Pais (Hipótese): Jose Caetano Simões e Rita Maria de Jesus

Pais: Bartholomeu dos Santos Ribeiro e Marcelina Maria do Nascimento

Casamento:

Joaquim Caetano Simões

Anna Ribeiro dos Santos

(c. 1795-1805? - fal. presumido set/1835), filho natural de N. forra, ex-escrava em Vitória, com hipótese de paternidade de José Caetano Simões

"Era filho de fora (forra) escravisados na Cidade de Vitória-ES", conforme juramento de Anna Ribeiro dos Santos.

M. (Mestre) Joaquim Caetanio Simões, em 1825 aportou no Rio de Janeiro com sua embarcação Capitania, transportando farinha, milho, arroz e passageiros, conforme jornal abaixo.

Em 1835 naufragou com sua embarcação, em viagem de Benevente-ES
para o Rio de Janeiro e desapareceu -1836 [66]


[66]-1836

Casou-se em 2ª núpcias com Manoel Joaquim dos Reis, em aproximadamente 1845

Parte do Juramento de Anna Ribeiro dos Santos (Inventariante) no processo movido pelos credores,
pelo falecimento de Joaquim Caetano Simões


... "seu marido Joaquim Caetano Simões era filho de fora (forra) escravisados nesta cidade de onde passara hir rezidir em Villa Nova de Benevente de onde sahira na sua embarcação carregado para o Rio de Janeiro em dias do mez de Setembro do ano passado de mil oitocentos e trinta e cinco ... dia da sua saida tivera huma grande tempestade de vento contrário por isto que athé o dia de hoje não aparecia em porto algum e por não haver noticia delle julgava ser fallecido deixando do seu matrimionio dois filhos herdeiros órfãos"

Página completa
Filhos:

Domingos, batizado no dia 16/03/1834, na Matriz de Vitoria-ES, filho de Francisco Caetano Simões e Joanna Maria do Sacramento, neto paterno de Jose Caetano Simões e Rita Maria de Jesus, neto materno de Manoel Moreira e Maria Ribeira - Padrinho: Capitão Domingos Rodrigues Soutto

Registro de batismo na Catedral de Vitória - ES

Carta de Ana Ribeiro dos Santos ao Juiz de órfãos

Ilmo Senhor Francisco Martins de Castro
Dignicimo Sr. dos orfos mande Sr. faça meu pro-
cesso, fazer o meu inventário por ter passado hum
ano e tantos dias que saio de Benevente para o Rio
de Janeiro e logo neste mesmo dia apanhou hum
grande tempo e como não haparece até este
tempo em parte nenhuma num noticiou fassa
certa ser morto e como os credores me perseg
ue pelas dividas, algumas delas estão correndo
a juros a qual hé do Sr. Capitão Mor Si
queira e de outro assim de Benevente daque
le Sr. Barros hé o procurador quero já pri
nsipiar pra apartar tanto juros e assim

Remeto a V.Sa o Rol dos meus Bens que
tenho

24/Setembro/1836
Deos Guarde a V.Sa.
pois sou Serva e Escrava


Ana Ribeiro dos Santos

Páginas do processo de inventário dos bens de Joaquim Caetano Simões

Página_01 - Intrudução ao Inventário dos bens de Joaquim Caetano Simões - 28/9/1836, na Cidade de Vitória da Província do Espírito Santo, na casa de morada do Juiz de órfãos Capitão Francisco Martins de Castro
Página 02 - continuação
Página_03 - Carta de Anna Ribeiro dos Santos, ao Juiz de órfãos informando que seu marido Joaquim Caetano Simões havia partido para o Rio de Janeiro, ha mais de uma e logo após a sua partida ocorreu um grande temporal e como ainda não de tem noticia acredita que esteja morto e pede que autorire se inicie o inventário dos seus bens para pagamento aos credores e que sobre algumas dívidas estão sugeitas a juros.
Página_04 - Notificação feita por Francisco de Paula Xavier, a Anna Ribeira dos Santos, por determinação do Juiz de órfãos Capitão Francisco Martins de Castro, para no dia 01/10/1836 prestar juramento. Juramento da Inventariante Dona Anna Ribeiro dos Santos
Página 05 - continuação (nesta página consta que Joaquim Caetano Simões "era filho de fora (forra) escravisados nesta cidade de onde passara hir rezidir em Villa Nova de Benevente de onde sahira na sua embarcação carregado para o Rio de Janeiro em dias do mez de Setembro do ano passado de mil oitocentos e trinta e cinco ... dia da sua saida tivera huma grande tempestade de vento contrário por isto que athé o dia de hoje não aparecia em porto algum e por não haver noticia delle julgava ser fallecido deixando do seu matrimionio dois filhos herdeiros órfãos"
Página 06a - Título dos Herdeiros, Dona Anna Ribeiro dos Santos, Viuva e Filhos: Maria da Penha da Trindade, 13 anos de idade e Manoel dos Santos, 9 anos de idade.
Página_06b - Notificação feita por Francisco de Paula Xavier, ao Licenciado Manoel Duarte Carneiro, por determinação do Juiz de órfãos Capitão Francisco Martins de Castro, para no dia 23/10/1836 pestar juramento de Curador aos órfãos acima mencionados. - Início do Juramento ao Curador
Página_07 - Continuação do Juramento ao Curador, assinatura do Curador e Intimação para Louvação feita por Francisco de Paula Xavier à Viuva Inventariante Dona Anna Ribeiro dos Santos, a herdeira Dona Maria Magdalena da Trindade e ao Curador Licenciado Manoel Duarte Carneiro, em 06/10/1836.
Página_08 - Louvação, no dia 08/10/1836, em Vitória, na casa de morada de Anna Ribeiro dos Santos, para avaliação dos escravos foram indicados os louvados Antonio Luiz do Nascimento e Narcizo Jose Texeira.
Página 09 - Juramento aos Louvados no dia 11/10/1836, na casa de morada do Juiz de órfãos Capitão Francisco Martins de Castro.
Página 10a - continuação, assinaturas dos Louvados.
Página 10b - Escravos

Jozé, pardo, com idade de 14 anos
Joaquim, pardo, com idade de 18 anos
Anna, criolla, com idade de 28 anos
300$000
400$000
300$000

Página 11 - continuação

Francisca, criolinha, filha de Anna, de 16 meses de idade
Benedita, criolinha, filha de Anna, com idade de 5 anos
Maria, mulatinha, com idade de 8 anos
Claudina, criolinha, com idade de 6 anos
50$000
250$000
260$000
160$000

Página 12 - Declaração de créditos, feita pela Inventariante, com os respectivos devedores:

Jose Antonio Paranha, em Benevente
Manoel de jesus
57$040
4$160

Página 13 - continuação

Luiz Francisco Delgado
João Neri de Piuma
Jose Francisco Gomes Muqui
João Seará de Selim
Manoel Joaquim Vieira
Queiroz, morador em Benevente
Cornelio Nessote? de Vasconcellos
Capitão Atonio Rodrigues Cardozo também deve a seo Cazal
45$380
16$410
9$280
20$000
4$000
11$990
33$510
29$550

Página 14 - continuação

Padre Manoel Joaquim Pacheco
Apolinário Jose da Cunha
Felisberto Francisco dos Santos, segundo a declaração do mesmo
44$520
13$000
14$040

Página 15 - Juntada, 07/01/1837
Página 16 - Declaração de Anna Ribeiro dos Santos em relação aos escravos.



Diz D. Anna Ribeiro dos Santos, viuva de Joaquim
Caetano Simões
que no Inventário que se está
procedendo dos bens de seu Cazal se descreveram
várias dívidas que o seu finado marido éra
devedor, e como para pagamento das dívidas exige-
se a venda dos escravos e não sendo da vontade
da Suplicante para isso fazer, solicita que as escravas me-
nores, Benedita, Francisca e Claudina nas partilhas
que tem de fazer-se sejam votadas ao Pai da Suplicante
para pagamento da dívida que descreveo, repondo o mesmo
em juros o escedente e os demais escravos sejam
votados à Suplicante, obrigando a Suplicante ao pagamento
aos credores de que apresentará fiança se necessá
rio for.

...

a Suplicante na forma

da Lei Vila da Vitoria,
9 de Janeiro de 1837

Página_17 - Termo de Obrigação de Fiança - Aos nove do mes de Janeiro do ano de 1837 nesta Cidade da Vitória da Província do Espírito Santo e Caza de morada de Bartholomeo dos Santos Ribeiro onde eu Escrivão vim e por elle foi dito em presença das testemunhas abaixo que elle de sua livre vontade e sem constragimento de pessoa alguma afiançava a Suplicante sua filha Dona Anna Ribeiro dos Santos a satisfação de constar no inventário que se está procedendo do bens do seo Cazal a fim de lhe serem lançados no pagamento da sua preciação os escravos mencionados no seo requerimento acima dos ____ Jose, Maria, Joaquina e Anna obrigando se por sua pessoa e bens móveis e de Raiz logo que for findo o dito inventário a satisfação de todas as dívidas sem dúvida alguma. Testemunhas: Luiz_Barboza_Brandão e Raimundo Pinto Ribeiro, Escrivão de órfãos Francisco de Paulo Xavier.
Página 18 - Declaração da Inventariante em 12/01/1837
Página 19 - continuação da declaração - Declarou a inventariante que a Villa Nova de Benevente onde era a sua residência lhe havião ficado alguns móveis de caza quais são uma _____ toda quebrada sem ferragens, uma marqueza velha, dez cadeiras velhas, uma caixa velha, um baú velho, uma meza pequena velha e um barril _____ e nada mais possuia seo Cazal porem que os mesmos bens acima declarados e ella inventariante os considerava sem mencionamento algumque não valerá o valor dos mesmos para se pagarem as despesas de avaliação dos mesmos, motivo por que requeria a elle Juiz ouvisse a sua declaração por feita para não incorrernas formas da Lei ficando desta forma satisfeita.
Página 20 - Início do Encerramento
Página 21 - Encerramento e início das Dívidas
Página 22 - Relação das Dívidas, com respectivos credores:

Bartholomeo dos Santos Ribeiro (pai da inventariante)
Capitão mor Manoel de Siqueira de Sá
Ao mesmo Capitão mor, juros de 3 anos 4 meses e 4 dias
Francisco Xavier Nunes, por cabeça de sua mulher, herdeiros do finado Francisco Xavier Pinto Saraiva
Ao mesmo Francisco Xavier, juros de 2 anos 2 meses e 4 dias contados athé 17 de Dezembro passado
358$820
250$000
25$080
353$632
46$202

Página 23 - continuação

Jose Pereira da Rocha Paranhos, da Corte do Rio de Janeiro
Ao mesmo Jozé Pereira, o premio da quantia acima de 1% ao mez contado de 18/7/1835 a 18/01/1837, que decorrerão 18 mezes
Ao mesmo Jozé Pereira as custas de sua justificação
Jose Ferreira Barrozo
Ao mesmo Jozé Ferreira, as custas do seo documento
696$238
125$316
6$600
68$600
5$570

Página 24 - encerramento das dívidas e início da Publicação
Página 25 - Publicação e início do Juramento aos Partidores
Página 26 - Partidores nomeados: o Licenciado Joaquim Jose de Souza Ribeiro e o Licenciado João dos Santos Lisboa. início do Titulo da Partilha
Página 27 - Monte Mor = 1923$040, Dívidas = 1836$058
Página 28 - Monte Partível = 86$982, Meiação da Viúva = 43$491, Ditta do Inventário = 43$491
Página 29 - Valor de cada herdeiro = 21$745 e Pagamentos à Viúva = 43$491
Página 30 - continuação dos demais bens que ficaram para a viúva
Página 31 - continuação
Página 32 - continuação e início do Pagamento à herdeira Maria Magdallena (filha)
Página 33 - continiação e pagamento ao herdeiro Manoel (filho) - Inicio de pagamento aos credores
Página 34 - continuação
Página 35a - continuação
Página 35b - encerramento
Página 36a - continuação
Página 36b - Datta
Página 37 - Datta
Página 38 - continuação
Página 39 - Datta
Página 40 - Termo de Tutella, em 04/2/1837, na caza de morada de Bartholomeo dos Santos Ribeiro onde foi vindo o atual Juiz de órfãos Capitão Francisco Martins de Castro. Bartholomeo dos Santos Ribeiro foi nomeado tutor dos seus nettos. Escrivão de órfãos Francisco de Paula Xavier. Testemunhas: Raimundo Pinto Ribeiro e Luiz_Barboza_Brandão
Página 42 - continuação - assinaturas
Página 41 - Custas

Porto de Benevente (atual Anchieta) em 1874.
Pormenor de foto de Albert Richard Dietze.


Jornal_1825_JoaquimCaetanoSimoes_Mestre

https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QHK-HQV2-ZS95-L?view=index&personArk=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3A6KXK-K1B6&action=view&cc=2177275

Aqui está um texto ampliando o que já está registrado acima,
com o drama da Anna e a análise da hipótese de paternidade de Joaquim


1. O drama de Anna Ribeiro dos Santos - 1835/1837

O caso de Anna Ribeiro dos Santos é um dos retratos mais crus da vulnerabilidade feminina no Espírito Santo imperial.

Em setembro de 1835, seu marido, Joaquim Caetano Simões, morador em Vila Nova de Benevente (hoje Anchieta), embarcou em sua própria embarcação, carregado com mercadorias para o Rio de Janeiro. No mesmo dia da saída, conforme Anna declara no juramento de inventariante, "tivera huma grande tempestade de vento contrário".

A embarcação nunca chegou a porto algum. Não houve notícia, não houve corpo, não houve naufrágio confirmado. Apenas o silêncio.

Por mais de um ano Anna esperou. Nesse intervalo, viúva de fato mas não de direito, ela passou a ser perseguida pelos credores do marido. Algumas dívidas corriam a juros - inclusive a do Capitão-Mor Manoel de Siqueira e Sá e a do Sr. Barros, de Benevente. A situação a levou a escrever, de próprio punho, em 24 de setembro de 1836, uma carta desesperada ao Juiz de Órfãos da Cidade de Vitória, Capitão Francisco Martins de Castro:

    • "Dignicimo Sr. dos orfos mande Sr. faça meu processo, fazer o meu inventário por ter passado hum ano e tantos dias que saio de Benevente para o Rio de Janeiro e logo neste mesmo dia apanhou hum grande tempo e como não haparece até este tempo em parte nenhuma num noticiou fassa certa ser morto e como os credores me persegue pelas dividas, algumas delas estão correndo a juros [...]"

E encerra com uma assinatura que resume sua condição social e psicológica naquele momento: "pois sou Serva e Escrava".

O inventário é aberto em 28/09/1836 na casa do Juiz de Órfãos. Anna jura em 01/10/1836 que Joaquim "era filho de fora (forra) escravisados nesta cidade (Vitória-ES) de onde passara hir rezidir em Villa Nova de Benevente" e que deixava dois filhos órfãos.

Os herdeiros são qualificados: Maria da Penha da Trindade (ou Magdalena), 13 anos, e Manoel dos Santos Simões, 9 anos em 1836. Ou seja, um casal estabelecido em Benevente, com poucos bens de raiz e cuja fortuna era, como era comum, concentrada em escravizados: José, pardo 14 anos; Joaquim, pardo 18 anos; Anna, crioula 28 anos, com as filhas Benedita 5 anos, Francisca 16 meses, e mais Maria mulatinha 8 anos e Claudina 6 anos.

Para não ver esses escravos - que eram também laços afetivos e de trabalho - serem vendidos para pagar juros, Anna faz um requerimento tocante em 09/01/1837: pede que as três menores, Benedita, Francisca e Claudina, sejam "votadas" ao seu pai para pagamento de dívida, e que os demais fiquem com ela, obrigando-se ao pagamento dos credores com fiança.

Quem presta a fiança é o próprio pai dela, Bartholomeo dos Santos Ribeiro, em 09/01/1837, em sua casa em Vitória. Ele também será nomeado tutor dos netos em 04/02/1837, fechando o ciclo: Anna volta para a casa paterna, sem marido, com dois filhos pequenos, e com um espólio que, feitas as contas, é quase nada.

O Monte Mor é de 1:923$040, as dívidas de 1:836$058. Sobra um Monte Partível de apenas 86$982. A meação da viúva é de 43$491 e a de cada órfão, 21$745. A pobreza final é atestada pela própria Anna ao declarar os móveis que ficaram em Benevente: "uma [mesa?] toda quebrada sem ferragens, uma marqueza velha, dez cadeiras velhas, uma caixa velha, um baú velho, uma meza pequena velha e um barril".

É o naufrágio duplo: do marido no mar e da família em terra.

2. A hipótese da filiação ilegítima de Joaquim Caetano Simões

No juramento, Anna usa uma expressão fundamental e de grafia incerta na transcrição: "filho de fora (forra) escravisados nesta cidade". A leitura paleográfica correta mais provável é "filho de fora de forra, escravizados nesta cidade" ou "filho de forra, escravizada nesta cidade" - ou seja, filho natural de uma mulher forra (ex-escravizada alforriada) que havia sido escrava em Vitória.

Isso abre a questão da paternidade:

    • A hipótese de que Joaquim Caetano Simões possa ser filho ilegítimo de José Caetano Simões, patriarca de uma das famílias mais importantes de Vitória no final do século XVIII e início do XIX, casado com Rita Maria de Jesus.

Os indícios que sustentam a hipótese são fortes dentro da prática genealógica da época:

    • a) Homonímia patronímica: O nome Joaquim Caetano Simões reproduz integralmente o primeiro nome e os dois sobrenomes do suposto pai, José Caetano Simões. Era praxe no Brasil escravocrata que filhos naturais reconhecidos informalmente, ou mesmo não reconhecidos mas de paternidade notória, recebessem o nome do pai. O fato de o filho legítimo e conhecido de José Caetano chamar-se Francisco Caetano Simões - que por sua vez é pai de Domingos, batizado em 1834 na Matriz de Vitória, neto paterno de José Caetano Simões e Rita Maria de Jesus - cria um paralelo perfeito: Francisco e Joaquim, ambos Caetano Simões, ambos ligados a Vitória.
    • b) Geografia social: José Caetano Simões era homem abastado de Vitória, proprietário de escravos. Ter um filho com uma escravizada ou forra de sua propriedade e depois alforriá-la (ou alforriar o filho) era extremamente comum. O próprio termo "forra" usado por Anna reforça que a mãe de Joaquim não era mais escrava em 1836, mas havia sido.
    • c) Ocupação e ascensão: Joaquim, apesar da origem humilde, torna-se mestre de embarcação e pequeno comerciante em Benevente, com escravos e créditos ativos em Benevente, Piuma, Muqui. Esse pequeno capital inicial para comprar embarcação e escravos frequentemente vinha de um auxílio paterno velado - uma forma de "dote" para filhos naturais.
    • d) Ausência no inventário do patriarca: Se José Caetano Simões morreu antes de 1835 (o que parece provável), um filho natural não seria listado como herdeiro, a menos que legitimado em testamento, o que explicaria o silêncio documental.

O que falta para comprovar:

  • Para transformar a hipótese em prova, seria necessário cruzar três fontes que ainda não constam na página:
    • Batismo de Joaquim Caetano Simões: Procurar nos livros de batismo de escravos e forros da Matriz de Vitória (1790-1810). Se ele foi batizado como filho natural de [Nome da mãe] forra, com pai incógnito, mas tendo como padrinho Francisco Caetano Simões ou o próprio José Caetano, é quase prova. Mas, infelizmente estes livros desapareceram.
    • Testamento de José Caetano Simões e de Rita Maria de Jesus: Muitos senhores deixavam legados a "meu filho natural" ou alforriavam a mãe na verba testamentária. Outra situação impossível, neste ano de 2026 um incêncio destruiu toda a documentação desta época nos arquivos do tribunal de Justiça. O que conseguimos para este trabalho há algunas anos, já foi uma coisa extraordinária e excepcional.
    • Inventário de José Caetano Simões: Verificar se há menção a uma escrava/forra alforriada com filho de nome Joaquim. Conforme dito acima, caso impossível também.

Essa formulação preserva a história de Anna - que já é um documento histórico por si só - sem afirmar como certo o que ainda é hipótese, mas também sem esconder o que a onomástica [1] e o contexto social de Vitória sugerem com tanta força.


--- [1] A onomástica é o estudo dos nomes próprios de todos os gêneros, das suas origens e dos processos de denominação no âmbito de uma ou mais línguas ou dialectos.


INÍCIO BIBLIOGRAFIA LINK ÍNDICE INVENTÁRIOS OUTROS PESQUISA NO SITE