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Recorrendo, para exemplo, ao
conhecido processo de Liébeault, o hipnotizador passará à ação
franca, colocando-se à frente do enfermo.
E, situando de leve a mão esquerda sobre a sua cabeça, manterá dois
dedos da mão direita, à distância aproximada de
vinte a trinta centímetros dos olhos do paciente, de modo
a formar com eles um ângulo elevado, compelindo-o a levantar os olhos, em
atenção algo laboriosa, para que lhe fixe os dedos por
algum tempo.
Com esse gesto, o magnetizador
estará projetando o seu próprio fluxo energético sobre a epífise
do hipnotizado, glândula esta de suma importância em todos os processos_medianímicos, por
favorecer a passividade dos núcleos
receptivos do cérebro, provocando, ao mesmo tempo, a atenção ou o
circuito fechado no campo magnético do paciente,
cuja onda_mental,
projetada para além de sua própria aura, é
imediatamente atraida pelas oscilações do magnetizador que, a seu
turno, lhe transmite a essência das suas próprias ordens.
Libertando as aglutininas mentais do sono, o_passivo, na hipnose estimulada, se vê influenciado
pela vontade que lhe comanda transitoriamente os sentidos, vontade essa a
que, de maneira habitual, adere de «moto-próprio», quase
que alegremente.
É então que o hipnotizador, para fixar com mais segurança a sua
própria atuação, exclama, em tom grave e calmo:
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—
"Não receie. Segundo o nosso desejo, passará você, em breves
instantes, pela mesma transfiguração mental
a que se entrega cada noite, transitando da vida ativa para o
entorpecimento do sono, em que os seus ouvidos escutam sem qualquer
esforço e no qual não se sente você
disposto a voluntária movimentação. Durma, descanse. Repouse
na certeza de que não terá consciência do que
ocorra em torno de nós! Despertará você do
presente estado, quando me aprouver, perfeitamente aliviado e
fortalecido pela supressão do desequilíbrio
orgânico." |
O doente enlanguesce,
satisfeito, acalentado pela sua própria onda mental de confiança,
exteriorizada ao impacto do pensamento positivo que o
controla, e o hipnotizador reafirma, tocando-lhe as
pálpebras de leve: — «Durma tranqüilamente.
Tudo está bem. Acordará livre de todo o mal. Acalme-se e espere.
Não sofrerá qualquer incômodo. Dentro de alguns minutos, chamá-lo-ei
à vigília.»
O doente dorme e o magnetizador retira-se por alguns minutos.
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- página 104] - André Luiz 1959 |