Pensamento e Cérebro
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        A ciência sempre se preocupou com os mecanismos que levam os vários sinais e mensagens transmitidas no cérebro e as conexões entre o cérebro e o resto do corpo.

  • Mas onde, no meio de toda esta atividade elétrica e processos químicos, ficam os pensamentos?
  • Como a passagem de eletricidade pela célula leva às sensações? (Ver: Perispírito e Corpo físico)
  • Quando dou uma mordida numa maçã, cientificamente podemos traçar todo o caminho de minha língua até o córtex cerebral que faz a medição do gosto, mas como estes processos químicos e elétricos se dirigem para o doce e o amargo? (Ver: Gênese dos órgãos)

        Este é o problema que perseguiu filósofos, psicólogos e cientistas ao longo dos anos. David Chalmers, um filósofo australiano, resumiu este assunto muito bem: “A consciência coloca os maiores problemas para a ciência da mente. Não há nada de que saibamos mais intimamente do que a experiência da consciência, mas não há nada mais dificil de explicar”. Em seus livros, ele chama isso de “o problema dificil” da consciência, em contraste aos “problemas fáceis”, que basicamente envolvem a compreensão dos mecanismos que permitem ao cérebro lidar com os vários tipos de informação que recebe, processos amplamente conhecidos pela ciência.
        A medicina moderna tem ajudado a responder algumas das questões sobre a relação entre os pensamentos e o cérebro, isto é, as áreas específicas envolvidas com determinadas sensações, emoções e pensamentos, mas se cala sobre como estes últimos são realmente produzidos pelas células.
        Métodos modernos para se analisar processos de pensamento agora envolvem scanners cerebrais especiais, chamados IRM (imagem por ressonância magnética) e TEP (tomografia por emissão de pósitrons). Eles trabalham sobre o princípio de que as células cerebrais possuem uma necessidade constante de sangue, que carrega consigo todos os nutrientes vitais necessários para seu funcionamento, inclusive oxigênio e glicose. Portanto,...

  • os scanners basicamente detectam e seguem o movimento do sangue para as várias partes do cérebro. Com isso, podem dizer qual parte do cérebro funciona mais ativamente em determinado momento.
  • Além de detectar mudanças na corrente sangüínea, scanners especializados podem também detectar as áreas do cérebro que aumentaram seu consumo de oxigênio e glicose.

        Então, ao seguir as mudanças no fluxo sangüíneo e o consumo de oxigênio e glicose (metabolismo) para as várias partes do cérebro, os cientistas podem compreender quais áreas do cérebro estão envolvidas com determinados processos de pensamento. Isto é chamado de “mapeamento” do cérebro. Para fazer isso, os cientistas colocam um scanner e conectam ao cérebro enquanto o paciente pensa em alguma coisa.
        Enquanto leio o que escrevi, mudanças estão constantemente ocorrendo na corrente sangüínea para certas partes de meu cérebro. Eu também estou escutando música e esta sensação prazerosa é acompanhada por uma mudança recíproca na característica de corrente de sangue para a parte de meu cérebro envolvida com essa sensação. Se eu me envolver muito com a música e parar de prestar atenção à tela do computador, as áreas que estavam recebendo mais sangue, enquanto eu lia, agora vão receber menos, mas outras áreas passarão a receber mais sangue. Curiosamente, esse tipo de exame do cérebro mostra que, para qualquer pensamento, muitas áreas do cérebro tornam-se ativas e é por isso que múltiplas dessas áreas mediam processos de pensamento. Este é um ponto muito importante.
        Entretanto, identificar mudanças na corrente sangüínea ou o metabolismo crescente de certas partes cerebrais durante uma experiência não responde ao grande problema, que é: como uma coleção de células faz nascer a experiência da consciência?

[100 - página 134] - Dr. Sam Parnia

Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS