Não
há, no Universo, lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos segundo seus merecimentos. As penas e os
gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua
desgraça. E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou
fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa. Quanto aos
encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais
ou menos adiantado o mundo em que habitam.
O inferno e o paraíso não existem, tais como
o homem os imagina. São simples alegorias: por toda parte há Espíritos
ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de
uma mesma ordem se reúnem por simpatia;
mas podem reunir-se onde queiram, quando
são perfeitos.
A
localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na
imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e
circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível
compreender.
Intuição das penas e
gozos futuros Onde
se origina a crença, com que deparamos entre todos os povos, na existência de penas
e recompensas porvindouras, é sempre a mesma coisa: pressentimento
da realidade, trazido ao homem pelo Espírito nele encarnado. Porque,
sabei-o bem, não é debalde que uma voz interior vos fala. O vosso erro
consiste em não lhe prestardes bastante atenção. Melhores vos
tornaríeis, se nisso pensásseis muito, e muitas vezes.
O
sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte:
Os cépticos são em número muito menor do que se julga. Muitos se
fazem de espíritos fortes, durante a vida, somente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser fanfarrões.
A
responsabilidade dos nossos atos é a conseqüência da realidade da vida
futura. Dizem-nos a razão e a justiça que, na partilha da felicidade
a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os
maus. Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de
bens que outros só alcançam com esforço e perseverança.
A
ideia que, mediante a sabedoria de Suas leis, Deus nos dá de Sua justiça e de
Sua bondade não nos permite acreditar que o justo e o mau estejam na mesma
categoria a Seus olhos, nem duvidar de que recebam, algum dia, um a recompensa,
o castigo o outro, pelo bem ou pelo mal que tenham feito. Por isso é que o
sentimento inato que temos da justiça nos dá a intuição das penas e recompensas futuras.
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