Bicorporeidade

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Bicorporeidade (propriedade do Perispírito)

Termo criado por Kardec, que se relaciona ao fenômeno de desdobramento.

De certa forma, expressão mais adiantada da expansibilidade.

 

[1 - página 53]

        Isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade.  Demais, pelas mesmas causas que hemos exposto, pode adquirir momentânea tangibilidade.  Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu lugar às histórias de homens duplos, isto é, de Indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar.  

 

        Aqui  vão dois exemplos, tirados, não das lendas populares, mas da história eclesiástica:

  • Santo Afonso Maria de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre.

  • Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália (vide Nota Especial), quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua.

    • NOTA ESPECIAL da Editora (FEB) à 59ª edição, em 1991.
      O fato histórico acima, está correto. No entanto, no original francês, foi ele narrado por Kardec sob a versão seguinte: "Santo Antônio de Pádua achava-se na Espanha e, no instante em que predicava, seu pai, que estava em Pádua, era levado ao suplício sob a acusação de homicídio. Nesse momento, Santo Antônio aparece, demonstra a inocência de seu pai e revela o verdadeiro criminoso, mais tarde punido. Comprovou-se que nesse momento Santo Antônio não havia deixado a Espanha."

      Kardec louvou-se em compêndio de autor que evidentemente se equivocou, como a outros escritores, relativamente a esse fato, sucedeu à sua época. (O livro Antônio de Pádua - Sua Vida de Milagres e Prodígios, de Almerindo Martins de Castro, 7ª edição, FEB, 1987, esclarece devidamente o fenômeno referido no texto kardequiano.)

  • Por nós evocado e interrogado, acerca do fato acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo:

  • lª Poderias explicar-nos esse fenômeno?
    • "Perfeitamente. Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, ao sentir que lhe vem o sono, pode pedir a Deus lhe seja permitido transportar-se a um lugar qualquer. Seu Espírito, ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, acompanhado de uma parte do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado próximo do da morte. Digo próximo do da morte, porque no corpo ficou um laço que liga o perispírito e a alma à matéria, laço este que não pode ser definido. O corpo aparece, então, no lugar desejado. Creio ser isto o que queres saber."
  • 2ª Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito.
    • "Achando-se desprendido da matéria, conformemente ao grau de sua elevação, pode o Espírito tornar-se tangível à matéria."
  • 3ª Será indispensável o sono do corpo, para que o Espírito apareça noutros lugares?
    • "A alma pode dividir-se, quando se sinta atraída para lugar diferente daquele onde se acha seu corpo. Pode acontecer que o corpo não se ache adormecido, se bem seja isto muito raro; mas, em todo caso, não se encontrará num estado perfeitamente normal; será sempre um estado mais ou menos extático."

    NOTA. A alma não se divide, no sentido literal do termo: irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver fracionado. Dá-se o que se dá com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos.

  • 4ª Que sucederia se, estando o homem a dormir, enquanto seu Espírito se mostra noutra parte, alguém de súbito o despertasse?
    • "Isso não se verificaria, porque, se alguém tivesse a intenção de o despertar, o Espírito retornaria ao corpo, prevendo a intenção, porquanto o Espírito lê os pensamentos."

NOTA. Explicação inteiramente idêntica nos deram, muitas vezes, Espíritos de pessoas mortas, ou vivas. Santo Afonso explica o fato da dupla presença, mas não a teoria da visibilidade e da tangibilidade.

[17b- Capítulo VII - item 119]Atos [16]:9 - 10

6 Atravessaram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na ásia;

7 e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu.

8 Então, passando pela Mísia, desceram a Trôade.

9 De noite apareceu a Paulo esta visão: estava ali em pé um homem da Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia e ajuda-nos.

10 E quando ele teve esta visão, procurávamos logo partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciarmos o evangelho.

Um Espírito não pode encarnar a um tempo em dois corpos diferentes. O Espírito é indivisível e não pode animar simultaneamente dois seres distintos.
(Ver, em O Livro dos Médiuns, o capítulo VII, "Da bicorporeidade e da transfiguração.")  

[9a- página 135 questão 137]

        Sabemos que durante o sono o Espírito readquire parte da sua liberdade, isto é, isola-se do corpo e é nesse estado que, em muitas ocasiões, se tem ensejo de observá-lo.  Mas, o Espírito, quer o homem esteja vivo, quer morto, traz sempre o envoltório_semimaterial que, pelas mesmas causas de que já tratamos, pode tornar-se visível e tangível.

 

[17b- página 152 item 114]

        O corpo pode viver, enquanto está ausente o Espírito. Poderíamos dizer que o corpo vive a vida orgânica, que independe do Espírito, e a prova é que as plantas vivem e não têm Espírito. Mas, precisamos acrescentar que, durante a vida, nunca o Espírito se acha completamente separado do corpo.  Do mesmo modo que alguns médiuns_videntes, os Espíritos reconhecem o Espírito de uma pessoa viva, por um rastro_luminoso, que termina no corpo, fenômeno que absolutamente não se dá quando este está morto, porque, então, a separação é completa.  Por meio dessa comunicação, entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago. Daí resulta que o corpo não pode morrer durante a ausência do Espírito e que não pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme hão dito alguns romancistas, em histórias compostas para recrear. ( O Livro dos Espíritos, ns. 400 e seguintes.)

 

[17b- página 156 item 118]

Materializações e bicorporeidade

 

        Entre os fenômenos de materialização e bicorporeidade ocorridos no Brasil, são notáveis os produzidos pelo médium Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento, Minas Gerais.  O médium possuía a faculdade de fazer curas em desdobramento_espiritual, inclusive materializando-se para conversar e manipular curas em seus pacientes, conservando seu corpo físico no Colégio Allan Kardec, onde lecionava.

 

Consciência espírita: www.consciesp.org.br

        A bilocação é um fenômeno bastante antigo e autores clássicos a ela já faziam referência.

  • Suetônio em seu livro A Vida dos doze Césares e Tácito nos Anais falam em pessoas que foram vistas em dois lugares ao mesmo tempo.
  • No seio da Igreja Católica também se verificaram vários exemplos de pessoas duplas. Os mais conhecidos são os de:
    • Antônio de Pádua (1195-1231),
    • Francisco Xavier (1560-1663),
    • Maria de Jesus Agreda (1603-1665)
    • e Santo Afonso Maria de Liguori (1696-1787).

http://www.redencao.org.br/pessoas_duplas.htm

Ver também:

 

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS