Interferências nas comunicações espirituais

____Eis, por exemplo, como se exprime um espírita, dos de primeira formada, Adin Ballou, à página 67 do seu livro Spirit Manifestation, vindo à luz em 1852:

  • “ O que se passa através do médium deve, em verdade, estar sujeito à influência do espírito dos vivos.
    • As ideias preconcebidas,
    • a vontade,
    • a imaginação,
    • Os sentimentos,
    • Os pontos de vista particulares não podem deixar de exercer uma influência, mais ou menos acentuada, sobre as comunicações que os Espíritos de mortos procuram transmitir, por intermédio de um cérebro alheio.
    • Além disto, as influências mesméricas e psicológicas da parte da mentalidade dos experimentadores (pesquisadores encarnados), que podem dominar a do médium, devem igualmente produzir um efeito perturbador análogo.

____Segue-se que certas comunicações provenientes de Espíritos elevados são transmitidas ou, mais acertadamente, são traduzidas de um modo vulgar, não raro completamente diferentes daquilo que foi ouvido pelo Espírito comunicante (Espírito intermediário). É como se um francês se comunicasse com um inglês por intermédio de um dinamarquês, pouco familiarizado com aqueles dois idiomas. O interlocutor inglês teria não pequena dificuldade de apreender o sentido do recado transmitido. Em casos desta natureza, nunca podemos estar certos de ser a comunicação recebida tradução perfeita do que tinha o Espírito comunicante intuito de transmitir.”

[105 - página 41] - Ernesto Bozzano

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____As influências que afetam os fenômeno s são extremamente sutis e imperfeitamente conhecidas. Tenho, porém, repetidamente, nos estudos práticos e experiências, observado o seguinte:

  • Os pensamentos ocultos, a vontade, o ânimo das pessoas promiscuamente presentes em uma sessão_de_fenômenos, influem sobre o caráter e a facilidade da sua produção, influência esta que tem mais força por ser oculta e inacreditável para as almas não preparadas.

____Conheci uma médium cuja honestidade nunca foi posta em dúvida e em cuja presença os mais indubitáveis fenômenos ocorriam prontamente nas mais rigorosas condições de exame, que ficou meio paralisada pela presença de duas ou três pessoas, trazendo, cada uma delas, talvez um ambiente espiritual adverso, todas veementemente opostas ao êxito da experiência, e não só com o intento de descobrirem uma fraude, mas ainda com a esperança de a conseguirem. Segundo a teoria espírita, será desarrazoado supor-se que tais pessoas possam exercer influências e que, se o médium intuitivamente não resistir a elas, consigam afetá-lo de tal modo que as provas venham confirmar sua descrença e suas suspeitas de embuste? Que isso muitas vezes se haja dado, onde o corpo transfigurado do médium se tem apresentado como uma forma espiritual, é mais que provável.(*) A crermos no testemunho de cuidadosos investigadores tanto da Europa como da América, o embuste não é coisa rara. O melhor caminho, contudo, que deve seguir um noviço, quando se querem provas absolutas, é ...

  • não depositar a sua confiança nem no Espírito nem no médium,
  • mas nas condições exatas, se ele puder obtê-las, as quais serão uma garantia contra os defeitos e as decepções, seja do suposto mundo espiritual, seja deste.
(*) Allan Kardec relata em O Livro dos Médiuns um caso de transfiguração ou mudança de aspecto de um corpo vivo. Nos subúrbios de S. Etienne (em 1858-59), uma jovem de quinze anos tinha a faculdade de, em certos tempos, tomar todas as aparências de certas pessoas mortas. O fenômeno renovou-se centenas de vezes. Em muitas ocasiões ela tomou a figura de seu irmão falecido, apresentando não só o seu rosto, como também a sua altura, corpulência e o peso do seu corpo.

[97 - página 34] - Epes Sargent (1813-1880)

Ver também:
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