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Este sistema admite que
todas as comunicações_inteligentes provêm da alma
ou Espírito do médium.
Mas, para explicar o fato de o médium tratar de assuntos que estão
fora do âmbito de seus conhecimentos, em vez de supor a existência,
nele, de uma alma múltipla, atribui essa aptidão a uma
sobreexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie
de estado sonambúlico,
ou extático,
que lhe exalta e desenvolve a inteligência. Não há negar, em
certos casos, a influência desta causa. Porém, a quem tenha
observado como opera a maioria dos médiuns, essa observação basta
para lhe tornar evidente que aquela causa não explica todos os fatos,
que ela constitui exceção e não regra.
Poder-se-ia
acreditar que fosse assim, se o médium tivesse sempre ar de inspirado
ou de extático, aspecto que, aliás, lhe seria fácil aparentar
perfeitamente, se quisesse representar uma comédia.
Como,
porém, se há de crer na inspiração,
quando o médium escreve como uma máquina, sem ter a mínima
consciência do que está obtendo, sem a menor emoção, sem se ocupar
com o que faz, distraído, rindo e conversando de uma coisa e de outra?
Concebe-se
a sobreexcitação das ideias, mas não se compreende possa fazer que
uma pessoa escreva sem saber escrever e, ainda menos, quando as
comunicações são transmitidas por pancadas, ou com o auxílio de uma
prancheta, de uma cesta.
Teremos ocasião de mostrar a parte que se deve
atribuir à influência das ideias do médium. Todavia, tão numerosos
e evidentes são os fatos em que a inteligência estranha se revela por
meio de sinais incontestáveis, que não pode haver dúvida a respeito.
O erro da maior parte dos sistemas, que surgiram nos primeiros tempos do
Espiritismo, está em haverem deduzido, de fatos insulados,
conclusões gerais.
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