Maniqueísmo

        Considerado durante muito tempo uma heresia cristã, possivelmente por sua influência sobre algumas delas, o maniqueísmo foi uma religião que, pela coerência da doutrina e a rigidez das instituições, manteve firme unidade e identidade ao longo de sua história. 
        Denomina-se maniqueísmo a doutrina religiosa pregada por Maniqueu - também chamado Mani ou Manes - na Pérsia, no século III da era cristã. Sua principal característica é a concepção dualista do mundo como fusão de espírito e matéria, que representam respectivamente o bem e o mal.

 

http://www.cacp.org.br/maniqueismo.htm

        Manés vive, assim como Confúcio, Buda, Moisés e Maomé, pela ação que exerceu sobre outros. A religião do Egito era confirmada em uma classe privilegiada, mas não se propagava suficientemente para ser permanente, sendo apenas guardada por uma seita clerical com a qual morreu. Os seus efeitos, entretanto, acham-se em crenças posteriores.


[108 - páginas 225] - Médium: William Stainton Moses - (1839 - 1892)

        Como se forma a “visão de mundo” maniquéia, a visão de Manes, seu fundador?

        Para responder a essa pergunta já se derramaram rios de tinta, mas a resposta é hoje razoavelmente possível, na medida em que o chamado Códice maniqueu de Colônia, descoberto em 1969 no Egito, nos oferece uma biografia confiável de Manes, talvez oriunda do século V. Manes, nascido em 216 d.C. numa localidade da Babilônia setentrional, iniciou em 240 a pregação que o levaria à índia e, na volta, à corte do rei persa Sapor I (240-272), o soberano que humilhou três imperadores romanos:

  • Gordiano III,
  • Filipe, o árabe,
  • e Valeriano.

        Com Sapor I, Manes obteve consenso e proteção. Graças a isso, a “Igreja” maniquéia pôde se desenvolver e difundir. Manes enviou missionários...

  • à Síria,
  • ao Egito,
  • a Batriana,
  • à Armênia
  • e a Palmira.

        “Mas, se depender da minha esperança”, afirmaria, “ela chegará até o Ocidente e o Oriente. E sua mensagem será ouvida em todas as línguas, e será anunciada em todas as cidades. Minha Igreja é superior neste ponto às Igrejas que a precederam, pois essas Igrejas eram eleitas em alguns países e em algumas cidades. Quanto à minha Igreja, ela se difundirá por todas as cidades, e o meu Evangelho alcançará a todos os países”

 

http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=1729

Duas páginas
extraídas do
manuscrito maniqueu
de Colônia, ampliadas
(o original mede
3,5 X 4,5 cm), em
caligrafia fina e letras
maiúsculas gregas.

http://www.rosacruzaurea.org.br/download185

Por sua própria concepção da luta entre o bem e o mal e sua vocação universalista, o maniqueísmo dedicou-se a intensa atividade missionária. Como religião organizada, expandiu-se rapidamente pelo Império Romano. Do Egito, disseminou-se pelo norte da áfrica, onde atraiu um jovem pagão que mais tarde, convertido ao cristianismo, seria doutor da igreja cristã e inimigo ferrenho da doutrina maniqueísta: santo Agostinho. No início do século IV, já havia chegado a Roma.


http://www.estudantedefilosofia.com.br/doutrinas/maniqueismo.php

Maniqueísmo: a luta entre o Bem e o Mal

        É uma forma de pensar simplista em que o mundo é visto como que dividido em dois: o do Bem e o do Mal. A simplificação é uma forma primária do pensamento que reduz os fenômenos humanos a uma relação de: 

        A simplificação é entendida como forma deficiente de pensar, nasce da intolerância ou desconhecimento em relação a verdade do outro e da pressa de entender e reagir ao que lhe apresenta como complexo.

  •  "A pressa de saber obstrui o campo da curiosidade e liquida a investigação em muito pouco tempo", declara o psicanalista W. Zusman (A terra sob o poder de Mani, JB/s.d.). 

  • A pressa não é só inimiga da perfeição, é também inimiga do diálogo, do pensamento mais elaborado, sobretudo, filosófico e científico.

        O maniqueísmo é uma forma religiosa de pensar; não como religião autônoma, mas enquanto comandos camuflados que influenciam os discursos do cotidiano, inclusive as religiões formais e seitas.

        Mani (Manes ou Manchaeus), nascido na Pérsia, no século III, fundou  uma religião, o maniqueísmo, após ter sido "visitado" duas vezes por um anjo que o convocou para esta tarefa, fato este comum entre aqueles que fundam religiões e seitas até hoje. A religião maniqueísta se difundiu pelo Império Romano e pelo Ocidente Cristão. O maniqueísmo combina elementos do zoroastrismo, antiga religião persa, e de outras religiões orientais, além do próprio Cristianismo. "Possui uma visão dualista radical, segundo a qual o mundo está dividido em duas forças: o Bem (luz) e o Mal (trevas) como entidades antagônicas em perpétua luz. Luz e trevas no sistema maniqueísta não são figuras retóricas, são representações concretas do Bem e do Mal. O Reino da Luz e o Reino das Trevas estão em permanente conflito. É dever de cada ser humano entregar-se a esse eterno combate para extinguir em si e nos outros a presença das Trevas afim de poder alcançar o Reino da Luz, que é o Reino de Deus. No maniqueísmo, os homens "eleitos" irão purificar o Bem, com: 

http://www.espacoacademico.com.br/007/07ray.htm 

Ruínas do palácio do rei persa Sapor I, protetor de Maniqueu.


http://hyeros.bravehost.com/maniqueismo034.html

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Ver também:

Crianças e Adolescentes

DESAPARECIDOS