Indícios
que se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito
na hierarquia espírita:
O
espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal
representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.
Se
interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se
não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para
dele se queixar, enfim se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.
Possuído
do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem
contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.
É
bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em
todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.
Se
Deus lhe outorgou o poder e a riqueza,
considera essas coisas como UM DEPÓSITO, de que lhe cumpre usar para o bem.
Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode
retirar.
Se
sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com
bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus.
Usa
da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho.
É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da
indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: "Atire a
primeira pedra aquele que estiver sem pecado".
Não
é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos
benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe
será.
Respeita,
enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe
sejam respeitados.
Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que
nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua
vontade.
Tem fé no futuro, e, por isso, coloca os bens espirituais acima dos bens
temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.
O homem possuído pelo sentimento de caridade e amor ao próximo faz o bem pelo
bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à
justiça.
Encontra sua satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que
presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações
que leva aos aflitos.
Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros, antes que
em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus. O egoísta,
ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.
É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de
crenças, porque vê todos os homens como irmãos.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos
que não pensam como ele.
Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia.
Considera que aquele que
prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com
o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à ideia de causar um sofrimento,
uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do
amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa
e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que
será perdoado, conforme houver perdoado.
Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência.
Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.
Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las.
Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si
alguma coisa melhor do que na véspera.
Não tenta fazer valer nem seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos
outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar as
vantagens dos outros.
Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais,
porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de
um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial
para si mesmo, que poderá dar-lhes, é pô-los ao serviço da satisfação de
suas paixões.
Se nas relações sociais alguns homens se encontram na sua dependência,
trata-os com bondade e benevolência. porque são seus iguais perante Deus. Usa
sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu
orgulho, e evitar tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição
subalterna.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição e têm o escrúpulo
de procurar cumpri-los conscienciosamente.
Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de
bem,
mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às
demais.
O
homem que vive mentalmente, visceralmente, a religião que lhe ensina a senda do bem, está em atividade intensa e renovadora,
recebendo, por isto mesmo, as mais fortes contribuições de amparo espiritual,
porquanto abre a porta viva da alma para o socorro de Mais Alto, através da oração e da posição ativa de confiança no Poder Divino.
homem de bem encontrará, depois da morte do corpo, novos mundos de trabalho que o esperam e onde desenvolverá,
infinitamente, o amor e a
sabedoria, de que possui os germens no coração.