Importância da mediunidade

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        Reportando-nos ainda ao Cristo, importanos reconhecer que o Mestre viveu insulado no «monte divino da consciência», abrindo caminho aos vales humanos. Claro está que nenhum de nós abriga a pretensão de copiar Jesus; contudo, precisamos Inspirar-nos em suas lições. Há milhões de seres humanos, encarnados e desencarnados, 

  • de mente fixa na região menos elevada dos impulsos inferiores, 

  • absorvidos pelas paixões instintivas, pelos remanescentes do pretérito envilecido, 

  • presos aos reflexos condicionados das comoções perturbadoras a que, inermes, se entregaram; 

  • outros tantos mantêm-se, jungidos à carne e fora dela, na atividade desordenada, em manifestações afetivas sem rumo, no apego desvairado à forma que passou ou à situação que não mais se justifica; 

  • outros, ainda, param na posição beata do misticismo religioso exclusivo, sem realizações pessoais no setor da experiência e do mérito, que os integre no quadro da lídima elevação.

        Subtraído o corpo_físico, a situação prossegue quase sempre inalterada, para o organismo_perispirítico, fruto do trabalho paciente e da longa_evolução. Esse organismo, constituído, embora, de elementos mais plásticos e sutis, ainda é edifício material de retenção da consciência

        Muita gente, no plano da Crosta Planetária, conjetura que o Céu nos revista de túnica angelical, logo que baixado o corpo ao sepulcro. Isto, porém, é grave erro no terreno da expectativa.  

        Naturalmente, não nos referimos, nestas considerações, a espíritos da estofa de um Francisco de Assis, nem a criaturas extremamente perversas, uns e outros não cabíveis em nosso quadro: o zênite e o nadir da evolução terrestre não entram em nossas cogitações;

        Falamos de pessoas vulgares, quais nós mesmos, que nos vamos em jornada progressiva, mais ou menos normal, para concluir que, tal o estado_mental que alimentamos, tais as inteligências, desencarnadas ou encarnadas, que atraímos, e das quais nos fazemos instrumentos naturais, embora de modo indireto. 

         E a realidade, meu amigo, é que todos nós, que nos contamos por centenas de milhões, não prescindimos de medianeiros iluminados, aptos a colocar-nos em comunicação com as fontes do Suprimento Superior. Necessitamos do auxílio de mais alto, requeremos o concurso dos benfeitores que demoram acima de nossas paragens. Para isto, há que organizar recursos de receptividade. Nossa mente sofre sede de luz, como o organismo terreno tem fome de pão. Amor e sabedoria são substâncias divinas que nos mantêm a vitalidade.

        Compreendes agora a importância da mediunidade, isto é, da elevação de nossas qualidades receptivas para alcançarem a necessária sintonia com os mananciais da vida superior?  Não é serviço que possamos organizar da periferia para o centro e sim do_interior_para_o_exterior. O homem_encarnado, quase sempre empolgado pelo sono da ilusão, poderá começar pelo fenômeno; à maneira, porém, que desperte as energias mais profundas da consciência, sentirá a necessidade do reajustamento e regressará à causa de modo a aperfeiçoar os efeitos. Obra de construção, de tempo, de paciência...

[25 - página 128] - André Luiz

 

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