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Criando
novas necessidades, a civilização constitui uma fonte de novas aflições.
Os
males deste mundo estão na razão das necessidades factícias que
vos criais. A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir
seus desejos e olha sem
inveja para o que esteja acima de si. O que menos necessidades tem, esse o
mais rico.
Invejais
os gozos dos que vos parecem os felizes do mundo. Sabeis, porventura, o que lhes
está reservado ? Se os seus gozos são todos pessoais, pertencem eles ao
número dos egoístas: o
reverso então virá. Deveis, de preferência, lastimá-los. Deus algumas vezes
permite que o mau prospere, mas a sua felicidade
não é de causar inveja, porque com lágrimas amargas a pagará. Quando um
justo é infeliz, isso representa uma prova
que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem.
Lembrai-vos
destas palavras de Jesus: Bem-aventurados os que sofrem,
pois que serão consolados.
[9a
p.429 q.926]
Verdadeiramente
infeliz o homem só o é quando sofre a
falta do necessário à vida e à saúde do corpo. Todavia, pode acontecer que
essa privação seja de sua culpa.
Então, só tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a
responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa.
[9a
p.429 q.927]
O
que para um é supérfluo representa para outro o
necessário e, reciprocamente,
de acordo com as posições respectivas.
Conforme
às vossas idéias materiais, aos vossos preconceitos, à vossa ambição e às
vossas ridículas extravagâncias, a que o futuro fará justiça, quando
compreenderdes a verdade.
Não
há dúvida de que aquele que tinha cinqüenta mil libras de renda, vendo-se
reduzido a só ter dez mil, se considera muito desgraçado, por não mais poder
fazer a mesma figura, conservar o que chama a sua posição, satisfazer a todas
as paixões, etc. Acredita que lhe falta o
necessário. Mas, francamente, achas que seja
digno de lástima, quando ao seu lado muitos há, morrendo de fome e frio, sem
um abrigo onde repousem a cabeça ?
O
homem criterioso, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a
não ser para elevar sua alma ao infinito.
[9a
p.428 q.923]
Aquele
que é ponderado conhece o limite do necessário,
por intuição.
Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.
[9a
p.341 q.715]
Mediante
a organização que nos deu, a Natureza traçou o limite das nossas necessidades.
Mas o homem é insaciável. Os vícios
lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades
que não são reais.
[9a
p.342 q.716]
Aqueles
que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo,
com prejuízo daqueles a quem falta o necessário,
olvidam a lei
de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos outros.
Nada
tem de absoluto o limite entre o necessário
e o supérfluo. A Civilização criou
necessidades que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos
acima não pretendem que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é
relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A Civilização desenvolve o
senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade,
que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das
privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da
Civilização. Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só
têm a máscara.
[9a
p.342 q.717]
O
dinheiro ou a necessidade material, a doença
e a saúde do corpo são condições educativas de imenso valor para os que
saibam aproveitar o ensejo de elevação em sua essência legítima.
Emmanuel
- (Caminho, Verdade e Vida) [55
pág. 51]
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