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Diz você, com ironia e orgulho, que não tem tempo a perder com o que
oficialmente náo existe; e o Espírito oficialmente não existe, porque,
como acentua, a Ciência ainda não o descobriu.
A Ciência o descobrirá. Na verdade, já está tentando descobri-lo, mas
ainda não o conseguiu, simplesmente porque ele existe numa dimensão
que o hodierno instrumental científico ainda não alcança.
Você sabe melhor do que muitos outros quanto esforço e quanto tempo
tem custado a evolução da Ciência. Entretanto, na sua pressa de homem
moderno e positivo, parece esquecer que quase todas as grandes maravilhas
do conhecimento científico, que você tanto decanta, são
desconcertantemente recentes.
Há apenas dois séculos atrás:
Desconhecia-se a existência...
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do hidrogênio,
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dos elétrons,
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dos nêutrons,
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do méson,
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das Leis da hereditariedade,
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dos raios X,
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dos raios infravermelhos e
ultravioleta,
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dos cromossomos,
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das
ondas eletromagnéticas em geral,
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das ondas curtas,
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das ondas cerebrais,
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da radioatividade,
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dos vírus,
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das vitaminas,
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dos isótopos.
Não haviam sido inventados...
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o avião,
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o refrigerador,
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o rádio,
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a televisão,
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o helicóptero,
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o cinema,
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o automóvel,
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o radar,
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o computador;
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e nem a geometria não-euclidiana,
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a geometria descritiva,
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a litografia,
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o motor elétrico,
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as máquinas de escrever e de calcular,
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a fotografia,
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a análise espectral,
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o microfone,
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o linotipo,
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o escafandro.
Não haviam nascido...
Ignorava-se...
E...
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não estava formulada a teoria dos quanta,
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não
se usava a cirurgia asséptica,
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não se sabia como gravar imagem e
som.
Agora, que tudo isso foi conseguido, a Ciência terrestre sabe que sabe
pouco, quase nada, acerca do que é realmente substancial, do que está na
base, na raiz, na essência de todas as coisas. Infatigável — honra lhe
seja feita — ela se lança inteira à cata do mistério, tentando
desvendá-lo. Tem esbarrado, porém, em seus tentames mais válidos, numa
grande, imensa e cada vez mais gritante necessidade de ir além da grande
fronteira, para ver não o reverso, mas sim o anverso de tudo o que
existe, a outra dimensão, a outra face, o outro aspecto do universo, que
não está longe nem perto, porque simplesmente a tudo integra e
complementa, não se podendo dizer que está em alguma coisa, porque é,
isto sim, parte integrante da própria coisa.
Mas não pense, caro amigo, que estejamos a insinuar qualquer modificação
no rumo ou nos métodos da pesquisa científica, ou a reclamar esforços
especiais para diferentes conquistas tecnológicas. Tudo avança no ritmo
natural da evolução, e tudo, afinal, se enquadra no sábio planejamento
divino. Já temos dito — e voltamos a afirmar — que, apesar dos homens
e do que eles pensam e fazem, a Vida tem o seu Governo Maior; e esse
Governo sabe quando permitir aos seus tutelados a conquista de poderes mais amplos, que não podem ser
confiados a menores de espírito, que os usariam para o mal.
Apesar disso, não há esforços que não dêem frutos. As lucubrações
e as pesquisas que se fazem no campo da antimatéria levarão a Ciência
cada vez mais perto das chaves do grande enigma. A Física Quântica acabará
por ajudar o pensamento humano a descobrir, com o auxílio...
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da Física
Nuclear,
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do Cálculo
Infinitesimal,
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da Astronomia
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e da
Astronáutica, que
a unidade fundamental do Universo se desdobra na diversidade de planos e
dimensões que se interpenetram e se completam.
O homem terrestre já foi à Lua, examinou-a “in loco” e nela não percebeu senão aquilo que os
seus sentidos materiais estão aptos a captar e as
suas máquinas podem pesar e medir. Já fotografou Marte e Vênus, e se
lança a investigar, por meio de engenhosas sondas, a excelsa grandeza de Júpiter, de
Saturno e de Urano. Também neles, provavelmente nada
encontrará que o deslumbre, nem verá civilizações que se assemelhem à
sua. No entanto, em que pese a visão desértica que oferecem aos olhos
humanos, a vida palpita, sublime, nessas plagas siderais de portentosa
beleza.
Aos poucos, porém, o caminho vai se abrindo à mais elevada compreensão
humana, ao preço de trabalho, perseverança e tempo. Conquistas preparatórias
e significativas vão aplainando as dificuldades e prelibando vitórias
maiores.
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Cientistas da Universidade de Loughborough já não lograram
transmitir hologramas, sem usar o laser, por processo mais avançado que
o do físico Leslie Dudley?
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E o soviético Ignaty Fedchuk também não
conseguiu transmitir imagens tridimensionais, a cores e em preto e
branco, usando um sistema especial de lentes e telas metálicas?
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Não
obstante, certas constatações exigem constância e tempo. A existência
do monopolo, que é um tipo de partículas magnéticas de apenas um pólo,
duzentas vezes mais pesado que o próton e com a metade da velocidade da
luz, foi anunciada por Dirac quarenta anos antes de ser afinal
identificada a marca de um deles, em experiência realizada nos céus de
Iowa, EUA, em setembro de 1973, num globo suspenso a mais de quarenta mil
metros de altura. E o monopolo, como reconheceu, em Berkeley, o físico Paul Price, é apenas o primeiro membro do que ele chamou de “uma possível
família de partículas magnéticas menores do que o átomo”.
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Também a partícula batizada com o nome de “quark”, que alguns
pesquisadores supõem ser “o último e indivisível componente da matéria”,
não foi isolada por físicos da Universidade de Stanford, em 1977,
quatorze anos depois de publicadas as teses que a anunciavam, propostas
independentemente por Murray Gell-Mann e George Zweig, do Instituto de
Tecnologia da Califórnia?
Note, meu caro amigo, que longo e acidentado caminho percorreu, no
tempo, a teoria atômica, desde que os gregos antigos a formularam!
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Primeiro, supunha-se que somente elétrons, negativos e leves, moviam-se
em torno de núcleos protônicos, positivos e pesados.
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Depois, foi preciso
reconhecer a existência de nêutrons.
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Mais
tarde, teve-se de aceitar a
realidade de crescente número de “partículas elementares”,
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para,
afinal, chegar-se à conclusão de que os fenômenos atômicos não se
comportavam segundo os princípios da mecânica clássica, e sim de uma
outra, a mecânica quântica, a qual, todavia, contrariava velhos
postulados da até então inatacável lógica humana.
Daí em diante, a complexidade apenas aumentou, com o advento de
conhecimentos novos. A designação simples
de “partículas
elementares” teve de considerar que existem, entre elas, os leptons e
os hadrons;
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que os leptons compreendem elétrons, mucos e
neutrinos,
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e que
entre as dezenas de hadrons estão as grandes famílias dos mésons, com
massas centenas de vezes superiores à dos elétrons, e dos bárions, dos
quais os prótons e os nêutrons, também chamados de núcleons, são os
membros mais proeminentes e formam quase toda a massa do átomo.
Viu-se,
mais tarde, que faltava saber mais, porque os hadrons agiam, em certos fenômenos,
como se possuíssem centros internos de força e de massa, sugerindo, desse
modo, ser compostos por outras partículas menores do que eles. Foi então
que surgiu a teoria dos "quarks”, difícil de ser comprovada, porque o
homem desejou, sem o conseguir, “quebrar” um hadron, mas, para isso,
precisaria poder usar uma energia um milhão de vezes maior do que a
necessária para a fissão do átomo.
Como
você observa, a Ciência humana luta valentemente para compreender e
dominar a matéria densa e a
energia ponderável, mas ainda não dispõe de
conhecimentos, nem de recursos, para penetrar com êxito nos soberanos
domínios do Espírito.
ÁUREO
(Espírito)
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