Exemplo de mediunidade num processo de materialização

(Analisando o comportamento, em suas relações com o ambiente e as pessoas )

Ao redor do médium, laboriosa atividade seguia adiante. Dezenas de entidades bem comandadas e evidenciando as melhores noções de disciplina, articulavam-se no esforço preparatório.O instrumento medianímico já havia recebido eficiente amparo no campo orgânico.

A digestão e a circulação, tanto quanto o socorro às vísceras já eram problemas solucionados.Apagada a luz elétrica e pronunciada a oração de início, o agrupamento, como de praxe, passou a entoar hinos evangélicos, para equilibrar as vibrações do recinto.

Colaboradores desencarnados...


  • extraiam forças de pessoas e coisas da sala,
  • inclusive da Natureza em derredor,

  • que casadas aos elementos da esfera espiritual faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório.

Correspondendo à atuação magnética dos mentores responsáveis, desdobrou-se_o_médium, afastando-se do veículo_físico, de modo tão perfeito que o ato em si mais se me afigurava a própria desencarnação, porque o corpo jazia no leito, como se fora um casulo de carne, largado e inerte.O veículo físico, assim prostrado, sob o domínio dos técnicos do plano espiritual, começou a expelir o ectoplasma, qual pasta flexível, à maneira de uma geléia viscosa e semiliquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos, com elevada percentagem a exteriorizar-se igualmente do tórax e das extremidades dos dedos. A substância, caracterizada por um cheiro especialíssimo, que não conseguimos descrever, escorria em movimentos reptilianos, acumulando-se na parte inferior do organismo medianímico, onde apresentava o aspecto de grande massa protoplásmica, viva e tremulante.

Entidades prestavam carinhosa assistência ao médium separado da vestimenta física - desdobrado -, como se ele fora um doente ou uma criança.

O ectoplasma está em si tão associado ao pensamento do médium, quanto as forças do filho em formação se encontram ligadas à mente maternal. Em razão disso, toda a cautela é indispensável na assistência ao medianeiro.Tal cuidado decorre da possibilidade de inconveniente intervenção do médium nos trabalhos.Se pudéssemos contar com mais ampla educação do instrumento medianímico, decerto menos teríamos a temer, de vez que a própria individualidade do médium colaboraria junto dos amigos do plano espiritual, evitando preocupações e contratempos prováveis. A materialização de criaturas e objetos do plano espiritual, para ser mais perfeita, exige mais segura desmaterialização do médium e dos companheiros encarnados que o assistem, porque, por mais que os colaboradores do plano espiritual se consagrem aos trabalhos dessa ordem, estão subordinados à cooperação dos amigos terrestres.Isso nos deixa entrever que o pensamento mediúnico pode influir nas formas materializadas, mesmo quando essas formas se encontrem sob rigoroso controle de amigos do plano espiritual ... Ainda quando o médium não consiga senhoreá-las de todo, pode perturbar-lhes a formação e a projeção, prejudicando conseqüentemente o serviço. Daí, o impositivo da completa isenção de ânimo, por parte de quantos se devotam a semelhantes realizações.

As faculdades de materialização, desse modo, não traduzem privilégio para os seus portadores ...
O próprio verbo referente ao assunto, em sentido literal, não encoraja qualquer interpretação em desacordo com a verdade. Materializar significa corporificar. Ora, considerando-se que mediunidade não traduz sublimação e sim meio de serviço, e reconhecendo, ainda, que a morte não purifica, de imediato, aquele que se encontra impuro, como atribuir santidade a médiuns da Terra ou a comunicantes do Além pelo simples fato de modelarem formas passageiras, entre dois planos?
Essa força materializante é como as outras manipuladas nas tarefas de intercâmbio dos espíritos. Independe do caráter e das qualidades morais daqueles que a possuem, constituindo emanações do mundo psicofísico, das quais o citoplasma é uma das fontes de origem. Em alguns raros indivíduos, encontramos semelhante energia com mais alta percentagem de exteriorização, contudo, sabemos que ela será de futuro mais abundante e mais facilmente abordável, quando a coletividade humana atingir mais elevado grau de maturação.Até lá, utilizar-nos-emos dessas possibilidades como quem aproveita um fruto ainda verde, em circunstâncias especiais da vida, suportando, porém, o assédio de mil surpresas desagradáveis ao recolhê-lo, de vez que, em experiências como esta, submetemo-nos a certas interferências mediúnicas indesejáveis, tanto quanto a influências menos edificantes de companheiros encarnados, francamente inaptos para os serviços dessa espécie.Imaginemos que o médium esteja possuído de interesses inferiores, seja em matéria de afetividade mal conduzida, de ambição desregrada ou de pontos de vista pessoais, nos diversos departamentos das paixões comuns ... O médium poderá influir nos fenômenos em estudo, consciente ou inconscientemente.E os componentes do grupo, se imbuídos de propósitos malsãos conseguem perturbar aos amigos do plano espiritual ...... em derredor, grande massa de substância_ectoplásmica leitosa-prateada, da qual se destacavam alguns fios escuros e cinzentos, amontoava-se, abundante, para a materialização...O campo_fluídico_na_sala se fizera demasiado espesso. Os pequenos jactos de força ectoplásmica, arremessados até lá, em caráter experimental, tornavam ao gabinete, revelando forte teor de toxinas de variada classificação.

As catorze pessoas assembleadas no recinto eram catorze caprichos diferentes.

Não havia ali ninguém com bastante compreensão do esforço que se reclamava do mundo espiritual e cada companheiro, ao invés de ajudar o instrumento mediúnico, pesava sobre ele com inauditas exigências.

Em razão disso, o médium não contava com suficiente tranqüilidade. Para os dirigentes do plano espiritual, figurava-se um animal raro, acicatado por múltiplos aguilhões, tais os pensamentos descabidos de que se via objeto.

De modo algum atingiremos, então, a materialização de ordem superior. Teremos tão-só o médium desdobrado, incorporando aenfermeira para socorro às irnãs doentes. Nada mais. Não dispomos do concurso preciso.Uma entidade do plano espiritual atendeu à solicitação que lhe era dirigida e auxiliou magneticamente a transferência de certo coeficiente de energias do vaso_físico ao corpo_perispiritual que se mostrou vivamente reanimado.

O veículo de matéria densa, no leito, desceu à mais funda prostração, mas o médium, em seu perispírito, evidenciava maior vitalidade e maior lucidez.

Amigos espirituais envolveram o perispírito em extenso roupão ectoplásmico e a enfermeira uniu-se a ele, comandando-lhe os movimentos.

O médium, não obstante ausente do corpo carnal, achava-se controlado pela benfeitora, à maneira de um médium psicofônico, diferenciado apenas pela roupagem singular, estruturada com apetrechos_ectoplásmicos imprescindíveis à permanência dele no recinto, onde explodiam pensamentos perturbados e inquietantes.

Fora do corpo, o médium está consciente durante o fenômeno, mas, possivelmente, não guardará qualquer lembrança, logo regresse ao campo físico.Vemo-lo avançar com indumentos materializados e sob a orientação da enfermeira amiga. Entretanto, caso alimente, nessas condições, qualquer desejo menos digno, pode interferir no trabalho, prejudicando-o, ele está sob controle, mas controle não significa anulação. Qualquer impulso infeliz do nosso companheiro correrá por conta do serviço. Daí, a inconveniência_das_atividades_dessa_espécie, sem alto objetivo moral.

O medianeiro das curas, enlaçado pela entidade generosa, alcançou o estreito aposento, exibindo a roupagem delicada, semelhante a uma túnica de luar, emitindo prateada luz. No entanto, à medida que varava a atmosfera reinante no recinto, a claridade esmaecia, chegando a apagar-se quase de todo.

A posição neuropsíquica dos companheiros encarnados que compartilham com os amigos do plano espiritual a tarefa, no momento, não ajuda. Absorvem dos amigos desencarnados os recursos, sem retribuição que os indenize, de alguma sorte, a despesa de fluidos laboriosamente trabalhados.

Efetivamente, escuras emissões mentais esguichavam continuas, entrechocando-se de maneira lastimável.

Os amigos, ainda na carne, mais se figuravam crianças inconscientes.

Pensavam em termos indesejáveis, expressando petições absurdas, no aparente silêncio a que se acomodavam, irrequietos.

Exigiam a presença de afeições desencarnadas, sem cogitarem da oportunidade e do merecimento imprescindíveis, criticavam essa ou aquela particularidade do fenômeno ou prendiam a imaginação a problemas aviltantes da experiência vulgar.

O concurso dos amigos espirituais era ali recebido, não como gentileza de benfeitores, mas como espetáculo fútil a ser obrigatoriamente elaborado por servos ínfimos.

Ainda assim, os obreiros do plano espiritual ofereciam o melhor pelo êxito da tarefa.

A enfermeira devotada socorreu as doentes, aplicando-lhes raios curativos. Várias vezes, deixou o recinto e tornou a ele, porquanto, à simples aproximação dos pensamentos inadequados que lhe senhoreavam as vibrações, toda a matéria ectoplásmica se ressentia, obscurecendo-se ao bombardeio das formações mentais nascidas da assistência.

Terminado que foi o trabalho medicamentoso, um risonho companheiro do plano espiritual tomou pequena porção das forças materializantes do médium sobre as mãos e afastou-se para trazer,_daí_a_instantes,_algumas_flores que foram distribuídas com os irmãos encarnados, no intuito de sossegar-lhes a mente excitadiça.

[28a - página 261 ]
André Luiz

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