Charles Richet
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Nasceu em Paris em 25 de agosto de 1850; aos 37 anos de idade foi nomeado lente catedrático de Filosofia da Faculdade de Medicina de Paris.

Richet, no campo científico, foi um verdadeiro gênio: além de fisiologista de renome internacional, foi o descobridor da soroterapia.

Depois de se ocupar com os fenômenos chamados supra-normais, porém deixando de lado a parte doutrinária oriunda destes, criou a Metapsíquica, que definiu como sendo uma "ciência que tem por objeto fenômenos mecânicos ou psicológicos, devido a forças que parecem inteligentes, ou a poderes desconhecidos, latentes na inteligência humana".

Suas principais obras são:

  • "Tratado de Metapsíquica", - download
  • "A Grande Esperança",        - download
  • "O Sexto Sentido",
  • "A Porta do Mistério",
  • "O Homem e a Inteligência",
  • além de outras de caráter científico.

Richet desencarnou em Paris em 4 de dezembro de 1935

Fonte: ABC do Espiritismo de Victor Ribas Carneiro

Mais informações em inglês: http://www.nobel.se/medicine/laureates/1913/richet-bio.html

Tratado de Metapsíquica (Traduzido do Francês - Traité de metapsychique) - 1922

Conteúdo Resumido

        O Tratado de Metapsíquica, é uma verdadeira narração de fatos e descrições pormenorizadas de experiências psíquicas, descrições históricas e classificatórias e são divididos...

        A sua maior contribuição, sem sombra de dúvida, foi o estudo do ectoplasma, substância responsável pela viabilidade dos fenômenos ditos objetivos. Foi ele quem, pela primeira vez, denominou a substância que emanava dos médiuns_de_efeitos_físicos de ectoplasma, naquele momento referindo-se aos fluidos que emanavam de Eusápia_Paladino (uma das maiores médiuns da história do Espiritismo)

Conteúdo resumido do livro A Grande Esperança

        Nesta obra o eminente fisiologista Charles Richet se propõe a responder à pergunta: “Por que existes?”
        Depois de ter presenciado centenas de fenômenos espíritas, rigorosamente controlados, junto aos mais respeitados psiquistas europeus e norte-americanos, ele refaz a sua pergunta:

  • “Por que existes?” e responde simplesmente: “Para existir e para ter filhos”.

        Todos os fenômenos mediúnicos comprobatórios da sobrevivência do espírito além da morte corporal, mesmo as pesquisas de Sir_William_Crookes com o espírito de Katie_King, não foram suficientes para provar a Richet a imortalidade do ser psíquico.
        Vemos isto em suas próprias palavras, como se lê na Segunda Parte desta obra (Livro II, Capítulo 4 - Discussão):

  • “... Entretanto, ensinamos que a memória é função do cérebro. Se o sangue oxigenado cessa de passar pelo cérebro, mesmo durante um meio minuto, não há mais memória.”

                                                  (Ver: Experiência de quase-morte)

        Ainda assim, Richet é considerado um dos grandes colaboradores do Espiritismo, já que a sua intensa participação nas pesquisas dos fenômenos psíquicos, juntamente com

        é importante frisar que suas dúvidas em relação à sobrevivência do espírito em nada diminuem a dignidade desse grande cientista, cujos trabalhos lhe valeram o Prêmio Nobel da Paz, em 1913.

Podemos expor a importância do trabalho de Kardec por estas palavras do pai da moderna Parapsicologia, o fisiólogo Charles Richet: "Allan Kardec foi o homem que no período de 1857 a 1871 exerceu a mais penetrante influência, e que traçou o sulco mais profundo na ciência metapsíquica" (Charles Richet in "Traité de Métapsychique", p. 34).

http://www.espirito.org.br/portal/doutrina/kardec/biografia-kardec-carlos-fragoso.html

“Como pode um fisiologista supor que haja sobrevivência da consciência sem o cérebro?”

        Pode parecer estranho, mas, talvez, o que justamente mais fascina na obra de Charles Richet, assim como em sua personalidade, é sua demorada relutância científica em admitir a simplicidade da hipótese espírita, adotada por Allan Kardec, no que se refere à vasta fenomenologia que tão criteriosamente estudou.  
        é dele a seguinte resposta à revista francesa Comédia, no ano de 1927: “Respondo-vos com absoluta franqueza. Às vezes creio. Às vezes (mais comumente), não creio. Como pode um fisiologista supor que haja sobrevivência da consciência sem o cérebro? Igualmente, como negar os fatos chamados espíritas e a hipótese explicativa mais simples do que qualquer outra?” (in Sérgio Valle, Silva Mello e Seus Mistérios, LAKE, pg 396).

        No ano de 1927, aparecia em Portugal um romance de autoria de Charles Richet, de pequena tiragem — À Porta do Mistério, (posteriormente publicado no Brasil intitulado No Limiar do Mistério, com tradução de Virgínia de Castro e Almeida e prefácio de Elzio F. de Souza, publicado pelo IDEBA Editora - download).
        O romance, totalmente baseado na doutrina_espírita, com elegância e fluidez abordava a lei das vidas sucessivas, ressaltando, ainda, os fenômenos de...

        Na verdade, Richet encontrava na literatura romanceada, a forma de não ferir tanto seus colegas encastelados no academicismo pedantesco. Afinal, em sua próxima e última obra “Au Secours”, publicada em 1936, confessaria, enfim, sua adesão à hipótese espírita. Seria uma confissão amadurecida e ponderada, fruto de sua tenaz observação dos fatos estudados.

Carta confidencial a Ernesto Bozzano

        A profundidade de suas cogitações está explícita em sua segunda carta confidencial a Ernesto Bozzano, outro emérito cientista, filósofo e defensor da teoria espírita:

        “Meu caro e eminente colega e amigo:
 
        Sou inteiramente do seu parecer: não creio, com efeito, na explicação simplista segundo a qual os acontecimentos de nossa existência e a direção de nossa vida são provocados exclusivamente pelo acaso, embora não seja possível apresentar prova nesse sentido. O Fado existe, o que equivale a dizer: uma Força que nos guia e conduz aonde bem lhe pareça, por vias indiretas, tortuosas e muitas vezes bizarras. E, também, fora da direção da vida, há coincidências tão estonteantes que é bem difícil não se veja a obra de uma intencionalidade. (De quem?... De quê?...)
        “E, agora, abro-me a você de modo absolutamente confidencial. O que você supunha é verdade. Aquilo que não alcançaram Myers, Hodgson, Hyslop e Sir Oliver Lodge, obteve-o você por meio de suas magistrais monografias, que sempre li com religiosa atenção. Elas contrastam, estranhamente, com as teorias obscuras que atravancam a nossa ciência.
        “Creia, peço-lhe, nos meus integrais sentimentos de simpatia e gratidão”. (in Sérgio Valle, op. Cit, pg 399 e sg. — O jornal londrino Psychic News, de 30 de maio de 1936, publicou as circunstâncias do fato).

http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/no-limiar-do-misterio-de-charles-richet/

        Não há dúvida de que muitas vezes os fenômenos_metapsíquicos parece levarem-nos a conclusões nebulosas...

  • acerca da imortalidade_do_homem,
  • acerca das emanações de uma vontade desconhecida,
  • acerca da reencarnação,
  • acerca dos fluidos inteligentes que emanam de nós ou dos mortos.

        Procurei defender-me - ainda que o não tenha podido fazer a contento - contra as teorias prematuras. Para que serviram todos os calhamaços da alquimia antes de Lavoisier? Mais fez ele com a sua balança do que todas as dissertações de Goclênio, de Agripa e de Paracelso. Se queremos que a metapsíquica seja uma ciência, comecemos por estabelecer fortemente os fatos. Os nossos descendentes irão mais longe, não tenho disto dúvida, mas a nossa missão é atualmente mais simples. Tenhamos o senso da moderação, a qual desbanca a ignorância.

  • A metapsíquica portanto, sob certos respeitos, não é de modo algum comparável; às demais ciências.
  • Quer se trate de metapsíquica subjetiva, quer de metapsíquica objetiva, os fenômenos parecem ser devidos a uma inteligência, visto não haver nenhuma inteligência nas diversas manifestações da energia.

        Por certo, é possível que essa inteligência, que aparece nas manifestações metapsíquicas, seja inteiramente humana, havendo então uma região da inteligência humana que nos é de todo em todo desconhecida, já que ela nos revela coisas que os nossos sentimentos não nos podem revelar, agindo sobre a matéria da maneira diferente como o faz nas contrações musculares. Em todo o caso, o domínio das coisas metapsíquicas é diferente do domínio das outras forças, que certamente são muito cegas e inconscientes. Talvez um dia será provado que as forças metapsíquicas, produtoras dos fenômenos, são também tão inconscientes como o calor e a eletricidade. Então a metapsíquica reentrará na lista da física clássica, da psicologia clássica. Será um imenso progresso. Longe de nos comovermos ou entristecermos, antes nos daremos por felizes, porque há uma verdadeira dor intelectual, que ninguém sente mais vivamente do que eu, por supor a existência de forças desconhecidas, arbitrárias, fantasistas, como tudo o que é inteligente.
        Mas esse dia não veio ainda e até lá podemos concluir:

  • 1.° que os fatos da metapsíquica são reais;
  • 2.° que é preciso estudá-los sem prevenção religiosa, como se estudam as outras ciências;
  • 3.° que eles parecem ser dirigidos por inteligências, humanas ou não-humanas, cujas intenções não logramos apanhar senão fragmentariamente.

[110 - Final do § 2] - Charles Richet - 1922

        Os acontecimentos e as descobertas se sucedem em tais encadeamentos que toda divisão em períodos distintos é fatalmente artificial. Mas é preciso fazermos esta divisão, a fim de lançarmos luz num assunto obscuro e denso.
        Propomos pois os quatro períodos seguintes:

  • 1.°- período mítico, que vai até Mesmer (1778).
  • 2.°- período magnético, que vai de Mesmer às irmãs Fox (1847).
  • 3.°- período espirítico, que vai das irmãs Fox a William Crookes (1847-1872).
  • 4.°- período científico, que começa com William Crookes 1872).
  • Ousarei esperar que o presente livro (Tratado de Metapsíquica) ajudará a inaugurar um quinto período, o clássico?

[110 - § 3] - Charles Richet - 1922

“A criptestesia, faculdade extraordinária, supranormal, de conhecimentos, é um fato. A sobrevivência da consciência dos mortos não é senão uma hipótese”


Apesar de em sua obre TRATADO DE METAPSIQUICA negar autonomia aos fenômenos mediúnicos e mesmo classificar como indemonstrada e indemonstrável a sobrevivência do Espírito, Charles Richet é um dos nomes imortais da pesquisa psiquica e, em carta que escreveu a Bozzano, rendeu-se à evidência da verdade espírita.

 

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/ciencia/a-ciencia-espirita.html 

 

(Ver: Psicometria)

  • Charles Richet, professor da Faculdade de Medicina de Paris, prêmio Nobel de Fisiologia e autor do "Tratado de Metapsíquica", participou nas experiências de Geley e naquelas da Comissão de Milão em 1892, com Cesare Lombroso, antropologista professor na Faculdade de Medicina de Turin, Alexander_Aksakof, sábio russo conselheiro do Czar, e Carl du Prel, filósofo de Munich. Trouxe com ele, em 1894, a médium Eusapia_Paladino, em companhia de Oliver Lodge, médico inglês, e de Frederic Myers. Este último chegou à conclusão de que a hipótese espírita era a única capaz de dar conta de todos os fenômenos que havia observado. Oliver Lodge afirmou que "a sobrevivência está cientificamente provada por meio da investigação científica”.
  • Charles Richet igualmente participou nos trabalhos da comissão de estudos científicos em 1898, com Camille_Flammarion, astrônomo francês, e o Coronel Albert de Rochas, diplomata e administrador da Escola Politécnica. Este último realizou numerosas experiências sobre:
    • o magnetismo,
    • o sonambulismo,
    • a exteriorização da sensibilidade (desdobramento)
    • e a motricidade assim como a levitação. Deve-se a ele a afirmação seguinte: "Esses fenômenos extraordinários (exteriorização da sensibilidade), dos quais o simples enunciado basta para exasperar aqueles que se consideram cientistas... não são para nós senão uma extensão do que temos observado, e sobre os quais, hoje, a dúvida não é mais possível”.

