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Remonta
à mais alta antigüidade o uso dos sacrifícios humanos. A explicação para
que o homem tenha sido levado a crer que tais coisas pudessem agradar a Deus,
está em, principalmente, porque não compreendia Deus como sendo a fonte da
bondade.
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Nos
povos primitivos a matéria sobrepuja o espírito; eles se entregam aos
instintos do animal selvagem. Por isso é que, em geral, são cruéis; é
que neles o senso
moral, ainda não se acha desenvolvido.
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Em
segundo lugar, é natural que os homens primitivos acreditassem ter uma
criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus, do que um corpo
material. Foi isto que os levou a imolarem, primeiro, animais e, mais tarde,
homens. De conformidade com a falsa crença que possuíam, pensavam que o
valor do sacrifícios era proporcional à importância da vítima. Na vida
material, como geralmente a praticais, se houverdes de oferecer a alguém um
presente, escolhê-lo-eis sempre de tanto maior valor quanto mais afeto e
consideração quiserdes testemunhar a esse alguém. Assim tinha que ser,
com relação a Deus, entre homens ignorantes.
Não
foi de um sentimento de crueldade que se originaram os sacrifícios humanos. Originaram-se
de uma idéia errônea quanto à maneira de agradar a Deus. Considerai o que se
deu com Abraão. Com o correr dos tempos, os homens entraram a abusar dessas
práticas, imolando seus inimigos comuns, até mesmo seus inimigos particulares.
Deus, entretanto, nunca exigiu sacrifícios, nem de homens, nem, sequer, de
animais. Não há como imaginar-se que se Lhe possa prestar culto, mediante a
destruição inútil de Suas criaturas.
[9a
- página 324 questão 669]
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À
proporção que se foram melhorando, os homens tiveram que reconhecer o erro em
que laboravam e que reprovar tais sacrifícios, com que não podiam conformar-se
as idéias de Espíritos esclarecidos. Digo - esclarecidos, porque os Espíritos
tinham então a envolvê-los o véu material; mas, por meio do livre-arbítrio,
possível lhes era vislumbrar suas origens e fim, e muitos, por intuição, já
compreendiam o mal que praticavam, se bem que nem por isso deixassem de
praticá-lo, para satisfazer às suas paixões.
[9a
- página 325 questão 670]
Como
temos dito e sempre repetiremos, a prece proferida do fundo da
alma é cem vezes
mais agradável a Deus do que todas as oferendas que lhe possais fazer. Repito
que a intenção é tudo, que o fato nada vale.
[9a
- página 326 questão 672]
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As
chamadas guerras santas foram promovidas por povos fanáticos, tendo em vista agradar
a Deus, a exterminarem o mais possível os que não partilhavam de suas crenças.
Foram
impelidos pelos maus Espíritos e, fazendo a guerra aos seus semelhantes,
contravêm à vontade de Deus, que manda ame cada um o seu irmão, como a si
mesmo. Todas as religiões, ou, antes, todos os povos adoram um mesmo Deus,
qualquer que seja o nome que lhe dêem.
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Por
que então há de um fazer guerra a outro, sob o fundamento de ser a
religião deste diferente da sua, ou por não ter ainda atingido o grau de
progresso da dos povos cultos ?
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Se
são desculpáveis os povos de não crerem na palavra daquele que o
Espírito de Deus animava e que Deus enviou, sobretudo os que não o viram e
não lhe testemunharam os atos, como pretenderdes que creiam nessa palavra
de paz, quando lhes ides levá-la de espada em punho ?
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Eles
têm que ser esclarecidos e devemos esforçar-nos por fazê-los conhecer a
doutrina do Salvador, mediante a persuasão e com brandura, nunca a ferro e
fogo. Em vossa maioria, não acreditais nas comunicações que temos com
certos mortais; como quereríeis que estranhos acreditassem na vossa
palavra, quando desmentis com os atos a doutrina que pregais ?
[9a
- página 325 questão 671]
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Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dessemelhavam dos
antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até
que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações
do orbe os primeiros
organizadores do pensamento religioso
que, de acordo com a mentalidade geral, não
conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles
seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os
primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos
de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal,
das quais tendes notícia pela História.
[71
página 25]
Emmanuel - 1938
Para Deus, o mundo não
mais deveria persistir no velho costume de sacrificar
nos altares materiais, em seu nome,
razão por que enviou aos homens a palavra do Cristo,
a fim de que a Humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração,
na ascensão divina dos sentimentos
para o seu amor.
[41a
- página 181]
Emmanuel - 1940
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