|
Alinhando
apontamentos sobre a mediunidade,
não será lícito esquecer algumas considerações em torno do animismo
ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente_ou_inconsciente dos médiuns
em ação.
Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos_mediúnicos_de_efeitos_físicos ou de efeitos_intelectuais, com a própria Inteligência encarnada comandando
manifestações ou delas participando com diligência, numa demonstração que o
corpo_espiritual pode
efetivamente desdobrar-se
e atuar com os seus recursos e implementos característicos, como consciência
pensante e organizadora, fora do carro
físico.
A verificação de semelhantes acontecimentos criou entre os opositores da Doutrina_Espírita as teorias de negação, porquanto, admitida a possibilidade
de o próprio Espírito encarnado poder atuar fora do traje_fisiológico, apressaram-se os cépticos inveterados
a afirmar que todos os sucessos medianímicos se reduzem à influência de uma
força_nervosa que efetua, fora do corpo carnal, determinadas ações mecânicas
e plásticas,
configurando, ainda, alucinações de variada espécie.
Todavia, os estardalhaços e pavores levantados por esses argumentos indébitos,
arredando para longe o otimismo e a esperança de tantas criaturas que começam
confiantemente a iniciação nos serviços da mediunidade, não
apresentam qualquer significado substancial, porque é forçoso ponderar que os
Espíritos desencarnados e encarnados não se filiam a raças antagônicas que
se devam reencontrar em condições miraculosas.
[29
- página 163]
André Luiz - 1959
Animismo ou Espiritismo? Qual dos dois explica o conjunto dos fatos?
Nem um, nem outro, pois que ambos são indispensáveis à explicação do conjunto dos fenômenos supranormais, cumprindo se observe, a propósito, que eles são efeitos de uma causa única:
- o espírito humano que, quando se manifesta em momentos fugazes, durante a existência “encarnada”, determina os fenômenos anímicos
- e, quando se manifesta na condição de “desencarnado” no mundo dos vivos, determina os fenômenos_espíritas.
Decorre daí um importante ensinamento: que os fenômenos metapsíquicos, considerados em conjunto, a começar pela modestíssima tiptologia da trípode mediúnica e pelos estalidos no âmago da madeira, para terminar nas aparições dos vivos e nas materializações de fantasmas vitalizados e inteligentes, podem ser fenômenos anímicos ou espíritas, conforme as circunstâncias. É racional, com efeito, supor-se que o que um Espírito “desencarnado” pode realizar também deve podê-lo – embora menos bem – um Espírito “encarnado”, sob a condição, porém, de que se ache em fase transitória de diminuição vital, fase que corresponde a um processo incipiente de desencarnação do Espírito (sono fisiológico, sono sonambúlico, sono mediúnico, êxtase, delíquio, narcose, coma). (Ver: Comunicações mediúnicas entre vivos)
Segue-se que, em metapsíquica, faz-se necessário constantemente analisar, caso a caso, os fenômenos_supranormais, antes de concluir acerca da gênese anímica ou espírita de cada um, o que equivale a reconhecer que...
- o erro mais grave em que pode cair um pesquisador é o de apressar-se a generalizar, estender a todo um grupo de fenômenos supranormais as conclusões legitimamente aplicáveis a um só episódio.
- E é esse o erro em que muito amiúde incorrem tanto os “animistas totalitários” como os “espiritistas”.
Nos primeiros, porém, semelhante erro constitui regra sistemática, pois, se assim não fosse, eles não seriam “animistas totalitários”.
[111 - páginas 295 / 296] - Ernesto Bozzano
|
Na verdade a questão do animismo foi de tal maneira inflada, além de
suas proporções, que acabou transformando-se em verdadeiro fantasma, uma
assombração para espíritas desprevenidos ou desatentos. Muitos são os
dirigentes que condenam sumariamente o médium, pregando-lhe o rótulo de
fraude, ante a mais leve suspeita de estar produzindo fenômeno anímico e não
espírita. Não há fenômeno espírita
puro, de vez que a manifestação de seres desencontrados, em nosso contexto
terreno, precisa do médium encamado, ou seja, precisa do veículo das
faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto,
anímicas.
Quando Kardec pergunta como é
que um espírito manifestante fala uma língua que não conheceu quando
encamado, Erasto e Timóteo declaram que o próprio Kardec respondeu à sua dúvida,
ao afirmar, no início de sua pergunta, que "os espíritos só têm a
linguagem do pensamento; não dispõem da linguagem articulada". Exatamente
por isso, ou seja, por não se comunicarem por meio de palavras, eles transmitem
aos médiuns seus pensamentos e deixam a cargo do instrumento vesti-los,
obviamente, na língua própria do sensitivo.
Reiteramos, portanto, que não
há fenômeno mediúnico sem participação anímica. O cuidado que se toma
necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita
de animismo, como se o animismo fosse um estigma, e sim ajudá-lo a ser um
instrumento fiel, traduzindo em palavras adequadas o pensamento que lhe está
sendo transmitido sem palavras pelos espíritos comunicantes.
Certamente ocorrem manifestações
de animismo puro, ou seja, comunicações e fenômenos produzidos pelo espírito
do médium (Alma) sem nenhum componente espiritual estranho, sem a participação de
outro espírito, encamado ou desencontrado. Nem isso, porém, constitui motivo
para condenação sumária ao médium e, sim, objeto de exame e análise
competente e serena, com a finalidade de apurar o sentido do fenômeno, seu
porquê, suas causas e conseqüências.
Suponhamos, por exemplo, que
ante determinada manifestação espiritual um certo médium de um grupo, outro médium
do mesmo grupo mergulhe, de repente, em um processo espontâneo de regressão_de_memória. Pode ocorrer que ele passe a 'viver', em toda a sua intensidade e
realismo, sua própria personalidade de anterior existência. Apresentará, sob
tais circunstâncias, todas as características de uma manifestação mediúnica
espírita, como se ali estivesse um espírito desencontrado.
Vamos lembrar, novamente, o
ensinamento de Erasto e Timóteo: "A alma do médium pode comunicar-se como
a de qualquer outro". E isto é válido para a psicografia e para a
psicofonia ou até mesmo para
fenômenos_de_efeitos_físicos.
Não nos cansamos de repetir que tais fenômenos não invalidam a realidade da
comunicação espírita e, sim, a complementam e ajudam a entendê-la melhor.
A fim de que possamos estudar o
mundo espiritual, adverte Delanne, precisamos de um instrumento, um intermediário
entre as duas faces da vida - o médium.
Como
o médium possui uma alma e um
corpo, ele tem
acesso, por uma, à vida do espaço e, pelo outro, se prende à Terra, podendo
servir de intérprete entre os dois mundos. Não deixa, portanto, de ser
um espírito somente porque está encarnado. Os fenômenos que produzir, como
espírito, são também dignos de exame e não de condenação sumária. Algumas
perguntas podem ser formuladas para servir de orientação a essa análise:
-
São
realmente fenômenos anímicos?
-
Ou interferências pessoais do médium nas
comunicações, no processo mesmo de as "vestir" com palavras, como
dizem os espíritos?
-
Por que estariam sendo
produzidos?
-
E
como?
-
Com que
finalidade?
-
Como poderemos ajudá-lo a interferir o mínimo possível a fim de
que as comunicações traduzam com fidelidade o pensamento dos espíritos?
|
Hermínio C. Miranda
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/mediunidade/animismo-herminio-miranda.html |