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Com
relação aos animais que obram. Ainda aí há um sistema. É verdade que na
maioria dos animais domina o instinto.
Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm
inteligência, porém limitada.
Não
se poderia negar que, além de possuírem o instinto,
alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em
determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma
espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à
utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de
proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma
realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o
que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e
proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie,
não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os
seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento
intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação,
desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido
à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí
progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do
homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não
tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.
[9a p.294
q.593]
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Quanto
ao livre-arbítrio
dos animais, para a prática dos seus atos. Os animais não são simples
máquinas, como supondes. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é
limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo
muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade,
possuem-na restrita aos atos da vida material.
[9a p.295
q.595]
À
alma dos animais não é dado escolher a espécie de animal em que encarne,
pois que lhe falta livre-arbítrio.
[9a p.296
q.599]
Os animais
não progridem, como o homem, por ato da própria vontade. Progridem pela
força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação.
[9a
p.297 q.602]
A inteligência é
uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma
dos animais e a do homem. Porém os animais só possuem a inteligência da vida material. No homem, a
inteligência
proporciona a vida moral.
[9a
p.297 q.604]
O
princípio inteligente que constitui a Alma de natureza
especial de que são dotados, provem do
elemento inteligente universal. Emanam de um único princípio a inteligência do homem e a dos
animais. Porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima
da que existe no animal.
[9a
p.299 q.606]
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O estado da
alma do homem, na sua origem, corresponde
ao
estado da infância na vida corporal, sua inteligência apenas desabrocha e
se ensaia para
a vida. O Espírito passa essa primeira fase do seu desenvolvimento numa
série de existências que precedem o período chamado de Humanidade.
Nos
seres inferiores, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o
princípio inteligente
se elabora,
se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer.
É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito
do qual
o
princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra
então no período
da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do
mal
e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência,
vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de
humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem
sido fetos
informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja
humilhante, é a
sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza
dos desígnios
e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei
a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário
na
Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado
seres inteligentes
sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as suas
criaturas.
A
Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização
começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não
constitui
regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja
apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma
exceção.
[9a
p.299 q.607]
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O Espírito do homem,
após a morte,
não têm consciência de suas existências anterior ao período
de humanidade. Pois não é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil é
mesmo que
se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem
se lembre
dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio materno.
Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram.
[9a
p.300 q.608]
(Ver:
Origem e destino
de Espírito )
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Uma vez no período da humanidade,
conforme
a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado, o Espírito
conserva traços do que era precedentemente,
quer dizer: do estado em que se achava no período a que se poderia chamar
ante-humano.
Durante
algumas gerações, pode ele conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado
primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há
sempre anéis
que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios,
porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio,
os primeiros
progressos
só muito lentamente se efetuam, porque ainda não têm a secundá-los a vontade.
Vão
em progressão mais rápida, à medida que o Espírito adquire perfeita
consciência de si mesmo.
[9a
p.301 q.609]
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As
diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras,
mediante progressão. Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o
do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano. Cada espécie constitui,
física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na
fonte universal a quantidade do princípio
inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de
seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza,
quantidade que ele, por sua
morte, restitui ao reservatório donde a tirou. Outro tanto não se dá
com o homem.
Do
ponto de vista físico, este forma evidentemente um elo da cadeia dos seres
vivos: porém, do ponto de vista moral, há, entre o animal e o homem, solução
de continuidade.
[9a
p.303 q.613]
Quanto
às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso,
repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo
conhecimento atual nada importa ao nosso progresso e sobre as quais seria
inútil determo-nos.
[9a
p.304 q.613]
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Também a Zoologia merece o zelo da esfera
invisível, mas é indispensável considerarmos a utilidade de
uma advertência aos homens, convidando-os a examinar detidamente os seus
laços de parentesco com os animais, dentro das linhas evolutivas, sendo
justo que procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob o
seu cuidado amigo.
Os reinos da Natureza, aliás, são o campo de operação e trabalho dos
homens, sendo razoável considerá-los, mais sob a sua responsabilidade
direta que propriamente dos Espíritos, razão por que responderão
perante as
leis
divinas pelo que fizeram, em consciência, com os patrimônios da natureza
terrestre.
Considerando que eles igualmente possuem, diante do tempo, um porvir de
fecundas realizações, através de numerosas experiências chegarão, um
dia, ao chamado reino
hominal, como, por nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milênios,
a situação de angelitude. A escala do progresso
é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vosssos conhecimentos,
busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de
amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e
invisível.
-
O
mineral é atração.
-
O
vegetal é sensação.
-
O
animal é instinto,
-
O
homem é razão.
-
O
anjo é divindade.
Busquemos
reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução
e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal.
[41a
pág. 58]
Emmanuel - 1940 |
Os animais estão sujeitos, como o homem, a uma
lei progressiva. E daí vem que nos
mundos superiores, onde os homens são mais adiantados,
os
animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São
sempre, porém,
inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.
[9a
p.296 q.601]
Os
Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte
na ordem da criação, não se enganaram. Mas, a questão não fora desenvolvida.
Demais, há coisas que só a seu tempo
podem
ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir
faculdades que
o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que
Deus escolheu
para a encarnação dos seres que podem conhecê-Lo.
[9a
p.301 q.610]
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Diante das assertivas acima -- de
que os animais, seres inferiores, não progridem por vontade própria e de
que o homem é um ser à parte --, poderíamos considerar que, o homem, mesmo em seu estado primitivo já teria sido uma criação
à parte, semelhante aos
animais, porém, dotado de capacidade especiais desde a sua criação. Que não
tenha evoluído de uma espécie animal comum, por força das coisas.
[0] |
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