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MATEUS (nome grego, Matháios, que significa "dom de Deus", o mesmo
que Teodoro). Seu nome em hebraico era
LEVI.
Diz Papias que "Mateus reuniu os "Logía" de Jesus (ou seja os
discursos), e cada um os traduziu como
pôde do hebraico em que tinham sido escritos".
Todavia, jamais foi encontrada nenhuma citação de Mateus em hebraico, nem
mesmo em aramaico.
Com efeito, em hebraico é que não escreveu ele, já que desde 400 anos antes
de Cristo o hebraico não era mais
falado, e sim o aramaico, que é uma mistura de hebraico com siríaco. Parece,
pois, que Papias não tinha informação
segura.
Um argumento em favor do hebraico ou aramaico de Mateus original são seus
numerosíssimos hebraismos. Entretanto, qualquer tradutor teria o cuidado de
expurgar a obra dos hebraísmos. Se eles aparecem
em abundância, é mais lógico supor-se que o autor era judeu, e escrevia numa
língua que ele não conhecia bem, e por
isso deixava escapar muitos barbarismos.
Supõe-se que Mateus haja escrito entre os anos 54 e 62.
Dirige-se claramente aos judeus (basta observar as numerosas citações do Velho_Testamento e o esforço para provar que Jesus era o Messias prometido aos judeus
pelos antigos Profetas)
. Mateus mostra-se até irritado contra seus antigos correligionários.
MARCOS, ou melhor, JOÃO MARCOS, era sobrinho de Pedro. O nome João era
hebraico, mas o segundo nome Marcos era
puramente latino. Não deve admirar-nos esse hibridismo, sabendo-se que os romanos dominavam a Palestina desde 70 anos
antes de Cristo, introduzindo entre o povo não apenas a língua
grega, como os nomes latinos e gregos. (Os romanos impuseram a língua latina
às conquistas do ocidente e a grega às
do oriente, daí o fato de falar-se grego na palestina desde 70 anos antes de
Cristo, por coação dos dominadores) .
Marcos escreveu entre 62 e 66, e parece que se dirigia aos romanos, tanto que
não vemos nele citações de profecias;
apenas uma vez (e duvidosa) cita o Velho Testamento. Mais: se
aparece algo de típico dos costumes
judaicos, Marcos apressa-se a esclarecer, explicando com pormenores o de que se
trata, como estando consciente de que
seus leitores, normalmente, não no perceberiam.
LUCAS, abreviatura grega do nome latino Lucianus, não tinha sangue judeu: era
grego puro, de nascimento e de raça. Escreveu em linguagem correta, entre 66 e
70, interpretando o pensamento de Paulo a
quem acompanhava nas viagens apostólicas, talvez para prestar-lhe assistência
médica, pois o próprio Paulo o chama "médico querido" (cfr. 2.a
Cor. 12:7) .
Todo o plano de sua obra é organizado, demonstrando hábito de estudo e leitura
e de pesquisa.
JOÃO, chamado também
"o discípulo amado", e mais tarde "o presbítero", isto é,
o "velho". Filho de Zebedeu, e
portanto primo irmão de Jesus, acompanhou o Mestre no pequeno grupo iniciático,
com seu irmão Tiago e com Pedro.
Clemente de Alexandria diz ter João escrito o "Evangelho
Pneumático". Sabemos que "pneuma" significa
"Espírito". Então, é o Evangelho espiritual. Em que sentido?
Escrito por um Espírito? "Pneumografado"?
Tal como hoje dizemos "psicografado"?
João escreveu entre 70 e 100, tendo
desencarnado em 104.
Seu estilo é altaneiro, condoreiro e seu Evangelho está repleto de simbolismos
iniciáticos, tendo dado origem a uma
teologia.
Linguisticamente, Lucas é o mais correto e Marcos o mais vulgar testando Mateus
e João escritos numa linguagem
intermediária.
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Volume 1 página 6]
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