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Questão da fraude nas manifestações físicas do círculo Goligher

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        Tôdas as experiências aqui relatadas só têm valor, por serem os movimentos de mesa, levitaçõespancadas etc., verdadeiros, isto é, independentes da ação_fraudulenta_do_médium ou membros_do_círculo. E entendo por ação fraudulenta, não somente a trapaça consciente, como também a inconsciente; realmente, existem casos em que o médium emprega, mais ou menos conscientemente, meios assimiláveis à fraude, para obter os fenômenos.
         Exporei aqui alguns fatos, demonstrando que os fenômenos do círculo Goligher são autênticos e não são devidos, de forma alguma, a trapaças conscientes ou inconscientes do médium e dos assistentes.

  • 1º) O médium e os seus, são pessoas íntegras, religiosas, de ideais elevados. São incapazes de praticar uma ação má nas coisas mínimas da vida. Vêem os fenômenos como determinados a provar que a vida continua depois da morte, o que hoje é uma realidade absoluta para êles.
  • 2º) As sessões são consideradas como atos religiosos. Começam e terminam com uma prece. Não é tolerada a falta de decôro.
  • 3º) Todos os membros do círculo são meus amigos pessoais e os freqüento intimamente há três anos. Conheço a fundo sua concepção da vida, suas particularidades de caráter, integridade perfeita e sua opinião sôbre os fenômenos.
  • 4º) O médium é o membro menos entusiasta ao circulo. A Srta. Kathleen é a única a não dar importância aos fenômenos em si, não obstante interessar-se por minhas experiências. Creio que se presta a ser médium, mais por obrigação para com os outros do que para sua própria satisfação.
  • 5º) Sendo o médium pessoa particular, nada pede. Nunca paguei um vintém pelas sessões que me concedeu. A Srta. Kathleen é muito pouco inclinada a considerar sua mediunidade um valor comercial. (*)
  • 6º) Não existem sessões sem luz. Esta, em geral, é suficientemente forte (quando os olhos já se tiverem habituado à luz vermelha) para que sejam vistos, nitidamente, os assistentes.  De preferência, é suave, abastecida por urna chama bastante grande de gás comum. O único inconveniente que há, é quando um corpo igual a uma mesa ou outro objeto qualquer, projeta sua sombra por sôbre uma parte do solo. Quase sempre podemos distinguir claramente as mãos dos assistentes. Aliás, enquanto a mesa é erguida, é simples pedir-lhes que a elevem à altura da cabeça sem romper a corrente, de forma a estarmos seguros de que não exercem nenhuma influência. O observador pode encontrar-se no interior do círculo nesse momento, e mover-se por tôda a parte, exceto entre a mesa e o médium, que é a única região na sombra. Mas, mesmo com uma das mesas maiores, é possível, às vezes, ver perfeitamente em baixo e constatar a imobilidade dos pés, dos corpos e da corrente das mãos durante a levitação.
  • 7º) Durante minhas pesquisas, o médium esteve sempre consciente; qualquer espécie de fraude seria então um ato deliberado. Mlle Kathleen interessava-se em geral pelas experiências e preferia êsse gênero de sessões às sessões_comuns_de_desenvolvimento. Divertia-me muitas vêzes, observando o ardor com que seguia os fenômenos, visivelmente esquecida, nesse momento, de ser ela própria a causa.
  • 8º) Não importa que os assistentes calcem botas, sapatos, chinelos ou somente meias: o estrondo dos golpes sôbre o assoalho, não será de modo algum atenuado. Após tão grande rumor, foi observado a um ilustre visitante que ali se achava de passagem, que todos traziam escarpins de fêltro e suas mãos continuavam unidas. Mlle Kathleen descalçou seus chinelos para demonstrar que não havia nenhuma substância sólida aí dissimulada.
  • 9º) Grande número de pessoas foi convidada a tomar parte nas sessões. Creio poder afirmar que ninguém dentre elas, céticos ou indiferentes, partiu sem estar seguro de ser a força_psíquica uma realidade. Sem dúvida, nem sempre o visitante está certo de que os fenômenos são obra de espíritos desencarnados, mas pelo menos está convicto de serem êles verdadeiros e de modo algum devidos à ação normal do médium ou dos membros do círculo.
  • 10º) Seria necessário ver para crer na força dos movimentos da mesa. Atinge às vêzes, 50 quilos. Para reproduzi-Ias, seria necessário que o médium se servisse de seus pés, já que as mãos e o corpo dos assistentes são nitidamente visíveis. Ora, podemos provar que, mesmo que o médium estivesse atirado em sua cadeira, as pernas estendidas e os pés a 50 cms, abaixo da mesa e tentasse movê-la, essa fraude seria imediatamente descoberta. Uma pressão insignificante da mesa bastaria para impedi-lo; e já vimos que, mesmo um homem muito vigoroso, não o conseguiria.
  • 11º) Se o médium se virasse sôbre o espaldar de sua cadeira e tentasse erguer a mesa com os pés, não o poderia fazer a não ser por poucos instantes e sacudindo-a. Ora, as características da verdadeira levitação são completamente outras e distinguem-se nitidamente da falsa, a qual não pode sobreviver por longo tempo.
  • 12º) Despendi muitas horas no interior do círculo e ao seu redor. Coloquei instrumentos complicados sob a mesa, passei muitas vêzes meu braço entre esta e o médium, cujos pés e mãos encontrei perfeitamente imóveis durante todas as levitações. Finalmente, se Mlle Kathleen quisesse fazer trapaça, por mais que tentasse, não poderia manter a mesa no ar enquanto meus instrumentes funcionassem e eu trabalhasse entre ela e a mesa.
  • 13º) Admitamos o embuste e vejamos os fatos:
    • Na experiência de número 50, uma grande balança de molas colocada sob a mesa, marca 13 quilos 600, no momento em que a mesa se encontra a 30 cms, acima do solo. Para conseguir êste resultado, um dos pés do médium deveria erguer a mesa, enquanto o outro faria pressão sôbre a balança, coisa verdadeiramente impossível, mesmo quando ajudamos o médium, segurando seus braços para impedi-lo de cair. Suponhamos, no entanto, que o médium o consiga; como explicar que com a mesma mesa e a mesma balança, o pêso seja sempre o mesmo, cêrca de meia libra, tôdas as inúmeras vêzes em que tentei a experiência? Como poderia Mlle Kathleen calcular exatamentea mesma pressão? Como poderia exercê-la gradualmente, de maneira a que a mesa se atirasse no ar, exatamente no momento em que a balança marca 13 quilos e 600?
    • Na exp. 46 (6º) coloquei minha mão e parte do braço no estrado da balança, durante a levitação. Nada havia e tanto a levitação quanto o registro, não sofreram alteração.
    • Vejamos as exp. 48 e 49. Os pés do médium achavam-se próximos ao prego onde estava enganchado e dinamômetro, sôbre o assoalho. Eu mesmo lá os coloquei e nâo se moveram. Houve três fenômenos simultâneos durante essas experiências: levitacão da mesa, funcionamento da balança e do dinamômetro. Achava-me perto dêste último e minhas mãos moviam-se continuamente diante dos pês do médium e entre êstes e a mesa. Além disso, fizemos meia dúzia de leituras, e estas pouco diferiam.
    • As exp. 51 e 52 demonstram de forma concludente que, quando a mesa em levitação está sôbre o estrado, êste só reage quando se encontra a 7 ou 8 cms do solo. Portanto, se o médium faz trapaça, êle ergue a mesa com um dos pés até esta altura, colocando então seu outro pé sôbre o estrado, aumentando a pressão à medida que êste se eleva: processo absurdo, se fôsse possível. Não o é, pois o médium deveria calcar naturalmente sôbre o estrado, no momento em que êste se encontra mais abaixo; não esperaria que o mesmo se encontrasse a 7 cms. acima do solo para exercer uma pressão que deveria ser exatamente de 840 grs.
    • À experiência 22 demonstra que o pêso da mesa pode ser aumentado a tal ponto, que um homem vigoroso não pode erguê-la. Como poderia haver, trapaça, com uma mesa de prateleira simples e quatro pés? Uma prova usual imposta aos visitantes, é fazê-los segurar a mesa, enquanto se encontra suspensa a uma altura aproximada de 50 cms. a fim de impedi-la de voltar ao solo. Não o conseguirão. Ora, é impossível obter este resultado com fraude, dadas as condições de nossas sessões.
    • Vê-se nas exp. 84, 85, 86 e 87, que eu movia livremente os braços, mãos e minhas varetas sob a mesa em levitação, isto sem encontrar nenhum corpo sólido.
    • Nas exp. 59 e 60, desloquei livremente os aparelhos no espaço compreendido entre o médium e a mesa, sem deixar de ver todo esse espaço, assim como a mesa.

        Em resumo, trabalhei durante quase um ano debaixo e ao redor da mesa em levitação; explorei todo o espaço; observei claramente com meus olhos e por meio de instrumentos, tudo que havia de interessante; e agora posso afirmar que, todos os fenômenos levados a efeito no circulo Goligher, são absolutamente verídicos em seus mínimos detalhes.

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(*) De 1914 à 1919, Mlle Goligher realmente não recebeu nenhuma remuneração. A partir dessa data, o autor obrigou a família, que era pobre, a aceitar uma generosa indenização.

[113 - Primeito capítulo] - W. J. Crawford - 1914 a 1919

Ver também:


Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS