sobre a morte do pai. Estas suas ideias religiosas foram a base para a sua grande obra filosófica "Pensées" que constitui um conjunto de reflexões pessoais acerca do sofrimento humano e da fé em Deus.

        Em Física destacou-se pelo seu trabalho "Tratado sobre o equilíbrio dos líquidos" relacionado com a pressão dos fluídos e hidráulica. O princípio de Pascal diz que a pressão em qualquer ponto de um fluido é a mesma, de forma a que a pressão aplicada num ponto é transmitida a todo o volume do contentor. Este é o princípio do macaco e do martelo hidráulicos.

        Pascal estudou e demonstrou no trabalho do "Triângulo aritmético", publicado em 1654, diversas propriedades do triângulo e aplicou-as no estudo das probabilidades.

http://pet.mtm.ufsc.br/biopas.html 

"Por mais que dilatemos as nossas concepções para lá dos espaços imagináveis, tudo o que concebemos são átomos apenas, frente à realidade das coisas. É uma esfera infinita, cujo centro está em toda a parte, e a circunferência em parte alguma."


Blaise Pascal, (1623-1662)

http://www.malhatlantica.pt/luisperna/pensamentos.htm 

       Depois da morte de Pascal foi encontrado, no forro de sua vestimenta, um bilhete datado de 23 a 24 de novembro de 1654, em que ele relata uma espécie de êxtase que teria experimentado, e demonstra um desejo ardente de se consagrar às coisas espirituais.

       Escrevendo suas "Cartas Provinciais", Pascal apresenta a verdadeira Igreja do Cristo não circunscrita a uma determinada organização eclesiástica, menos ainda a determinados homens de um certo período, representando casualmente a Igreja, mesmo porque, falíveis os homens, insegura seria a fé. Em 1657, suas "Cartas", dezoito ao todo, foram relacionadas no Index, da Igreja.  São consideradas um dos maiores monumentos da literatura francesa e o atestado de uma grande sinceridade cristã.

        A respeito, pronunciou-se Pascal: "Roma condenou as minhas Cartas; mas o que nelas condenei está condenado no céu _ apelo para o teu tribunal, Senhor Jesus!"

        Relata que pediu a Deus 10 anos de saúde para poder escrever sua apologia do Cristianismo, que o mundo viria a conhecer com o nome de "Pensées", contudo, confessa, Deus lhe deu quatro anos de enfermidade.

        Nessa Apologia, ele apresenta Cristo não como o "Senhor morto" de tantos cristãos, mas o Cristo vivo, sempre-vivo, aquele Cristo que segue com os homens, todos os dias.

        Amar era para ele a melhor forma de crer, a "razão do coração que a razão ignora". Deus é, antes de tudo o Sumo Bem, o alvo do amor, e ele afirmava não poder crer senão num Deus que pudesse amar sinceramente. A mensagem para a humanidade de sua época, para os melhores homens do século, foi uma mensagem de vasta, profunda e panorâmica espiritualidade cristã. Uma espiritualidade que brilha em todas as páginas do Evangelho, a espiritualidade do Cristo.


http://www.feparana.com.br/biografias/blaise_pascal.htm
 

Máquina aritmética inventada por Pascal aos 19 anos


Detalhe da máquina aritmética

[Livro "PENSAMENTOS", página 35/36 - Pascal]

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Crianças e Adolescentes

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