Novo Testamento

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  • TESTAMENTO:-  A palavra "Testamento", em grego diathéke, apresenta dois sentidos:
    • o "testamento" em que alguém designa seus herdeiros; 
    • a "aliança" que define os termos de um contrato, a que se obrigam as partes que se aliam. Neste sentido de "aliança entre Deus e os homens" é empregado, dividindo-se em duas partes: o VELHO ou ANTIGO TESTAMENTO, escrito antes da vinda de Jesus; e o NOVO, onde se reúnem os escritos a respeito de Jesus. 
      Essa distinção foi feita por Jesus: "este cálice é o NOVO TESTAMENTO em meu sangue, que é derramado por vós" (Lc.22:20) ; c Paulo também opõe o Novo ao Velho: "fez-nos ministros idôneos do NOVO TESTAMENTO" (2 Cor.3:6) e adiante: "até o dia de hoje, na leitura do VELHO TESTAMENTO, permanece o mesmo véu" (2 Cor. 3:14).

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  • MANUSCRITOS - Os primeiros exemplares do Novo Testamento eram copiados em papiros (espécie de papel) , material frágil e facilmente deteriorável. Mais tarde passaram a ser escritos em pergaminho (pele de carneiro), tornando-se mais resistentes e duradouros.  Os manuscritos eram grafados em letras "capitais" ou "unciais" (ou seja, maiúsculas). Só a partir do 8º século passaram a ser escritos em "cursivo", ou letras minúsculas.

    PRINCIPAIS MANUSCRITOS: 

    • Os códices gregos unciais (ao todo, pouco mais de cem existem) , são bastante antigos. Os principais são:

      • A - (alef) ou Sinaítico, no Museu Britânico (séc. IV)

      • A - Alexandrino, no Museu Britânico (séc. V)

      • B - Vaticano, no Museu Vaticano, (Séc. IV)

      • C - É irem, na Biblioteca Nacional de Paris (séc. V)

      • D - Beza, na Universidade de Cambridge, (séc. VI)

      • D2 - Claromontano, na Bibl. Nac. de Paris (séc. VI)

    • Dos códices gregos cursivos ainda existem 1.825 cópias. Os principais códices latinos, com o texto da "vetus latina", isto é, da primitiva tradução anterior aJerônimo, são:

      • a - Vercellensis (séc. IV) na catedral de Vercelli

      • b - Veronensis (séc. V) na Biblioteca de Verona

      • c - Colbertinus (séc V) na Bibl. Nac. de Paris

      • d - Beza (séc. V) na Univ. de Cambridge

      • e - Palatinus (séc. V) na Bibl. Nac. de Viena

      • f - Brescianus (séc. VI) na Bibl. de Brescia

      • h - Claromontanus (séc. IV/V) na Bibl. Vaticana n.o 7.223.

    • Quanto aos códices da Vulgata, existem mais de 2.500, remontando os mais antigos aos séculos VI e VII.

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  • ROLOS - As cópias eram feitas em folhas coladas umas às outras, formando uma tira enorme, que era enrolada em "rolos'. ou "volumes".

  • CÓDICES - Quando as páginas permaneciam separadas e eram costuradas como os nossos livros atuais, por uma das margens, tinham o nome de "códices".

  • COPISTAS -  Os encarregados de copiar os manuscritos chamavam-se "copistas" ou "escribas". Mas nem sempre conheciam bem a língua, sendo apenas bons desenhistas das letras. Pior ainda se tinham conhecimento da língua, porque então se arvoravam a "emendar" o texto, para conformá-lo a seus conhecimentos.  Não havia sinais gráficos para separação de orações, e as próprias palavras eram copiadas de seguida, sem intervalo, para poupar o pergaminho que era muito caro. Daí os recursos empregados, como:

    • ABREVIATURAS - ou reunião de várias letras numa SIGLA, por exemplo: pq, para exprimir porque. Algumas abreviaturas eram perigosas, como: OC, que significa "aquele que". Mas se houvesse um pequenino sinal no meio do O, fazendo dele um "theta", passaria a significar "Deus", (cfr. I Tim. 3:16).

    • COLAÇÃO - A colação de códices é a comparação que se faz entre dois ou mais códices, escolhendo-se a melhor "lição" para cada "passo".

    • CUSTOS LINEARUM - A expressão latina "custos linearum" (guarda das linhas) era empregada para designar uma letra que se escrevia no fim das linhas, para "encher" um espaço que ficasse vazio. Por vezes o "custos" era interpretado como uma abreviatura, e entrava como uma "interpolação"; doutras vezes era realmente uma abreviatura, e era interpretada como "custos", não se copiando.

    • HAPAX LEGÓMENA - São duas palavras gregas que indicam uma palavra usada por um só autor, isto é, um neologismo criado pelo autor e desconhecido antes dele, e que vem empregado uma só vez na obra, como por exemplo a palavra "epiousion" em Mt. 6:11, que não foi traduzida na Vulgata.

    • HARMONIZAÇÃO - Tentativa que faziam os copistas para "harmonizar" o texto de um livro com o de outro, acrescentando ou tirando palavras.

    • INTERPOLAÇÃO - Quando um leitor anotava, na entrelinha ou na margem, um comentário seu, e o copista, julgando-o um "esquecimento" do copista anterior, introduzia esse comentário como parte do texto.

    • LIÇÃO - Diz-se da maneira específica de dizer uma frase, Isto é, da forma exata pela qual está escrita.

    • PASSO - É o "trecho" citado de um autor, por exemplo: "este passo de Mateus está diferente do de Marcos".

    • SALTO - Quando o copista pula uma letra, uma sílaba, uma palavra ou até uma linha, por distração ou confusão.

    • SIGLAS - Abreviações usadas para poupar espaço e tempo.

    • VARIANTE - Quando existe uma diferença entre dois códices, diz-se que há uma "variante".

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OS TEXTOS

          Já no século II escrevia Orígenes: "Presentemente é manifeste que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, 

  • quer pelo descuido de certos escribas, 

  • quer pela audácia perversa de diversos corretores, 

  • quer pelas adições ou supressões arbitrárias" (Patrologia Grega, Migne, vol. 13, col. 1.293).

          Quanto mais se avançava no tempo, mais crescia o número de cópias e de variantes, aumentando sempre mais o desejo de possuir-se um texto fixo e autorizado

          Chegávamos ao 4° século.  Constantino estabeleceu que o Bispo de Roma devia ser o primaz da Cristandade. O imperador Teodósio deu mão forte aos cristãos romanos, declarando o cristianismo "religião do Estado", e firmando, desse modo, a autoridade do Bispo de Roma.  Ocupava o Bispado o então Papa Dâmaso (português de nascimento), devendo anotar-se que, naquela época, todos os Bispos eram denominados "papas". Desejando atender ao clamor geral, Dâmaso encarregou Jerônimo de estabelecer o TEXTO DEFINITIVO das Escrituras.

          A tarefa era ingente, e Jerônimo tinha capacidade para desempenhá-la, pois conhecia bem o hebraico, o grego e o latim. Ele devia re-traduzir para o latim todas as Escrituras, já que as versões antigas (vetus latina) eram variadíssimas.

 

VULGATA

          A tradução latina de Jerônimo é conhecida com o nome de Vulgata, ou seja, edição para o vulgo, e tem caráter dogmático para os católicos romanos.

 

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        II PEDRO [1]

19 - E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações;

20 - sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.

21 - Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.

OS SINÓPTICOS

          Mateus, Marcos e Lucas seguem, de tal forma, o mesmo plano e desenvolvimento, que podem ser abarcados num só olhar (ópticos) de conjunto (sin). 

  • Verifica-se com facilidade que Mateus foi o primeiro a publicar o seu, 

  • tendo Marcos resumido a seguir.  

  • Muitos outros seguiram o exemplo desses dois, tendo aparecido talvez uma centena de resenhas dos atos do Mestre. 

  • Foi quando Lucas resolveu, conforme declara, "organizar" uma narração escoimada de falhas.

A INSPIRAÇÃO

        Aceitamos que a Bíblia, e de modo particular o Novo Testamento, tenham sido inspirados, direta e sensivelmente, por espíritos, se bem que nem todos com a mesma elevação.

        Pedro, com toda a sua autoridade de Chefe do Colégio Apostólico, afirma categoricamente, referindo-se aos escritores do Velho Testamento: "homens que falaram da parte de Deus, e que foram movidos por algum Espírito Santo" (2 Pedro. 1:21). E ainda: "o Espírito de Cristo, que estava neles, testificou" (1 Pedro. 1:11) .

        E no discurso de Estevão, narrado em Atos 7:53, o proto-mártir afirma: "vós que recebestes a Lei por ministério de anjos", isto é, por intermédio de espíritos.

        Tudo isso é normal e comum até nossos dias. Mas, desconhecendo a técnica, cientificamente estudada e experimentada por sábios e pesquisadores espiritualistas, a partir de Allan Kardec, os comentadores se perdem em divagações cerebrinas. Ao invés de admitir... 

  • a psicografia (direta, mecânica ou semi-mecânica), 

  • a psicofonia (total ou parcial), 

  • a audiência e a evidência, ficam a conjeturar "como" pode ter-se dado o fato, chegando a afirmar que "as pedras da Lei foram realmente escritas pelo dedo de Deus" (Dr. Tregelles, Introdução ao N.T.).

        Mais modernamente, Joseph Angus (Hist. Doutr. e Interpr. da Bíblia), escreve: "notam-se, nas diversas partes da Bíblia, no conteúdo e no tom, diferenças evidentes; têm sido feitas distinções 

  • entre "inspiração de direção" e "inspiração de sugestão" (?); 

  • entre a iluminação e o ditado; 

  • entre "influência dinâmica" e "influência mecânica". 

        Vê-se que já se está aproximando da realidade, mas o desconhecimento dos estudos modernos o faz ainda titubear.

        Ainda a respeito da inspiração, perguntam os teólogos se a inspiração da Bíblia deve ser considerada VERBAL (isto é, que todas as suas PALAVRAS tenham sido inspiradas diretamente por Deus - naturalmente no original hebraico ou grego), ou se será apenas IDEOLÓGICA. Faz-se então a aplicação: em Tobias, 11:9, é dito "então o cão que os vinha seguindo pelo caminho, correu adiante, e como que trazendo a notícia, mostrava seu contentamento abanando a cauda". Pergunta-se: é de fé que "o cão abane a cauda quando está alegre"? E respondem: "não, mas é de fé que, naquele momento, um cão abanou a cauda"...

        Não era assim que pensava Jesus, quando dizia que "o espírito vivifica, a carne para nada aproveita" (30. 6:63); nem Paulo, quando afirmava: "não somos ministros da letra (escravos da letra), mas do espírito, pois a letra mata, mas o espírito vivifica" (2 Cor. 3:6). E aos Romanos: "de sorte que sirvamos na novidade do espírito, e não na velhice da letra" (Rom. 7:6.). E mais ainda: quando, em o Novo Testamento se cita o Velho, a citação é sempre feita ad sensum (isto é, pelo sentido), e não ad lítteram (literalmente), e quase sempre pela tradução dos Setenta, e não pelo original hebraico, embora fossem judeus.

 

[67 - Volume 1 página 8]

        A mensagem do Novo Testamento está focada em Jesus: sua vinda, seus feitos e sua mensagem. Nele podemos encontrar também narrativas de seus discípulos diretos e indiretos, bem como o livro profético Apocalipse, que traz profecias referentes ao fim do velho mundo e o estabelecimento do período de regeneração planetária.

 

        Assim se divide o Novo Testamento:

  • Evangelho de Mateus (discípulo de Jesus)

  • Evangelho de João    (discípulo de Jesus)

  • Evangelho de Marcos (discípulo de Pedro)

  • Evangelho de Lucas   (discípulo de Paulo)

  • Atos dos Apóstolos

  • Epístolas de Paulo

  • Epístola de Tiago

  • Epístola de Pedro

  • Epístolas de João Evangelista

  • Epístola de Judas Tadeu

  • Apocalipse, atribuído a João Evangelista

http://www.espiritismo.org/onovotest.htm

        O que prova a validade dos quatro evangelhos, diz Irineu (Bispo de Lyon), é que foram, na verdade, escritos pelos próprios discípulos de Jesus e seus seguidores, que testemunharam pessoalmente os eventos que escreveram. Alguns estudiosos contemporâneos da Bíblia questionam esse ponto de vista: poucos hoje acreditam que os contemporâneos de Jesus escreveram de fato os evangelhos do Novo Testamento. Embora Irineu, para defender sua legitimidade exclusiva, insista em que foram escritos pelos próprios seguidores de Jesus, não sabemos quase nada sobre quem escreveu os evangelhos intitulados Mateus, Marcos, Lucas e João. Sabemos, apenas, que esses escritos foram atribuídos aos apóstolos (Mateus e João) e a seguidores dos apóstolos (Marcos e Lucas).

 

[84 - página 18]

 

O Novo Testamento é composto por:

http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/biblia/ 

 

 

LINKs:

http://virtualbooks.terra.com.br/biblia/novo.htm

 

Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS