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A meta da ciência e da fé é a mesma: a busca da verdade. Ambas
tentam descrever uma realidade, cada qual sob olhares distintos.
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A
ciência considera que hipóteses verificadas e comprovadas empiricamente e
fundamentadas por modelos lógico-matemáticos são a descrição mais
fiel da realidade.
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A
fé considera que experiências particularizadas
afirmam uma realidade que, antes de hipótese, é uma verdade absoluta.
A
grande diferença, pois, não está no objeto de análise, mas na
linguagem e metodologia utilizadas para a compreensão. Uma distinção de
referenciais.
A Nova Era abarca um novo contexto social, religioso e tecnológico,
no qual as linguagens utilizadas pela religião e pela ciência passam a
se aproximar e até mesmo a se confundir:
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a subjetividade como manifestação
de uma experiência que não pode ser descrita em palavras ou outros símbolos,
mas apenas compreendida por quem a vivenciou;
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o pensamento como fonte de
transformação da realidade;
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espaço e tempo relativos;
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níveis
alternativos de consciência;
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fé.
A ciência abre espaço para as
possibilidades infinitas da existência, admitindo os paradoxos da matéria
(a natureza dual da luz, por exemplo, que é onda e partícula ao mesmo
tempo, a depender do referencial) e tecendo suas considerações sobre o não-ser,
sobre a anti-matéria. Se antes a razão era objetiva e determinista,
agora ela é relativa e aberta à potencialidade das situações.
Pode-se observar que, hodiernamente, tanto nas manifestações de
fé
New Age quanto na ciência, é o observador quem exerce um papel
fundamental nas definições de certo e errado, de real e irreal. É ele
quem determina a natureza da existência, é ele quem circunscreve o mundo
em que vive. É o olhar particularizado do fragmento que lhe proporciona a
ideia do todo e é a experiência da ausência de sentidos ou
simplesmente da ausência de referenciais objetivos e racionais que lhe
faz vislumbrar o não-existir. A expressão da vivência se torna uma
realidade deturpada, pois depende da utilização de uma linguagem que
simboliza o que foi experimentado, mas não compreende a experimentação
em si. A palavra não é o objeto descrito.
Ciência e fé, na perspectiva Nova Era,
já não mais representam
realidades diametralmente opostas. Com o avanço da tecnologia na física
e neurociência e a evolução das discussões e interpretações
religiosas e espiritualistas através das práticas esotéricas e místicas,
percebe-se que a linha que separa as duas grandes colunas de sustentação
da humanidade – ciência e fé - é, de fato, muito tênue. A linguagem,
pura construção social, pode ao mesmo tempo afastar ou aproximar o diálogo
entre estes dois fundamentais devaneios humanos, guiada pelo olhar de quem
observa e pela dimensão daquilo que é observado.
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