Mediun. e Espiritismo

Página acima

MEDIUNIDADE E ESPIRITISMO

 

        Roguemos a bênção de Jesus em nosso favor.

        Assuntos existem, no âmbito de nossa construção doutrinária, que nunca serão comentados em excesso.

        Reportamo-nos aqui ao tema «Espiritismo e Mediunidade», para alinhar algumas anotações que consideramos indispensáveis à segurança de nossas diretrizes. 

  • Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas.

  • Espiritismo é um corpo de princípios morais, objetivando a libertação da alma humana para a Vida Maior.

  • Médium, em boa sinonímia, segundo cremos, quer dizer «meio».

  • Médium, em razão disso, dentro de nossas fileiras, significa:

    • intermediário

    • medianeiro

    • intérprete.

  • Médiuns, por isso, existiram em todos os tempos: 

    • Na antiguidade remota, eram adivinhos e pitonisas que, freqüentemente, pagavam com a vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.

    • Na Idade Medieva, eram santos e santas, quando se afinavam à craveira religiosa da época, ou, então, feiticeiros e bruxas, recomendados à fogueira ou à forca, quando se não ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram.

    • Hoje, possuímo-los em todos os tons, em dilatadas expressões polimórficas.

        No próprio Evangelho, em cujas raízes divinas o Espiritismo jaz naturalmente mergulhado, vamos encontrar um perfeito escalonamento de valores, definições e atividades mediúnicas:

  • Vemos a mediunidade, absolutamente sublimada, em nossa Mãe Santíssima, quando registra a visitação das entidades angélicas.

  • Reconhecemos a clariaudiência avançada em José da Galiléia, quando recolhe dos mensageiros do Plano Superior comentários e notícias acerca da gloriosa missão de Jesus.

  • Simão Pedro: 

    • era médium da sombra, quando se adaptava à influência perturbadora de que muitas vezes se sentiu objeto, 

    • e era médium da luz, quando partilhava a claridade divina em sua vida mental.

  • O mesmo Simão Pedro, Tiago e João foram médiuns materializadores no Tabor, favorecendo a aparição tangível de instrutores da mais elevada hierarquia. (Ver: Transfiguração de Jesus)

  • João, o grande evangelista, foi médium, na mais sublime acepção da palavra, quando anotou as visões do Apocalipse.

  • Os companheiros do Senhor, no dia inolvidável do Pentecostes, foram médiuns de efeitos físicos, médiuns poliglotas e psicofônicos da mais nobre expressão.

  • Saulo de Tarso foi notável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com o Divino Mestre.

  • Todavia, não será lícito esquecer que os possessos, os doentes mentais e os obsidiados de todos os matizes, que enxameavam a estrada do Cristo de Deus, quando de sua passagem direta entre os homens, eram também médiuns.

        Precisamos, assim, na atualidade, encarecer a diferença, a fim de que não venhamos a guardar injustificável assombro, diante de fenômenos que não condizem com o imperativo de nossa formação moral.

  • Médiuns existem, tanto aí quanto aqui, nas esferas de serviço em que nos situamos.

  • Médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.

        Por esse motivo, o grande problema dos trabalhadores mediúnicos é aquele da sustentação de boas companhias espirituais, em caráter permanente.

  • Mal se descerram faculdades psíquicas ou percepções mentais um tanto mais avançadas em alguém, corre na direção desse alguém a malta dos desencarnados que não plantaram o bem e que, por isso, não podem recolher o bem, de imediato, nas leiras da vida.

  • Mal surge um médium promissor e mil ameaças se lhe agigantam no caminho, porque o vampirismo vive atuante, qual gafanhoto faminto devorando a erva tenra.

        Eis por que um fulcro de fenômenos medianímicos é motivo para vasta meditação de nossa parte, competindo-nos a obrigação de prestar-lhe incessante socorro, pois, em verdade, são muito raras as criaturas encarnadas ou desencarnadas que logram manter contacto permanente com a orientação superior, de vez que,... 

  • se é fácil acomodar-nos no convívio das inteligências ambientadas nas zonas inferiores, 

  • é muito difícil acompanhar os servos da verdade e do amor que, em procurando a comunhão com o Cristo, se confiam, intrépidos e humildes, ao apostolado da Grande Renúncia.

        Imperioso, assim, é que vivamos alertas, sem exigir dos médiuns favores que não nos podem dar e sem conferir-lhes privilégios que não podem receber, garantindo-se, desse modo, a estabilidade e a pureza de nossa Doutrina, porquanto: 

  • o Espiritismo é como o Sol, que resplende para todos, 

  • e a Mediunidade é a ferramenta que cada criatura pode maliar no campo da vida, na edificação da própria felicidade.

        Quantas, porém, se utilizam de semelhante ferramenta para a aquisição de compromissos escusos com a delinqüência?!...

        Em razão disso, é indispensável compreender que:

  • Mediunidade é Mediunidade 

  • e Espiritismo é Espiritismo.

        Ajustemo-nos, desse modo, aos princípios salvadores de nossa fé! E, na posição de instrumentos do progresso e do bem, com mais ou menos expressão de serviço nas atividades mediúnicas, diretas ou indiretas, conscientes ou inconscientes, procuremos, antes de tudo, a nossa efetiva integração com o Mestre Divino, para que não nos falte ao roteiro a necessária luz.

 

Efigênio S. Vítor (Espírito) - 28 de junho de 1956

 

[81 página 223]

Ver também: 


Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS