Estudando Mediunidade

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Palestra proferida, no plano espiritual, pelo Espírito-Instrutor Albério e transmitida pelo Espírito André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier:

        "Meus amigos, dando continuidade aos nossos estudos anteriores, precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos.

        Não ignoramos que o Universo, a estender-se no Infinito, por milhões e milhões de sóis, é a exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essência partilhamos, em nossa condição de raios conscientes da Eterna Sabedoria, dentro do limite de nossa evolução espiritual.

        Da superestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da Mente de Deus, como os peixes e as plantas da água estão contidos no oceano imenso.

        Filhos do Criador, dEle herdamos a faculdade de criar e desenvolver nutrir e transformar.

        Naturalmente circunscritos nas dimensões conceptuais em que nos encontramos, embora na insignificância de nossa posição comparada à glória dos Espíritos que já atingiram a angelitude, podemos arrojar de nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos é particular.

        Cada mundo possui o campo de tensão electromagnética que lhe é próprio, no teor de força gravítica em que se equilibra, e cada alma se envolve no círculo de forças vivas que lhe transpiram do “hálito” mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para imortalidade.

        Cada planeta revoluciona na órbita que lhe é assinalada pelas do equilíbrio, sem ultrapassar as linhas de gravitação que lhe dizem respeito, e cada consciência evolve no grupo_espiritual a cuja movimentação se subordina.

        Somos, pois, vastíssimo conjunto de Inteligências, sintonizadas no mesmo padrão_vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões se seres, que formam por assim dizer a Humanidade Terrestre.

        Compondo, assim, apenas humilde família, no infinito concerto da vida cósmica, em que cada mundo guarda somente determinada família da Humanidade Universal, conhecemos, por enquanto, simplesmente as expressões da vida que nos fala mais de perto, limitados ao degrau de conhecimento que já escalamos.

        Dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que se deslocam no Espaço, influenciados pelos astros que os cercam, agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos.

        Nossa mente é, destarte, um núcleo de forças inteligentes, gerando plasmas_sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios.

        A ideia de um “ser” organizado por nosso espírito, a que o pensamento dá forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção.

        Do conjunto de nossas ideias resulta a nossa própria existência.

        Segundo é fácil de concluir, todos os seres vivos respiram na onda de psiquismo dinâmico que lhes é peculiar, dentro das dimensões que lhes são características ou na freqüência que lhes é própria. Esse psiquismo independe dos centros nervosos, de vez que, fluindo da mente, é ele que condiciona todos os fenômenos da vida orgânica em si mesma.

        Examinando, pois, os valores_anímicos_como_faculdades_de_comunicação_entre_os_Espíritos, qualquer que seja o plano em que se encontrem, não podemos perder de vista o mundo mental do agente e do recipiente, porquanto, em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita às possibilidades e a interpretações dos pensamentos que é capaz de produzir.

  • Um hotentote desencarnado, em se comunicando com um sábio terrestre, ainda jungido ao envoltório físico, não lhe poderá oferecer notícias outras, além dos assuntos triviais em que se lhe desdobraram no mundo as experiências primitivistas, 

  • e um sábio, sem o indumento carnal, entrando em relação com o hotentote, ainda colado ao seu “habitat” africano, não conseguirá facultar-lhe cooperação imediata, senão no trabalho embrionário em que se lhe encravam os interesses mentais, como sejam o auxílio a um rebanho bovino ou a cura de males do corpo denso. Por isso mesmo, o hotentote não se sentiria feliz na companhia do sábio e o sábio, a seu turno, não se demoraria com o hotentote, por falta desse alimento quase imponderável a que podemos chamar “vibrações compensadas”.

  • É da lei, que nossas maiores alegrias sejam recolhidas ao contacto daqueles que, em nos compreendendo, permutam conosco valores mentais de qualidades idênticas aos nossos, assim como as árvores oferecem maior coeficiente de produção se colocadas entre companheiras da mesma espécie, com as quais trocam seus princípios germinativos.

        Em mediunidade, portanto, não podemos olvidar o problema da sintonia.

        Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá.        

       Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam os característicos em que se expressem, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitam fixar a luz que jorra para nós, das Esferas Mais Altas, através dos gênios da sabedoria e do amor que supervisionam nossas experiências.
  • Procederam acertadamente aqueles que compararam nosso mundo mental a um espelho. (Ver:Capacidade refletora do Perispírito)

  • Refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que criamos.

  • E, como não podemos fugir ao imperativo da atração, somente retrataremos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima.

  • Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo_físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosa,  a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”.

        Vemos a mediunidade em todos os tempos e em todos os lugares da massa humana.

        Missões santificantes e guerras destruidoras, tarefas nobres e obsessões pérfidas, guardam origem nos reflexos da mente individual ou coletiva, combinados com as forças sublimadas ou degradantes dos pensamentos de que se nutrem.

  • Saibamos, assim, cultivar a educação, aprimorando-nos cada dia.

  • Médiuns somos todos nós, nas linhas de atividade em que nos situamos.

  • A força psíquica, nesse ou naquele teor de expressão, é peculiar a todos os seres, mas não existe aperfeiçoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade.

  • É contraproducente intensificar a movimentação da energia sem disciplinar-lhe os impulsos.

  • É perigoso possuir sem saber usar.

  • O espelho sepultado na lama não reflete o esplendor do Sol.

  • O lago agitado não retrata a imagem da estrela que jaz no infinito.

  • Elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exercício constante das virtudes superiores, se nos propomos recolher a mensagem das Grandes Almas.

  • Mediunidade não basta só por si.

  • É imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção."

[28a - página 15] - André Luiz

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