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Êxtase:
s. m.
- 1. Psicol. Estado de alma em que os sentidos se desprendem das coisas
materiais, absorvendo-se no enlevo e contemplação interior.
- 2. No culto grego de Dioniso, estado de inspiração e entusiasmo religioso.
O
êxtase é um sonambulismo
mais apurado. A alma do extático ainda é mais
independente.
[9a
- página 235 questão 439]
Mediante
os fenômenos do sonambulismo
e do êxtase, o homem entrevê a vida_passada e a vida_futura. Estude-os e achará o aclaramento de mais de um mistério,
que a sua razão inutilmente
procura devassa
[9a
- página 237 questão 445]
O Espírito do extático penetra realmente nos mundos
superiores. Vê
esses mundos e compreende a felicidade dos que os habitam, donde lhe nasce o desejo
de lá permanecer. Há, porém, mundos inacessíveis aos Espíritos que ainda
não estão bastante purificados.
[9a
- página 235 questão 440]
Depende do grau de purificação do Espírito.
Quando o extático manifesta o desejo de deixar a Terra, fala sinceramente,
não
o retém o instinto de conservação. Se verifica que a sua futura situação
será melhor do que a sua vida presente, esforça-se por desatar os laços que o
prendem
à Terra.
[9a
- página 236 questão 441]
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Se se deixasse o extático entregue a si mesmo, poderia sua alma abandonar
definitivamente
o corpo. Poderia morrer. Por isso é que preciso se torna chamá-lo a voltar,
apelando
para tudo o que o prende a este mundo, fazendo-lhe sobretudo compreender que a maneira
mais certa de não ficar lá, onde vê que seria feliz, consistiria em partir a
cadeia que o
tem preso ao planeta terreno.
[9a
- página 236 questão 442] |
O
que o extático vê é real para ele.
Mas, como seu Espírito se conserva sempre debaixo
da influência das ideias terrenas, pode acontecer que veja a seu modo, ou
melhor, que
exprima o que vê numa linguagem moldada pelos preconceitos e ideias de que se
acha imbuído,
ou, então, pelos vossos preconceitos e ideias, a fim de ser mais compreendido.
Neste
sentido, principalmente, é que lhe sucede errar.
[9a
- página 236 questão 443]
O
extático está sujeito a enganar-se muito freqüentemente, sobretudo quando
pretende
penetrar no que deva continuar a ser mistério para o homem, porque, então, se deixa
levar pela corrente das suas próprias ideias, ou se torna joguete de
Espíritos mistificadores,
que se aproveitam da sua exaltação para fasciná-lo.
[9a
- página 236 questão 444]
Aquele
que os estudar de boa-fé e sem prevenções não poderá ser materialista, nem ateu.
[9a
- página 237 questão 445]
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No
êxtase, penetra em um mundo
desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em
comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos
limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços
que o prendem ao corpo. Cerca-o então resplendente e desusado fulgor,
inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível
bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se
pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade.
No
estado de êxtase, o aniquilamento
do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se dizer, a vida
orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente por um fio,
que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão.
Nesse
estado, desaparecem todos os pensamentos terrestres, cedendo lugar ao
sentimento apurado, que constitui a essência mesma do nosso ser
imaterial. Inteiramente entregue a tão sublime contemplação, o extático
encara a vida apenas como paragem momentânea.
Considera os bens e os
males, as alegrias grosseiras e as misérias deste mundo quais
incidentes fúteis de uma viagem, cujo termo tem a dita de avistar.
Dá-se
com os extáticos o que se dá com
os sonâmbulos: mais ou menos perfeita podem ter a lucidez e o Espírito
mais ou menos apto a conhecer e compreender as coisas, conforme seja
mais ou menos elevado. Muitas vezes, porém, há neles mais excitação
do que verdadeira lucidez, ou, melhor, muitas vezes a exaltação lhes
prejudica a lucidez. Daí o serem, freqüentemente, suas revelações um
misto de verdades e erros, de coisas grandiosas e coisas absurdas, até
ridículas. Dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza,
quando o indivíduo não sabe reprimi-la, Espíritos inferiores costumam
aproveitar-se para dominar o extático,
tomando, com tal intuito, aos seus olhos, aparências que mais o aferram
às ideias que nutre no estado de vigília. Há nisso um escolho, mas
nem todos são assim.
Cabe-nos tudo julgar friamente e pesar-lhes as
revelações na balança da razão.
[9a
- página 243 questão 455] |
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