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Ninguém
pode imaginar, enquanto na Terra,
o valor, a extensão e a eficácia de uma prece
nascida na fonte viva do sentimento.
Emmanuel
- (Reformador - 6/953) [55
- página 151]
Pode-se orar aos bons
Espíritos, como sendo os mensageiros
de Deus e os executores de Suas vontades. O
poder deles, porém, está em relação com a superioridade que
tenham alcançado e dimana sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja
permissão nada se faz. Eis por que as preces
que se lhes dirigem só são eficazes, se bem aceitas por Deus.
[9a
- página 322 questão 666]
O
poder da oração nem sempre será visto nas
ocorrências externas, tanto quanto desejas, mas sim em tua renovação na vida
íntima para que a paciência te socorra e a humildade te ilumine a fim de que
aceites as leis de Deus.
Emmanuel
-
[48 - página
49]
O
conhecimento espírita vai, a pouco e pouco, corrigindo distorções e
arcaísmos, no que diz respeito ao entendimento da prece,
seus objetivos e conseqüências.
Por
ela, ligamo-nos a Deus
através do concurso das luminosas entidades que Lhe representam a
Sabedoria e o Amor, nos inumeráveis planos da vida.
Segundo
o ensino doutrinário, podemos, na prece,
realizar três atos fundamentais, que independem de lugar, tempo, idioma,
duração e forma:
Quando
dizemos “Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o vosso
nome”, usando esta ou aquela forma verbal, nesta ou naquela atitude física,
estamos, invariavelmente, louvando a Deus, sua Misericórdia e sua Justiça,
porque ao Criador estamos elevando nosso pensamento respeitoso e
agradecido, confiante e sincero.
A
prece outra coisa não é senão uma
conversa que entretemos com Deus, Nosso Pai; com Jesus,
Nosso Mestre e Senhor; com nossos amigos espirituais.
É
diálogo silencioso, humilde, contrito, revestido de unção e fervor, em
que o filho, pequenino e imperfeito, fala com o Pai, Poderoso e Bom,
Perfeição das Perfeições.
Quando
o espírita ora, sabe, por antecipação, que sua prece
não opera modificações na Lei, que é imutável; altera-nos, contudo, o
mundo íntimo, que se retempera, valorosamente, de modo a enfrentarmos com
galhardia as provas,
que se atenuam ao influxo da comunhão com o Mundo Espiritual Superior.
Tem,
assim, a prece o inefável dom de
dar-nos forças para suportarmos lutas e problemas, internos e externos,
de colocar-nos em posição de vencermos obstáculos que, antes, pareciam
irremovíveis.
Um
homem, ao subir uma montanha, sente-se vencido pelo cansaço, pelo suor,
pela exaustão, pela fome; pára, no entanto, um pouco, alguns minutos, à
sombra generosa de uma árvore, e retoma, depois, já fortalecido, a
caminhada interrompida. A prece, como
alimento espiritual, produz efeito semelhante.
Quando
as turbilhonantes e agressivas provas do mundo nos ameacem a estabilidade
espiritual, busquemos na prece a
restauração de nossas energias, a fim de que refeitos, à maneira do
homem da alegoria, prossigamos a caminhada.
Não
devemos pedir, na prece, bens
materiais — valores transitórios que “a traça consome, a ferrugem
destrói, o ladrão rouba”. Roguemos a Deus valores eternos que se
incorporem à nossa individualidade imperecível, de modo a lutar, com denodo,
nas diversas frentes de experimentação a que nos conduz o esforço
evolutivo.
A
verdadeira prece não deve ser
recitada, mas sentida. Não deve ser cômodo processo de movimentação de
lábios, emoldurado, muita vez, por belas palavras, mas uma expressão de
sentimento vivo, real, a fim de que realizemos legitima comunhão com a
Espiritualidade Maior.
Os
Espíritos nos advertem, abrindo perspectivas ao nosso entendimento: “A
adoração verdadeira é do coração.”
Valoriza-se,
dizemos nós, pela sinceridade com que é feita, e por constituir “um
bom exemplo”.
São
categóricas as Entidades Espirituais: “Declaro-vos — dirigindo-se a
Allan_Kardec —que somente nos lábios e não na alma tem a religião
aquele que professa adorar o Cristo, mas é orgulhoso, invejoso e ocioso,
duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo.”
A
forma como adorar a Deus é problema secundário, tal como ocorre com o
aspecto idiomático. Em português, francês, italiano, castelhano ou
japonês, o que prevalece é a linguagem do coração. Equivale dizer: a
linguagem do sentimento, a profunda manifestação da alma.
Orar
em secreto, no recesso do lar, é prática recomendada pelo Cristo,
contrapondo-se à oração farisaica, proferida com a intenção de que
seja o ato observado por terceiros. "Com a prece
em conjunto, representando autêntica comunhão de propósitos, "mais
forças têm os homens para atrair a si os bons
Espíritos.”
A
medida que o homem vai evoluindo, ora mais pelos semelhantes do que por si
mesmo. Pensa muito mais nas necessidades alheias do que nos próprios
interesses, embora reconheça suas necessidades e para elas rogue sempre o
amparo divino. A prece por outrem
dilata a capacidade de amar e servir, com a conseqüente redução dos
impulsos egoísticos que tão alto ressoam em nosso mundo interno.
Encarnados
e desencarnados devem ser objeto de nossas orações, uma vez que, sendo
fonte de energias, alcançam aqueles para os quais estamos polarizando
nossas vibrações, através de súplicas humildes, mas fervorosas e
sinceras. Podemos, assim, beneficiar através de preces
almas que se encontram em regiões de sofrimento, ou em organizações de
reajuste, no plano espiritual.
Preces individuais, inclusive no recesso de nossos lares.
Preces em conjunto, via de
regra, em nossas casas de fé. As vibrações da prece
levam-lhes conforto: reanimam-nas, pela certeza de que estão sendo
lembradas, uma vez que nossas imagens e sentimentos repercutem em suas
individualidades.
A
bênção do amor de Deus chega até nós outros, caminheiros da sombra,
através da prece, que, além de nos
fortalecer o coração, amplia nossa visão espiritual com relação aos
problemas do mundo, dos homens, da sociedade e das provas remissivas com
que a Justiça Equânime nos reconduz ao Pai, pelas luminosas vias do
progresso e da felicidade.
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- página 159]
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