A
glutonaria
(GULA), além de deformar a organização física, é agente
de males que sobrecarregam o corpo produzindo disfunções
gastro-intestinais, dispepsias, acidez, ulcerações, alienando o homem
que vive para comer, quando deveria, com equilíbrio, comer para viver.
...Vemos aqui uma pobre amiga
desviada nos excessos de alimentação.
Todas as suas glândulas e centros nervosos trabalham para atender as exigências
do sistema digestivo. Descuidada de si mesma, caiu na glutonaria crassa,
tornando-se presa de seres de baixa condição.
Fraquíssima
luz emanava de sua organização mental e, desde o primeiro instante, notara-lhe as deformações
físicas.
O
estômago dilatara-se-lhe horrivelmente e os intestinos pareciam sofrer
estranhas alterações.
O
fígado, consideravelmente aumentado, demonstrava indefinível agitação.
Desde
o duodeno ao sigmóide, notavam-se anomalias de vulto.
Guardava
a ideia de presenciar, não o trabalho de um aparelho digestivo usual, e,
sim, de vasto alambique, cheio de pastas de carne e caldos gordurosos,
cheirando a vinagre de condimentação ativa.
Em
grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se muitos parasitos
conhecidos, mas, além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a
lesmas voracíssimas, que se agrupavam em grandes colônias, desde os músculos
e as fibras do estômago até a válvula íleo-cecal.
Semelhantes
parasitos atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição.