As igrejas nascidas do Cristianismo caminham para grande renovação.
O progresso assim exige. As ideias de céu e inferno e os excessos de natureza política, na hierarquia eclesiástica, estabeleceram grandes perturbações para a alma popular. Entretanto, cabe-nos considerar as religiões que envelhecem como frutos fortemente amadurecidos. A polpa alterada pelo tempo deve ser colocada à margem, contudo, as sementes são indispensáveis à produção do futuro. Auxiliemos as igrejas antigas, em vez de acusá-las. Todos somos filhos do Pai Celestial e onde houver o mínimo gérmen de Cristianismo aí surgirão recursos de recuperação do homem e da coletividade para o Cristo, Nosso Senhor. [4 - página 94]
São tão salientes os pontos de contato entre o Catolicismo, o Protestantismo e o Judaísmo, suas práticas tão semelhantes, que não é para admirar tenham os dois primeiros repelido o Espiritismo, pelo mesmo motivo pelo qual o terceiro repeliu o Cristianismo e, na impugnação, usando até a mesma proposição atirada à face do Cristo Jesus: "Este não expulsa demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios". Trabalho
de João Gonçalves Filho
O Padre François Charles Antoine Brune, Sacerdote católico, um dos mais
conhecidos no Brasil,
grande estudioso da tradição
Cristã do Oriente e professor de várias faculdades na França. É autor dos livros:
http://geocities.yahoo.com.br/carlos.guimaraes/quevedo3.html (Link desativado)
Com a conversão de Constantino (270?-337), em 312, o Cristianismo foi adotado como religião oficial do Império Romano. As controvérsias teológicas assumiram então a maior importância. Legitimando o poder político e aceito como explicação final da ordem da criação, o Cristianismo tornou-se a ideologia fundamental do Império. As interpretações teológicas constituíram formas alternativas de conceber a organização do poder eclesiástico e político. As doutrinas da Trindade e, especialmente, as que se referiam a Cristo expressavam em termos teológicos as esperanças a respeito da natureza humana e as concepções relacionadas ao papel da História.
O modo como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade --o Filho-- se fez homem e assumiu a natureza realmente humana representa o pensamento próprio da época, ao julgar as potencialidades do ser humano e fundar a esperança na transformação radical do homem, pecador e imperfeito. O Primeiro Concílio de Constantinopla decide, por sua vez, que a unidade absoluta em Deus é inseparável de uma diversidade igualmente absoluta: o Pai, fonte de divindade, seu Filho e seu Espírito.
Nos dois Concílios a decisão é a mesma: o Espírito Santo procede do Pai através do Filho.
As disputas política entre o Ocidente e o Oriente já anunciavam o irrevogável afastamento que mais tarde se concretizaria. Em meados do século IX, essa rivalidade é confirmada: Roma e Constantinopla empenham-se em controlar o recém-convertido czar da Bulgária Bóris. Bizâncio sai vencedora.
O Patriarca Fócios (820?-895?), de Constantinopla, elabora então um lista do que considera as heresias ocidentais e convence búlgaros a adotar as tradições orientais.
Constantinopla, que durante dez séculos preservara dos bárbaros os tesouros da civilização clássica crista, é totalmente destruída pelos cruzados, pela Igreja Ocidental organizada para combater os infiéis , num ato considerado sacrílego e cruel.
Os Concílios de Lyon, em 1274, e Florença, em 1439, tentam uma concordância doutrinária que não passa de compromisso formal.
Alguns inclusive entenderam a queda de Constantinopla como punição divina contra o Imperador e o Patriarca que aceitaram, em Florença, a supremacia italiana. O acordo, porém, foi inútil e o ano de 1453, com a invasão turca, marca o fim do Império Bizantino. As disputas religiosas, mescladas de motivos políticos, dificultam a fixação de uma nítida diferença teológica que explique o Cisma de 1054, ocorrido sob o Patriarcado de Miguel Cerulário (1000?-1059).
Tanto os oponentes ocidentais como orientais nunca se mostraram seguros, freqüentemente enfatizando diversos aspectos da controvérsia.
A partir disso, as discussões se ampliam para outras questões doutrinárias. As listas são elaboradas por ambas as partes e o número de heresias atribuídas a um e outro lado cresce durante os três séculos em que duraram as polêmicas.
Entre as várias heresias latinas contidas na lista do Patriarca Fócios está a que considera como falso o ensinamento sobre o Espírito Santo contido no Credo, na adição das palavras "e do Filho". Nos quatro primeiros Concílios Ecumênicos, o texto original tinha sido aprovado como profissão de fé de ambos os lados.
Supõe-se que o acréscimo foi feito na Espanha, entre os séculos V e VI. Carlos Magno adquiria assim um instrumento para a luta política contra Bizâncio.
Roma retira sua oposição à cláusula Filioque e, no século seguinte, durante a coroação de Henrique II (973-1024), o Credo era solenemente entoado na Igreja de São Pedro com a adição ofensiva.
Consideraram a expressão vaga e equívoca, capaz de gerar a suposição de que o Espírito Santofosse uma criatura.
Ele afirma que o significado da expressão grega empregada não é "através de," mas sim "a partir de", e por isso a cláusula Filioque constituiria uma heresia.
Esse dogma contraria a doutrina trinitária ortodoxa, que é acusada de não estabelecer relação entre o Filho e o Espírito Santo, não podendo, portanto, distingui-los. A doutrina FIlioquista significou para os romanos o triunfo da unidade divina sobre a diversidade. Muitos temas fixavam-se em aspectos menos vitais à fé crista. Em Bizâncio, tudo o que pudesse relacionar-se com a religião e seus rituais era discutido. Detinham-se em detalhes, ...
Eram discussões tão intensas e apaixonadas que um eventual desacordo entre os devotos poderia significar inimizade definitiva. Por isso, qualquer discussão mais minuciosa e estéril passou a ser chamada de "bizantina". RESUMO EXTRAÍDO DA PUBLICAÇÃO DA ABRIL CULTURAL "AS GRANDES RELIGIÕES " |
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