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/unidual/o-espiritismo-eh-uma-ciencia.html

A Passagem de Richet

        O Senhor tomou lugar no tribunal da sua justiça e, examinado os documentos que se referiam às atividades das personalidades eminentes sobre a Terra, chamou o Anjo da Morte, exclamando:

  • - Nos meados do século findo partiram daqui diversos servidores da Ciência que prometeram trabalhar em meu nome, no orbe_terráqueo levantando a moral dos homens e suavizando-lhes as lutas...
    • Alguns já regressaram, enobrecidos nas ações dignificadoras, desse mundo longínquo.
    • Outros, porém, desviaram-se dos seus deveres
    • e outros ainda lá permanecem, no turbilhão das duvidas e das descrenças, laborando no estudo.
  • - Lembras-te daquele que era aqui um inquieto investigador, com as suas análises incessantes, e que se comprometeu a servir os ideais da Imortalidade, adquirindo a fé que sempre lhe faltou?
  • - Senhor, aludis a Charles Richet, reencarnado em Paris, em 1850, e que escolheu uma notabilidade da medicina para lhe servir de pai?
  • - Justamente. Pelas notícias dos meus emissários, apesar da sua sinceridade e da sua nobreza, Richet não conseguiu adquirir os elementos de religiosidade que fora buscar em favor do seu próximo. Tens conhecimento dos favores que o Céu lhe tem adjudicado no transcurso da sua existência?
  • - Tenho, Senhor. Todos os vossos mensageiros lhe cercaram a inteligência e a honestidade com o halo da vossa sabedoria.
    • Desde os primórdios das suas lutas na Terra, os gênios da imensidade o rodeiam com o sopro divino de Tuas inspirações.
    • Dessa assistência constante lhe nasceram os poderes intelectuais, tão cedo revelados no mundo.
    • A sua passagem pelas academias da Terra, que serviu para excitar a potência vibratória da sua mente, em favor da ressurreição do seu tesouro de conhecimentos, foi acompanhada pelos vossos emissários com especial carinho.
    • Ainda na mocidade, lecionou na Faculdade de Medicina, obtendo a cadeira de fisiologia. Nesse tempo, já seu nome, com os vossos auxílios, estava cercado de admiração e respeito.
    • As suas produções granjearam-lhe a veneração e a simpatia dos seus contemporâneos. De 1877 a 1884, publicou estudos notáveis...
      • sobre a circulação do sangue,
      • sobre a sensibilidade,
      • sobre a estrutura das circunvoluções cerebrais,
      • sobre a fisiologia dos músculos e dos nervos, perquirindo os problemas graves do ser, investigando no círculo de todas as atividades humanas, conquistando o seu nome a admiração universal.
  • - E em matéria de espiritualidade - replicou austeramente o Senhor - que lhe deram os meus emissários e de que forma retribuiu o seu espírito a essas dádivas?
  • - Nesse particular - exclamou solícito o Anjo - muito lhe foi dado. Quando deixastes cair, mais intensamente, a Vossa luz sobre os mistérios que me envolvem, ele foi dos primeiros a receber-lhe os raios fulgurantes.
    • Em Carqueiranne, em Milão e na Ilha Roubaud, muitas claridades o bafejaram, junto de Eusápia_Paladino, quando o seu gênio se entregava a observações positivas; com os seus colegas Lodge, Myer e Sidgwick. (Ver: Grandes Cientistas)
    • De outras vezes, com Delanne, analisou as célebres experiências de Alger, que revolucionaram os ambientes intelectuais e materialistas da França, que então representava o cérebro da civilização ocidental.

"Todos os portadores das vossas graças levaram as sementes da Verdade à sua poderosa organização psíquica, apelando para o seu coração, a fim de que ele afirmasse as realidades da sobrevivência; povoaram-lhe as noites de severas meditações, com as imagens maravilhosas das Vossas verdades, porém apenas conseguiram...

  • que ele escrevesse o "Tratado de Metapsíquica", um estudo proveitoso a favor da concórdia humana
  • e o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1913.

"Os mestres espirituais não desanimaram nem descansaram nunca em torno da sua individualidade; mas apesar de todos os esforços despendidos, Richet viu, nas expressões fenomenológicas de que foi atento observador, apenas a exteriorização das possibilidades de um sexto sentido nos organismos humanos. Ele que fora o primeiro organizador de um dicionário de fisiologia, não se resignou a ir além das demonstrações histológicas. Dentro da espiritualidade, todos os seus trabalhos de investigador se caracterizam pela dúvida que lhe martiriza a personalidade. Nunca pôde, Senhor, encarar as verdades imortalistas, senão como hipóteses, mas o seu coração é generoso e sincero. Ultimamente, nas reflexões da velhice, o grande lutador se veio inclinando para a , até hoje inacessível ao seu entendimento de estudioso. Os vossos mensageiros conseguiram inspirar-lhe um trabalho profundo, que apareceu no planeta como “A Grande Esperança” e, nestes últimos dias, a sua formosa inteligência realizou para o mundo uma mensagem entusiástica em prol dos estudos espiritualistas."

  • - Pois bem - exclamou o Senhor - Richet terá de voltar agora a penates. Traze de novo aqui a sua individualidade para as necessárias interpelações.
  • - Senhor, assim tão depressa? - retomou o Anjo, advogando a causa do grande cientista. - O mundo vê em Richet um dos seus gênios mais poderosos, guardando nele sua esperança. Não conviria protelar a sua permanência na Terra, a fim de que ele vos servisse, servindo à Humanidade?
  • - Não - disse o Senhor tristemente. - Se, após oitenta e cinco anos de existência sobre a face da Terra, não pôde reconhecer, com a sua ciência, a certeza da imortalidade, é desnecessária a continuação de sua estada nesse mundo. Como recompensa aos seus esforços honestos em benefício dos seus irmãos em humanidade, quero dar-lhe agora, com o poder do meu amor, a centelha divina da crença, que a ciência planetária jamais lhe concedeu nos seus labores ingratos e frios.

*

        No leito de morte, Richet tem as pálpebras cerradas e o corpo na posição derradeira, em caminho da sepultura. Seu espírito inquieto de investigador não dormiu o grande sono.
        Há ali, cercando-lhe os despojos, uma multidão de fantasmas.

  • Gabriel Delanne estende-lhe os braços de amigo.
  • Denis e Flammarion o contemplam com bondade e carinho.
  • Personalidades eminentes da França antiga, velhos colaboradores da "Revista dos Dois Mundos", cooperadores devotados dos "Anais das Ciências Psíquicas" ali estão para abraçarem,o mestre, no limiar do seu túmulo.

        Richet abre os olhos para as realidades espirituais que lhe eram desconhecidas. Parece-lhe haver retrocedido às materializações da Vila Carmen; mas, ao seu lado, repousam os seus despojos, cheios de detalhes anatômicos. O eminente fisiologista reconhece-se no mundo dos verdadeiros vivos. Suas percepções estão intensificadas, sua personalidade é a mesma e, no momento em que volve a atenção para a atitude carinhosa dos que o rodeiam, ouve uma voz suave e profunda, falando do infinito:

  • - Richet - exclama o Senhor no tribunal da sua misericórdia - por que não afirmaste a Imortalidade, e por que desconheceste o meu nome no seu apostolado de missionário da ciência e do labor? Abri todas as portas de ouro, que te poderia reservar sobre o mundo. Perquiriste todos os livros. Aprendeste e ensinaste, fundaste sistemas novos do pensamento, à base das dúvidas dissolventes. Oitenta e cinco anos se passaram, esperando eu que a tua honestidade me reconhecesse, sem que a desabrochasse em teu coração... Todavia, decifraste, com o teu esforço abençoado, muitos enigmas dolorosos da ciência do mundo e todos os teus dias representaram uma sede grandiosa de conhecimentos... Mas, eis, meu filho, onde a tua razão positiva é inferior à revelação divina da . Experimentaste as torturas da morte com todos os teus livros e diante dela desapareceram os teus compêndios, ricos de experimentações no campo das filosofias e das ciências. E agora, premiando os teus labores, eu te concedo os tesouros da que te faltou na dolorosa estrada do mundo!

        Sobre o peito do abnegado apóstolo desce do Céu um punhal de luz opalina como um venábulo maravilhoso de luar indescritível.
        Richet sente o coração tocado de luminosidade infinita e misericordiosa, que as ciências nunca lhe haviam dado. Seus olhos são duas fontes abundantes de lágrimas de reconhecimento ao Senhor. Seus lábios, como se voltassem a ser os lábios de um menino, recitam o "Pai Nosso que estais no Céu..."
        Formas luminosas e aéreas arrebatam-no, pela estrada de éter da eternidade e, entre prantos de gratidão e de alegria, o apóstolo da ciência caminhou da grande esperança para a certeza divina da Imortalidade.

Humberto de Campos (Espírito)
(Recebida em Pedro Leopoldo a 21 de janeiro de 1936, por Francisco Cândido Xavier)

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Ver também:

 

Crianças e Adolescentes

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