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22 Anos
"Quinto elemento" - Quintessênia do universo - Segunda parte
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QUINTESSÊNCIA DO UNIVERSO

(1ª parte) SÉRGIO THIESEN- Revista REFORMADOR Agosto de 2002

____Numa indescritível profusão de luzes, cores e sons, esplende infinito e majestoso o império sideral dos universos divinos. Movem-se pelos espaços sem-fim incontáveis multidões de nebulosas e galáxias, carregando consigo inumeráveis aglomerados de milhares de milhões de estrelas, anãs ou gigantes, novas ou pulsantes, brancas, amarelas, azuis e vermelhas, com seus planetas e satélites, cometas e meteoros, numa sinfonia de beleza que ultrapassa todos os nossos poderes de imaginação.

____E tudo se movimenta, se agita, em velocidades inimagináveis, harmoniosas ou turbilhonantes, em voragens e explosões, em transformações e renascimentos, num frenesi inestancável em que tudo_se_equilibra sob o comando invisível da ordem suprema que a tudo preside: Deus.

____Ressaltamos que desde a Codificação Kardequiana, os Espíritos nos informam que o Universo é eterno. Mas 15 bilhões de anos podem significar uma eternidade, pois para as nossas mentes e até para muitos Espíritos, ainda vinculados à psicosfera da Terra, esta ordem de grandeza de tempo é algo que se confunde com ela, na relatividade dos referenciais da compreensão humana terrena. Todavia, eternidade, em sentido absoluto, é outra coisa. O que vamos descrever é o que se sabe, através dos caminhos da Ciência, em síntese, sobre os bilhões de anos, quanto à evolução do Universo, até os nossos dias.

____Por todo o transcurso da História, os seres humanos buscaram apaixonadamente compreender a origem do Universo. Talvez nenhuma questão seja capaz de transcender, mais do que esta, a passagem do tempo e a diferenciação das culturas e de inspirar a imaginação da Humanidade, tanto a de nossos ancestrais quanto a dos pesquisadores da cosmologia moderna. Existe uma ânsia coletiva, permanente e profunda por uma explicação para o fato de que o Universo existe, para a razão pela qual ele tomou a forma que conhecemos e para a lógica, o princípio, que alimenta a sua evolução. O que é fabuloso é que, pela primeira vez, a Humanidade chegou a um ponto em que começa a surgir um esquema capaz de fornecer respostas científicas a algumas dessas perguntas.

____A teoria científica da Criação hoje aceita declara que o Universo experimentou as condições mais extraordinárias em seus primeiros momentos – energia, temperatura e densidade enormes. Essas condições, como hoje sabemos, requerem que levemos em conta tanto a mecânica quântica quanto a gravitação, razão por que a origem do Universo proporciona um profundo campo de estudo, em que novas teorias e concepções se delineiam no horizonte do conhecimento.

____A visão moderna da origem do Universo que predomina nos meios científicos é a seguinte: Há cerca de 15 bilhões de anos o Universo irrompeu a partir de um evento singular dotado de enorme energia, que expeliu todo o espaço e toda a matéria. Não é preciso ir muito longe para localizar onde ocorreu o Big-Bang, pois ele ocorreu aqui mesmo, assim como em todos os outros lugares; no início todos os lugares que hoje percebemos como distantes eram o mesmo lugar. A temperatura do Universo, apenas 1043 segundos após o Big-Bang, o chamado tempo de Planck, era cerca de 1032 o K (graus Kelvin), 10 trilhões de trilhões de vezes mais quente que o interior profundo do Sol. Rapidamente o Universo foi se expandido e resfriando e, ao fazê-lo, o plasma cósmico primordial, homogêneo e torridamente quente, começou a formar redemoinhos e concentrações. Cerca de um centésimo milésimo de segundo depois do Big-Bang, as coisas haviam resfriado o suficiente (algo como 10 trilhões de graus Kelvin – 1 milhão de vezes mais quente que o interior do Sol) para que os quarks pudessem organizar-se em grupos de três, formando os prótons e os nêutrons. Cerca de um centésimo de segundo depois as condições estavam prontas para que os núcleos dos elementos mais leves da tabela periódica começassem a tomar forma, a partir do plasma original. Nos 3 minutos que se seguiram, quando o Universo se esfriou a uma temperatura de 1 bilhão de graus, os núcleos predominantes eram de hidrogênio e hélio, juntamente com traços residuais de deutério, o chamado hidrogênio pesado, e lítio. Esse é o período da nucleossíntese primordial.

____Durante as primeiras centenas de milhares de anos que se seguiram não aconteceu nada de especial, além do prosseguimento da expansão e do resfriamento. Mas quando a temperatura caiu a alguns milhares de graus, a velocidade dos elétrons que se moviam em um frenesi desordenado reduziu o suficiente para que os núcleos atômicos, especialmente os de hidrogênio e hélio, os capturassem, formando assim os primeiros átomos eletricamente neutros. Esse foi um momento crucial: a partir de então o Universo como um todo se tornou transparente. Antes da captura dos elétrons o Universo estava inundado por um denso plasma de partículas eletricamente ativas – umas, como os núcleos, com carga elétrica positiva, e outras, como os elétrons, com carga elétrica negativa. Os fótons, que interagem apenas com objetos dotados de carga elétrica, eram atirados incessantemente de um lado para outro pelo denso mar de partículas ionizadas, e praticamente não chegavam a percorrer distância alguma sem serem desviados ou absorvidos. Essa nuvem espessa de partículas ionizadas impedia o movimento livre dos fótons, o que tornava o Universo quase totalmente opaco, assim como o ar que conhecemos em uma neblina muito densa ou em uma vigorosa tempestade de neve. Mas quando os elétrons com carga elétrica negativa entraram em órbita ao redor dos núcleos, com carga elétrica positiva, produzindo átomos eletricamente neutros, a neblina desapareceu. Desde então, os fótons criados com o Big-Bang têm viajado livremente, e toda a extensão do universo tornou-se visível.

____Mais ou menos 1 bilhão de anos depois, quando o universo já se achava substancialmente mais calmo, as galáxias, as estrelas e por último os planetas começaram a surgir como aglomerados dos elementos primordiais, unidos pela gravitação. Hoje, cerca de 15 bilhões de anos depois do Big-Bang, nós nos maravilhamos com a magnificência do cosmos e com a nossa capacidade coletiva de reunir os nossos conhecimentos em uma teoria razoável e experimentalmente testável da origem do universo. Embora estejamos física e espiritualmente ligados à Terra e às suas cercanias no sistema solar, o poder do pensamento e da experimentação nos permite sondar as profundidades do espaço exterior e do espaço interior. Particularmente, durante os últimos 100 anos, o esforço coletivo de muitos físicos revelou alguns dos segredos mais bem guardados da Natureza. E uma vez reveladas, essas jóias explicativas abriram novo panorama sobre um mundo que pensávamos conhecer, mas cujo esplendor nem sequer chegáramos perto de imaginar. Uma maneira de medir a profundidade de uma teoria física é verificar até que ponto ela desafia aspectos da nossa visão de mundo, que antes pareciam imutáveis. Sob esse ponto de vista, a mecânica quântica e as teorias da relatividade foram muito além das nossas expectativas mais ousadas: funções de onda, probabilidades, tunelamento quântico, o incessante tumulto das flutuações de energia do vácuo, o entrelaçamento do espaço e do tempo, a natureza relativa da simultaneidade, a curvatura do tecido do espaço-tempo, os buracos negros e o Big-Bang. Quem poderia pensar que a perspectiva intuitiva, mecânica e precisa de Newton se tornaria quase acanhada – que havia um mundo novo e extraordinário logo abaixo da superfície das coisas que vemos todos os dias?

____Mas, mesmo essas descobertas que sacodem os nossos paradigmas são apenas uma parte de uma história maior, que tudo abarca. Com uma fé inquebrantável, em que as leis do que é pequeno e as do que é grande devem harmonizar-se em um conjunto coerente, os físicos prosseguem em sua luta incessante por encontrar a teoria definitiva. A busca ainda não terminou, mas a teoria de supercordas e a sua evolução em termos da teoria M já fizeram surgir um esquema convincente para a fusão entre a mecânica quântica, a relatividade geral e as forças forte, fraca e eletromagnética. Os desafios trazidos por esses avanços à nossa maneira de ver o mundo são monumentais: laços de cordas e glóbulos oscilantes que unem toda a criação em padrões vibratórios executados meticulosamente em um universo que tem numerosas dimensões "escondidas", capazes de sofrer contorções extremas, nas quais o seu tecido espacial se rompe e depois se repara. Quem poderia ter imaginado que a unificação entre a gravidade e a mecânica quântica em uma teoria unificada de toda a matéria e de todas as forças provocaria uma tal revolução no nosso entendimento de como o Universo funciona?

____Não há dúvida de que encontraremos surpresas ainda maiores à medida que avançarmos em nossa busca de entender a realidade cósmica. Já podemos vislumbrar um reino estranho do Universo, abaixo da distância de Planck, escala abaixo da qual as flutuações quânticas do tecido do espaço-tempo tornam-se enormes, em que possivelmente não vigoram as noções de espaço e de tempo. No extremo oposto nosso universo pode ser simplesmente uma dentre inumeráveis bolhas que se espalham pela superfície de um oceano cósmico vasto e turbulento, chamado multiverso. Essas ideias estão na vanguarda das especulações atuais e pressagiam os próximos saltos pelos quais passará a nossa concepção do Universo.

____Temos os olhos fixos no futuro, à espera dos deslumbramentos que nos estão reservados, mas não devemos deixar de olhar também para trás e maravilhar-nos com a viagem que já fizemos. A busca das leis fundamentais do universo é um drama eminentemente humano, que expande a nossa visão mental e enriquece nosso espírito. Einstein deu-nos uma descrição vívida da sua própria luta para compreender a gravidade: "os anos ansiosos da busca no escuro, que provocavam sentimentos intensos de angústia e alternâncias entre estados de confiança e de exaustão, e, finalmente, a luz". À medida que subimos a montanha do conhecimento, cada nova geração se apóia sobre os ombros da anterior, aproximando-se todos do cume. Não é difícil prever que algum dia os nossos descendentes (talvez nós mesmos em necessário retorno à escola da vida) chegarão ao topo e gozarão da soberba vista que se abre sobre a vastidão, a exuberância e a excelsitude do Universo, com clareza infinita. Hoje a nossa geração se maravilha com a nossa visão do Universo e cumpre assim o seu papel, contribuindo com um degrau a mais na ascese humana que conduz, através do conhecimento e da virtude, aquisições da alma que se volta, humilde, serena e reverente, com o Cristo, às Mansões do Criador.

Revista REFORMADOR Agosto 2002

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